31.1.06

"O que quer uma Mulher?" Perguntava Freud (4)

A reflexão de Joan Rivière, “Womaliness as a Masquerade”

O artigo crucial de Joan Rivière tem sido alvo de interpretações díspares desde Lacan a Beatriz Preciado.
A partir das reflexões de Ernest Jones sobre a sexualidade feminina, Joan Rivière, definiu a feminilidade como mascarada. E. Jones estabelecera um esquema de desenvolvimento da sexualidade feminina subdividido em dois grandes grupos - homossexual e heterossexual – aos quais Jones juntou várias formas intermédias. Entre estas formas intermédias contava-se uma, que interessava especialmente a Joan Rivière: a daquelas mulheres que, apesar da sua orientação heterossexual, apresentavam traços marcados de masculinidade (as que denominava "mulheres intermédias"). "Um tipo de mulher hetero-masculina, que contrariava a causalidade aparentemente natural que relaciona sexo, género e orientação sexual."
Para a psicanálise daquela época, a diferença entre desenvolver uma orientação homossexual ou heterossexual estava determinada por um grau variável de angústia. Tomando como referência a ideia de S. Ferenczi de que certos homens homossexuais lutam contra a sua orientação exagerando a sua heterossexualidade, Rivière defende que estas mulheres intermédias utilizariam a máscara da feminilidade para "aliviar a angústia e evitar a vingança dos homens". Neste sentido, refere-se a um tipo específico de mulher heterossexual que tentava abrir caminho nos meios académicos e profissionais (espaço público e político reservado aos homens) ao invés de desempenharem os papéis tradicionais da mulher (boa dona de casa, esposa atenta, marcado instinto maternal,...). Apresentou, como exemplo, o caso de uma paciente que deve utilizar a palavra e a escrita (algo impróprio para as mulheres da época) no desenvolvimento do seu labor profissional. A angústia desta paciente manifestava-se aquando das intervenções em público e que a levava a sentir o desejo de flirtar com todos os homens que encontrava (especialmente com aqueles que lhe recordavam o pai).
Segundo Riviere esta paciente pertenceria ao grupo de mulheres homossexuais, ainda que nunca se tivesse interessado por outras mulheres. Era uma mulher cuja orientação sexual seria a homossexualidade. Tendo em conta que até meados do século XX a homossexualidade era entendida como inversão de género e não como relação entre indivíduos do mesmo sexo". Esta inversão provocaria profunda angústia na paciente (pois provocava a censura do resto dos homens) que só lograria atenuar se recorresse à feminilidade como uma máscara, como um disfarce que camuflava os seus traços marcados de masculinidade e evitava as represálias dos homens por haver entrado no seu território (o domínio público, o espaço político da palavra).
Rivière denuncia que a feminilidade é um disfarce O que ela sublinha é a falta de uma identidade, de uma essência feminina, e para fazê-lo Rivière utiliza o termo mascarada.

“[...] in fact that ‘femininity’ is a role, an image, a value, imposed upon women by male systems of representation. In this masquerade of femininity, the woman loses herself, and loses herself by playing on her femininity”
Rivière utiliza o termo mascarada para indicar que a mulher não existe como categoria ontológica.
Para um homem a mulher desejável é uma mulher que não é. A este pressuposto se reduziria, afinal, o ideal da feminilidade.

"O que quer uma Mulher?" Perguntava Freud (3)

