História da Filosofia Moderna

A Gnosiologia de Hobbes (Westport ,1588- Hardwick, 1679)
e as Objecções a Descartes (5)


Descartes refutou a terceira objecção afirmando que eu distingo-me do meu pensamento como uma coisa se distingue do seu modo, ou seja, os meus modos diversos de pensar não possuem existência fora de mim.
Na quarta objecção, Hobbes demarcou a sua posição epistemológica e esboçou a sua gnosiologia. Referiu que Descartes estabeleceu grandes clivagens entre imaginar, ter uma ideia e o acto de conhecer mediante o entendimento, ao concluir, racionalmente, que algo é ou existe, todavia não explicitou as diferenças entre as referidas actividades mentais.
A razão seria coordenadora de imagens simbólicas, através da razão não conheceriamos a verdade no respeitante à natureza das coisas, pois as combinações de signos mentais não corresponderiam ponto por ponto às estruturas da realidade. A razão possibilitaria o encadeamento de noções abstractas às quais a linguagem conferiria um suporte convencional.
Descartes contestou com veemência, em seu entender, a razão , o entendimento, não relacionaria, não referiria apenas designações, mas as próprias coisas por ela significadas. A imaginação seria ainda um meio de conhecimento precário, dependente ainda da sensação, imaginar não seria mais do que contemplar a figura ou imagem de uma coisa corpórea, esta concepção da faculdade da imaginaçãoaproxima-se da formulada por Hobbes.
Em Descartes a coisa pensante conhecer-se-ia pelos seus três modos: sensação, imaginação e entendimento. Seria mediante o entendimento que eu constataria a minha existência, pelo entendimento conheceria clara e distintamente a natureza das coisas, descobriria as suas causas. O pensamento não precisaria do corpo.

(Continua...)

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