Concepções de Freud sobre a Feminilidade

Embora Freud tenha evidenciado a ligação entre cultura e sexualidade, preconizando que o sexo biológico seria insuficiente para determinar o género e explicitado que a pulsão não se identifica com o instinto animal, dada a sua mobilidade e a sua indeterminação em função dos condicionamentos sociais. Por outro lado, foi tributário dos paradigmas científicos dominantes no século XIX, e da herança iluminista, quanto à definição do humano com base nos dois grandes conceitos universais de razão e natureza. No que concerne, por exemplo, à questão da diferença sexual, a dicotomia entre razão e natureza projectou-se na diferenciação estabelecida, pelo fundador da psicanálise, entre o estatuto do homem e o da mulher. O homem freudiano define-se pelo seu papel na manutenção da ordem social e na construção da cultura, enquanto a mulher, "ser de natureza" se caracteriza pela dimensão intrinsecamente corpórea veiculada e vinculada à função reprodutora. A mulher freudiana pouco difere da mulher descrita por Rousseau, um ser de natureza, a quem é preciso coibir, inibir, refrear, de modo a desenvolver o pudor e o recato sexuais capazes de sustentar o homem numa posição viril.
Freud começou por descrever o desenvolvimento da sexualidade infantil feminina de modo simétrico ao da masculina, nomeadamente no que diz respeito ao complexo de Édipo, pressupondo na rapariga um processo análogo ao do rapaz. A partir de 1923 e sobretudo de 1925 Freud irá teorizar sobre a assimetria do Édipo nos dois sexos, mas reafirmando sempre a predominância do falo e o masoquismo da mulher.
O texto de Karl Abraham “Manifestações do complexo de castração na mulher “ (1920), vai desencadear a polémica, dentro do movimento psicanalítico, sobre a mulher, que os três artigos de Freud “A Organização Genital Infantil” (1923) e ,“A Dissolução do Complexo de Édipo” (1924) e “O Problema Económico do Masoquismo”, irão alimentar.
Foi no texto de 1923 “A Organização Genital Infantil”que Freud ao retomar a temática do artigo de 1908, As Teorias Sexuais das Crianças” - em que teorizava sobre a universalidade do falo - postulou, explicitamente, o primado do mesmo.
A posição freudiana caracteriza-se, em termos gerais por atribuir aos dois sexos uma mesma evolução psicossexual até à entrada na fase fálica. Até aí o rapaz e a rapariga acreditariam que possuem um pénis, ao qual se afeiçoariam de modo narcísico. A reacção da rapariga perante a evidência da sua inferioridade anatómica seria o sentimento de inveja. Elas notam o pénis de um irmão ou companheiro de brinquedo, notavelmente visível e de grandes proporções, e imediatamente o identificam com o correspondente superior de seu próprio órgão pequeno e imperceptível; dessa ocasião em diante caem vítimas da inveja do pénis. Daqui resultariam três orientações possíveis de desenvolvimento: estranheza ou repressão da sexualidade; complexo de masculinidade e recusa da feminilidade. Abraham defendeu teses idênticas no artigo de 1920. Por outro lado, as diferenças anatómicas entre os dois sexos determinariam uma diferente situação edípica para cada um deles: o temor de castração no rapaz e a concomitante renúncia às fantasias incestuosas, e a dissolução do Édipo. A rapariga por seu turno, não lograria recear a castração, uma vez que, a mesma já teria ocorrido – em 1924 ,“A Dissolução do Complexo de Édipo” afirmou: “A diferença essencial será pois que a rapariga aceita o facto consumado enquanto que os rapazes temem a sua ocorrência” e assim o seu ressentimento contra a mãe por a ter tido “incompleta”, voltar-se-ia contra o pai, em busca de um falo e depois de um filho. A superação do Édipo seria mais lenta na rapariga do que no rapaz, se é que efectivamente se dará, já que falta à rapariga o medo de perder o falo. No artigo “Algumas Consequências Psíquicas da Diferença Anatómica entre os Sexos” , apresentado pela filha Anna no 9º Congresso Internacional de Psicanálise em Salzbourg, Freud fundamentou deste modo a sua convicção de que o super-ego das mulheres seria mais lábil. Relacionado com o complexo de castração está o conceito de masoquismo feminino, “ser mulher significaria ser castrado, possuído, parir. Freud retoma, deste modo Krafft-Ebing, ao preconizar a subordinação natural da mulher, em virtude das suas funções reprodutoras. O masoquismo é considerado uma das características do comportamento feminino.
As teorizações de Freud despoletaram a polémica na comunidade psicanalítica, opondo Viena e Londres dando origem ao que Lacan viria a designar por “querela do falo”, que terminou em 1935 com uma lição de Ernest Jones em Viena.
Entre 1920 e 1935, a partir do falocentrismo de Freud, e dos textos cruciais, para a eclosão e o desenvolvimento do debate, de Karl Abraham, os diferentes psicanalistas, em Congressos Internacionais, em colóquios das Sociedades locais e nas Revistas especializadas, confrontaram argumentos em prol, ou contra as concepções de Freud.

Destaque

Art, Vision, & the Disordered Eye

"O que quer uma Mulher?" Perguntava Freud (2)

Eis alguns dos títulos dos textos, onde Freud formula a questão e tenta responder-lhe sem sucesso... recorreu também à investigação das suas mais dilectas discípulas.

1905 - Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade
1908 As Teorias Sexuais das Crianças
1909 As Cinco Lições de Psicanálise
1915 – nota aos Três Ensaios
1923 - A Organização Genital Infantil
1924 - A Dissolução do Complexo de Édipo
1924 - O Problema Económico do Masoquismo
1925 - Algumas Consequências Psíquicas da Diferença Anatómica entre os Sexos
1931 - Sobre a Sexualidade Feminina
1933 - Feminilidade

A desenvolver ...

Oníricas (33) - Os sonhos à sombra do tempo

Je vous connais. Vos rêves en mouvement, vos peurs, vos espérences, à l'ombre effrayante et magique de cet élan qui vos possède, et que vous appellez le temps. Je devine un peu son pouvoir, mais je ne recevrais jamais de lui la vie, la mort, le fil inexorable d'un destin. Effleurer seulement son bonheur, sa blessure; voilà sans doute mon désir secret.
La bulle flotte dans l'espace et grandit lentement vers vous. Lenteur, silence, transparence: le monde d'où je viens vous fait envie, je crois. Je lis dans vos regards ce rêve d'un sommeil flottant dans la lumière.


Philippe Delerm, Le Buveur de Temps, (Paris, Gallimard, 2002), p.12.

"Take this Waltz" VII - Oripeaux

Mais vous avez tourné la page, écarté doucement le rideau froid de l'apparence, et je vais naître au monde; il suffit d'un regard. (...)Et vous écartez le rideau. Votre soif secrète et la doceur de votre main ont tourné la première page, et commencé l'histoire d'une personnage différent. (...)L'enfance règne au coeur du cercle d'eau. Les grands se désaltèrent à regarder le sillage léger des rêves qui voyagent. Sur les chaises blanches, on s'assoit bord à bord quand on est amoreux, en face du soleil ou bien à contre-jour pour ne rien perdre du spectacle.
Philiphe Delerm, Le Buveur de Temps,
(Paris, Gallimard, 2002), pp.11, 13, 31.


Gare de Locarno

Le train de Zurich arrive. Il est là.
Quoi dire?

-Bonjour monsieur le photographe!
-Ma chère Klein, vous ici ?
-Je prétends psychanalyser les vins du Ticino ... qu’elle belle voyage, les paysages, les gens, et maintenant toi!

Ils s’embrassent en riant. Les yeux dans les yeux regardent la chair des rêves

- Il faut chercher un hôtel … pour se libérer des sacs, prendre un bain …

- Surprise ! On va se loger chez un ami à Orselina, il vive à Luzern et nous offre l'ancienne maison pendant une semaine. Sa maison est très belle et confortable, décoré d’antiques, des jolis meubles, photos, broderies, dentelles et linges qui appartenait à sa mère. De la terrasse, des vérandas, des fenêtres, il y des vues magnifiques vers le lac ... tu aimeras ... On peut se promener dans les forêts.

- Superbe !!

- Tu prendras des photos, et moi je goûterais des " cannoncini", des "tranches di lamponi", des "tortas" ...

- Tu ressembles un enfant à la phase oral ... mais je t'offrirais de plus voluptueux plaisirs...
- C’est mon plus cher désir ...


Ils regardent le lac par la fenêtre.

- Les bateaux me rappelle des amours passés...

- Est-il seulement possible de penser à quelqu’un au passé ? Tant que nous sommes aimés nous sommes attachés à l’instant, on ne permet que le plus infime de nous émotions reste en arrière ...

- Peut-être, je me souviens que j’étais capable de foudroyantes, bien qu’éphémères passions. J’ai connu Bernard pendant les vacances de Pâques à Horta. On sortait ensemble pour dîner, écouter de la musique, se promener.
Une nuit il m’a dit des mots d’amour, je suis resté indifférente. Je ne l’aimais pas.
Mais, le matin suivant quand on se promenait sur le port, je me suis enivré de lumière, ses yeux réfléchissait le bleu profond de la mer et les voiles des yachts. Ce moment fut extraordinaire. J’étais là immobile et plongé dans un extase. Au sein même de cet état quelque chose de nouveau venait d’apparaître, je me suis transporté par cette ivresse, à ce moment là, je l’ai passionnément aimé. Deux mois après je ne l’aimais plus.
Ce n’était ni la première, ni la dernière fois que ...

Elle détourne la tête. Il soulève un peu son verre mais il ne songe pas à boire, il cligne les yeux d’air surpris et intimité.

- Ne dis plus rien, je cherche un amour implacable et sans ombres.

Elle le regard fièrement encore toute surprise.
-Calmes toi, je ne regrette rien, mes souvenires sont comme ces rideaux: des oripeaux.

Il fait gris le soleil se couche, la pénombre envahit la salle, une faible clarité barbouillé d’orange tombe, une bouffée d’air glacé la fait frissoner. Penché sur Elle, Il lui embrasse, la main se met à descendre le long de la robe.

- Quelle large baignoire, il faut en proffitter ...
Ils roulent ensemble sous l'eau, éclaboussant la salle de bain, l’eau coulle partout.

Elle repose sur le dos détendue, Elle a la nudité d’une femme de Modigliani.

À suivre (?)

29.1.06

"O que quer uma Mulher?" Perguntava Freud


Daqui.

"Take this Waltz" VI - Locarno


Locarno

... à suivre !

Ainda a neve

Kawase Hasui (1883 - 1957), Neve no Templo de Zojoji, gravura,(1929), The Cleveland Museum of Art

No orvalho branco
Transparece o caminho
Do paraíso.


Issa Kobayashi, Primeira Neve, (Lisboa, Assírio e Alvim, 2002), p.26.

Happy Chinese New Year - e muitas abóboras para todos vós


Pumpkins for good luck

Impressões

A estranheza de passear em Montemor sob espirais de neve, de a dado momento não ver o castelo, oculto por uma persiana de um branco cinza, ao invés da gaze de névoa dos dias frios.
As oliveiras de uma colina que se avista da janela da sala elevam-se da alvura do solo há pouco verde. As plantas do terraço espantosamente debruadas a branco. O castelo e o arvoredo em redor, os telhados das casa vizinhas lembram-me bolos cobertos com fondant, estas associações de confeitaria devem ser produto dos traços mais infantis da minha personalidade :):);)
Há uns anos passei o Natal em Uppsala e Estocolmo, com muita neve. Mas aí é um lugar comum. Aqui foi como se tivesse viajado, sem esforço, por acção de um qualquer sortilégio.
A chuva de neve deu lugar à melâncolia da chuva e ao vento que desfazem os vestígios de um Domingo de encantamento.

Rosalba Carriera e o inusitado metereológico


Rosalba Giovanna Carriera (1675-1757)Caterina Sagredo Barbarigo como "Bernice" (56.264) ca.1741, 18 x 13 9 1/16 in. (45.7 x 34.5 cm) desenho a pastel em papel azul-cinza, montado sobre tela, Photo © 2004, Detroit Institute of Arts

dia de penumbra, a ler uma das cartas de Rilke sobre Cézanne, onde fala em Rosalba Carriera, talentosa pintora veneziana, amiga de Watteau.
enquanto escrevo, ao espreitar pela varanda, de súbito reparo que neva em Montemor ... ténues cristais de gelo correm arrastados pelo vento e logo se desfazem.

Oníricas (52) - "fresh life in the spring after hibernation".


Cézanne, Pommes, ano (?), 22,9 x 33 cm, óleo sobre tela, Metropolitan Museum of Art, New York.

After Apple-Picking

My long two-pointed ladder's sticking through a tree
Toward heaven still.
And there's a barrel that I didn't fill
Beside it, and there may be two or three
Apples I didn't pick upon some bough.
But I am done with apple-picking now.
Essence of winter sleep is on the night,
The scent of apples; I am drowsing off.
I cannot shake the shimmer from my sight
I got from looking through a pane of glass
I skimmed this morning from the water-trough,
And held against the world of hoary grass.
It melted, and I let it fall and break.
But I was well
Upon my way to sleep before it fell,
And I could tell
What form my dreaming was about to take.
Magnified apples appear and reappear,
Stem end and blossom end,
And every fleck of russet showing clear.
My instep arch not only keeps the ache,
It keeps the pressure of a ladder-round.
And I keep hearing from the cellar-bin
That rumbling sound
Of load on load of apples coming in.
For I have had too much
Of apple-picking; I am overtired
Of the great harvest I myself desired.
There were ten thousand thousand fruit to touch,
Cherish in hand, lift down, and not let fall,
For all
That struck the earth,
No matter if not bruised, or spiked with stubble,
Went surely to the cider-apple heap
As of no worth.
One can see what will trouble
This sleep of mine, whatever sleep it is.
Were he not gone,
The woodchuck could say whether it's like his
Long sleep, as I describe its coming on,
Or just some human sleep.


Robert Frost (1914) in Reading About the World, (Harcourt Brace Custom Books, 1999), II vol.

Destaques

1. Oníricas (51)
rain dreamer


Daqui, another visual paradise.

You ask my thoughts
trough the long night?
I spent it listening
to the heavy rain
beating against the windows.


Izumi Shikibu,in The Ink Dark Moon, (New York, Vintage Books, 1990), p.107.

2. Admiration, Douceur et Tendresse

3. O ciúme - animal inválido.

4. Música no Digitalis graças às informações técnicas de CSA e a um link de goldo na caixa de comentários.
Bem hajam!!!

27.1.06

Oníricas (50) - Miles Davis








Kind of Blue forever and ever!
Nisenson quotes drummer Jimmy Cobb as saying of Kind Of Blue, "It must have been made in heaven"

Destaque

O regresso do Azul Cobalto. Não o tinha assinalado/celebrado/festejado, quando recomeçou, com receio de estar a ter uma feliz alucinação.

Oníricas (49) - Sueños Lúcidos

Lucid Dream deste parayso visual.

"Take this Waltz" (6) - Saudade

Je ne veulx point fouiller au seing de la nature,
Je ne veulx point chercher l'esprit de l'univers,
Je ne veulx point sonder les abysmes couvers,
Ny desseigner du ciel la belle architecture.

Je ne peins mes tableaux de si riche peinture,
Et si hauts argumens ne recherche à mes vers,
Mais suivant de ce lieu les accidents divers
Soit- de bien, soit de mal, j'escris à l'adventure.

Je me plains à mes vers, si j'ay quelque regret,
Je me ris avec eulx, je leur dy mon secret,
Comme estans de mon coeur les plus seurs secretaires.

(...)
Joachim Du Bellay, Les Regrets, (1558)

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Zurich

Elle:
Dix heures sonnent. Travailler? Je sais bien que je n’écrirais pas une ligne. Voilà une demi heure que je suis sur ma chaise, bras ballants, sans rien faire
Hélàs !

Zurich -------------------MSN --------------------Vienne

- from zurich to vienne ...
- ... ça va ce soir?
- :( ... pas très bien, j’ai envie de sauter sur mes pieds, de sortir de m’étourdir.
- étourdir ... download this file ...
- Ian Dury , sex drugs and rock and roll …
- :) only you ...à ce moment, no sex, no drugs, only Don Cherry/Brown Rice and now a litlle rock of you ... et toi?
- moi ... je me promène dans les rues et dans les foires, je prends des photos des affiches publicitaires, des pochettes des dames ... d’un très beau manège de fer ... et des monuments ... pour un magazine
- extra!!! ce matin je suis entré dans la salle de lecture de la bibliothèque de l’université, j’ai pris sur une table Les racines de la conscience de Jung, j’essayais de m’absorber dans ma lecture, j’y parvenais par à-coup, par courtes hallucinations de toi ...
- :) mois aussi j'ai des regrets
- tu sais ... j’ai goûté tous les genres de baies que je trouvais dans les jardins de Zurich … une femme indignée m’a demandé : vous croyez que je ne vois pas votre manège ?
- Mois, j'ai bu, je bois ... tous les types de bières
- give me five
- bonnes nouvelles ...
- ? !
- la prochaine semaine j’irais à Locarno ... travailler ... on peut se rencontrer au bord du Lago Maggiore
- :) :) :) superbe !!!
- We will take the "A" train
-Suisse Harlem ...

À suivre (?)

Oníricas (48) - O sonho de Mozart:

o tema da "Flauta Mágica".

Oníricas (47) - Alucinações/ Visões Hipnagógicas


Hervey de Saint-Denis, Les Rêves et Comme les Diriger - dois tipos de imagética visual no sono.

A l’égard de quelques rêves singuliers dont je donnerai l’exacte relation sans explication probante, il sera sous-entendu que je livre cette relation comme une photographie aux investigations de tout chercheur.

Sur les visions du premier sommeil, que l’on a nommées hallucinations hypnagogiques. — C’est un fait constaté, je crois, que les premières illusions du rêve sont presque toujours des hallucinations de la vue. A peine certaines personnes ont-elles fermé les yeux pour s’endormir, qu’elles aperçoivent comme un fourmillement d’images capricieuses qui sont l’avant-garde des visions mieux formées, et qui annoncent ainsi l’approche du sommeil. Tantôt, ces hallucinations représentent des objets déterminés, quelque fantasques et défigurés qu’ils puissent être; tantôt, ce ne sont que de petites roues lumineuses, de petits soleils qui tournent rapidement sur eux-mêmes, de petites bulles de couleurs variées qui montent et descendent, ou bien de légers fils d’or, d’argent, de pourpre, de vert émeraude, qui semblent se croiser ou s’enrouler symétriquement de mille manières avec un frémissement continuel, formant une infinité de petits cercles, de petits losanges et d’autres petites figures régulières, assez semblables à ces fines arabesques qui ornent les fonds des tableaux byzantins.

Celles de ces visions qui nous montrent des objets bien déterminés rentrent à mes yeux dans la catégorie des rêves ordinaires. Quant à celles qui ressemblent plutôt à des feux d’artifice qu’à des réminiscences d’objets réels, si l’on voulait étudier les lois de leur formation, il serait nécessaire de réunir d’abord un très grand nombre de figures fidèlement coloriées, à l’appui d’observations soigneusement faites sur la manière dont elles débutent et se modifient. J’emprunte à mes cahiers et je place au frontispice de ce livre quelques croquis de cette espèce. La gradation des couleurs qu’on y remarque correspondrait-elle à une série de vibrations distinctes, comme celles qui produisent la gamme musicale? La forme des aiguilles régulières (figurées sous le n° 2) ne rappelle-t-elle pas celle de certaines cristallisations naturelles? Questions étranges peut-être, que je me borne d’ailleurs à poser.

Relatons quelques hallucinations de la même famille, mais déjà mieux caractérisées. «Une fumée blanche semble passer comme un nuage épais chassé par le vent. Des flammes s’en échappent par instants, si éclatantes qu’elles impressionnent douloureusement ma rétine. Bientôt elles ont absorbé le nuage; leur éclat s’est adouci; elles tourbillonnent, forment de larges cocardes, noires à l’intérieur, rouges et orangées vers leur bord extérieur. Au bout d’un moment, elles s’entrouvrent graduellement par le centre et ne forment plus qu’un mince anneau doré, une sorte de cadre au milieu duquel je crois voir le portrait d’un de mes amis.»

«Un monticule de couleur verte se dessine au milieu du champ que mes regards intérieurs embrassent. Je distingue peu à peu que c’est un amas de feuilles. Il bouillonne comme un volcan en éruption; il grossit et s’élargit rapidement, au moyen des zones mouvantes qu’il rejette. Des fleurs rouges sortent à leur tour du cratère, en formant un énorme bouquet. Le mouvement s’arrête. L’ensemble est un moment très net; et puis le tout s’évanouit.»

Ce sont là des visions bien embryonnaires. On y retrouve pourtant ce caractère de transition par abstraction des formes sensibles qui leur est commun avec beaucoup de rêves parfaits; d’où nous pouvons juger que nous avons affaire à des phases graduées d’un même phénomène, et non point à un ordre de faits particulier.


Hervey de Saint-Denys, Les rêves et les moyens de les diriger, Troisième partie, cap.8

Images





Au coeur même de ce qui disparaît à
chaque instant
les mots remuent
et tournent comme un manège

Lettres de ma cuisine (12) - À propos de valeurs ... gastronomiques - Café liègeois

Ma Chère Marie,

Tous les matins lorsque je me reveille, je prends une grande tasse de café chaude, en ce moment précis ... je déguste un Blue Mountain.
Il fait beaucoup de froid aujourh'hui, "Un vent glacial souffle sur l'Europe", mais je m'imagine à goûter un délicieux café liègeois dans un jardin en Mediterranée.

Un Prétendu Goumand Cosmopolite

Onírisas (46) - Le Gardien du Sommeil

Contributo de CSA


L'Injection faite à Irma
"(...) nous devons voir dans le rêve le gardien du sommeil(...)" Freud

25.1.06

Promessas Le Rêve de Zola

Oníricas (44) - Jean Cocteau : "Jeune Fille Endormie"


Desenho de Jean Cocteau


Rendez-vous derrière l'arbre à songe;
Encore faut-il savoir auquel aller.
Souvent on embrouille les anges,
Victime du mancenillier.

Nous qui savons ce que ce geste attire:
Quitter le bal et les buveurs de vin,
A bonne distance des tirs
Nous ne dormirons pas en vain.

Dormons sous un prétexte quelconque,
par exemple: voler en rêve;
Et mettons-nous en forme de quinconce,
Pour surprendre les rendez-vous.

C'est le sommeil qui fait ta poésie,
Jeune fille avec un seul grand bras paresseux;
Déjà le rêve à grand spectacle t'a saisie
Et plus rien d'autre ne t'intéresse.


Jean Cocteau

"Take this Waltz" V - Rose rouge


Magritte

"Ne me quitte pas (...)
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie..."

Jacques Brel



- Demain je parts vers Zurich …
Elle regard en l’air avec un vague sourire de tristesse.
- J’habite, maintenant, dans un petit appartement à Vienne. Viens chez moi ce soir …
Elle se reprend et sourit de joie, les joues enflammées. Elle a l’air d’une petite fille satisfaite.
- Je veux te faire écouter Heavy Weather de Weather Report. La musique te plaindra, je le crois, sinon je te reprocherais le mauvais goût.
Elle lui jette un regard ironique en hochant la tête avec conviction et viens se planter devant lui.

- À tout à l’heure !
- À dix heures !

Elle monte l’escalier du vieux édifice Art nouveau. Sur le bouton de la porte ocre jaune, une rose rouge lui dit bienvenue. Il vient ouvrir.
- Entre, pose ton manteau et assieds-toi, sur la chaise longue prés de la fenêtre.
- Bois un verre de Jameson.
- Merci.
Elle se balance sur la chaise longue avec grâce. Elle croise les doigts et retient un de ses genoux dans ses mains. Elle décroise les mains, laisse le genou, se tait un peu, boit son Jameson, pose le verre et se tient raide en appuyant ses mains sur le rebord de la chaise longue.
-Je ne sais pas si je vais m’asseoir sur le lit … - mais il se laisse tomber sur un pouf devant elle.
Elle éclate de rire. Un petit rire très élevé, un peu nasillard.
- Pourquoi ris-tu ?
Elle ne répond pas tout de suite. Elle se lève et viens appuyer ses mains sur leur épaules.
- J’ai pensé à toi beaucoup plus souvent qu’a la psychanalyse …
Il sourit tout d’un coup avec une tendresse si visible que les yeux sont revenus des lacs.
Le silence s’impose.
Il parle d’une voix calme :
- Pour se mettre à aimer il faut avoir du courage, il faut plonger dans l’abîme, c'est la vertige, si on réfléchit, on s’arrête, on ne saute pas
Un nouveau silence. Ils ne parlent plus. Sur la table il y a des hors d’oeuvres, ils n’y touchent pas. Sur le tapis, la chair tressaille, le sang coulle plus fort.

Le mouvement névrotique des trains et des gens dans la gare.
Beaucoup de personnes attendent le dernier train. Elle aussi. Le dernier mot s’étrangle dans sa gorge:
- À tout à l’heure.

"Ne me quitte pas (...)
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie..."

À suivre (?)

24.1.06

Saudades dos Ena Pá 2000 ....

Bahum:

“Eu quero ir ao Frágil Sexta-feira / Eu quero ser amigo da porteira / Quero vir na capa das revistas / Quero andar nos copos com os artistas / Não quero viver em Chelas / E ir à Costa no Verão / Quero um andar no Bairro Alto / E uma quinta em Azeitão / Quero ser um estilista pós-moderno / E inventar a moda Verão-Inverno (...)/ Quero um emprego compatível com a minha posição / O que vale é um padrinho que tenho na Fundação.”

"Victor Hugo, L'Homme Océan"


"Ma destinée" Plume et lavis d'encre brune, gouache, sur papier vélin. 1867.
Paris, Maison de Victor Hugo, Inv. 927. © PMVP


Victor Hugo, "Steamer avec machine à l'avant aperçu en 1863 - dans le trajet de Douvres à Ostende"

Plume, pinceau, encres violette et brune, sur papier du Théâtre de la Gaîté. 1871.
BNF, Manuscrits, NAF 13355, fol. 78.

ESPECTACULAR

"(...) le vide papier que la blancheur défend (...)"

Brise marine

La chair est triste, hélas! et j'ai lu tous les livres.
Fuir! là-bas fuir! Je sens que des oiseaux sont ivres
D'être parmi l'écume inconnue et les cieux!
Rien, ni les vieux jardins reflétés par les yeux
Ne retiendra ce cœur qui dans la mer se trempe


(...)

Stéphane Mallarmé

"Take this Waltz" IV - Dark Waters

Dimanche - Melk

Ils se rencontrent, par hazard. Elle lui demande:

- Pourquoi viens-tu jusqu'ici vagabonder au bord du fleuve, en proie à la solitude?
Il : - Cependant, comment pourrions nous fuir éternellement?
Sa voix s’élevait au-dessus des flots. Sa silhouette posée au bord du fleuve, à l’endroit précis où l’eau se marie avec le rivage, gardait captifs leur regards.
Le silence a pris, soudain, une qualité inhabituelle, le mouvement du fleuve, à la fois précipité et lent, incertain. L´écume parle elle aussi certains jours d´hiver.

- Je suis debout sur la berge de cette rive, je me souviens d´allers et retours, de passages sur les fleuves d´Europe, Danube, Seine, Rhône, Garonne, Escaut, Rhin.
- Moi, je me souviens des voyages maritimes, j’aime les grands ports pleins de mouvement, mais j’adore aussi les petits ports de pêche, le mélange d’odeurs marins. Les îles, les plages où en deux pas on plonge tout droit dans l’abîme.

Un gros homme les regarde scruter dans un jardin, armé d’un fusil les menacent :
- Out ! Private property !
-Quoi faire?
Les deux s’enfuient, s'éclipsent dans un café en riant.
- Crazy man ! Il souffre un accès maniaque.
Elle el Il s’assoient près d’une fenêtre. Devant la persienne japonaise tombent un bouquet d’orchidées blanches.
- Ça me rappelle les Orientales de Victor Hugo :
« J’était seule près des flots par une nuit d’étoiles.
Pas un nuage aux cieux, sur la mer pas de voiles.
Mes yeux plongeaient plus loin que le monde réel… »
- Bravo ! J’admire ton goût littéraire ! À propos, je vais aller me prendre un verre de Perrier framboise, glacé !
- Moi, une bière.
- Comme dirait une guide touristique nous avons fait un tour panoramique de Vienne, qui nous a conduit des bords du Danube jusqu'à Melk … Avant de partir à Zurich je veux visiter la Graphische Sammlung Albertina, pour voir un Dürer et Hélène Fourment à l’Kunsthistorisches Museum.
- Très bien, « Fraulin Sabina », la guide plus pulsionelle-pictural de Vienne.

À suivre (?)

23.1.06

Oníricas (43) - A Porta dos Sonhos III


Christiane RUIZ JANCOVIC, La Porte des Rêves.

Oníricas (42) - A Porta dos sonhos II




Georges de Feure, ilustração da obra de Marcel Schwob,La Porte des Rêves.

Natura naturans



Bent Mörk, Mother


"Ce qui est divin est la nature. Les choses immédiates sont la nature. La transssubstantion est la nature. Les miracles sont la nature. Les miracles, la lévitation. La joie parfaite. La fusion dans l'amour est la nature. La libération de l'âme."

Henri Michaux, "Difficultés," in Plume/ Lointain Intérieur, (Paris,Gallimard,1963), p.113

Oníricas (41) - Ervas Altas do Verão


Albrecht Dürer, (1471-1528),The Large Turf,(1503), aguarela e guache sobre papel, 41 x 32 cm; Graphische Sammlung Albertina, Viena. Um dos meus quadros preferidos.

Ainsi donc, l'élite des vassaux fidèles dans ce château s'était retranchée; mais le bruit de leurs exploits n'eut qu'un temps, et les herbes couvrent leurs traces. «L'État détruit, il reste monts et fleuves; sur les ruines du château, le printemps venu, l'herbe verdois», me récitai-je et, assis surmon chapeau, oubliant le temps qui passe, je versai des larmes

Herbes de l'été
des valeureux guerriers
traces d'un songe.


Bashô Matsuo, "La sente étroite du bout-du-monde" in Journaux de Voyage, (Paris, P.U.F., 1976), p. 83.

22.1.06

Oníricas (40) - "La vida es sueño" - Incontornável perspectiva sobre a "questão borboleta:" Calderón de la Barca

Juan Sánchez Cotán, (Orgaz, 1560 - Granada, 1627), Bodegón con Membrillo, Repollo, Melón y Pepino,Óleo sobre linho ,69.2 x 85 cm, San Diego Museum of Art.
Hiper-realismo avant la lettre.




(…)Segismundo:

¿Queréis que sueñe grandezas
que ha de deshacer el tiempo?
¿Otra vez queréis que vea
entre sombras y bosquejos
la majestad y la pompa
desvanecida del viento?
¿Otra vez queréis que toque
el desengaño os el riesgo
a que el humano poder
nace humilde y vive atento?
Pues no ha de ser, no ha de ser.
Miradme otra vez sujeto
a mi fortuna; y pues sé
que toda esta vida es sueño,
idos, sombras, que fingís
hoy a mis sentidos muertos
cuerpo y voz, siendo verdad
que ni tenéis voz ni cuerpo;
que no quiero majestades
fingidas, pompas no quiero,
fantásticas ilusiones
que al soplo menos ligero
del aura han de deshacerse,
bien como el florido almendro,
que por madrugar sus flores,
sin aviso y sin consejo,
al primero soplo se apagan,
marchitando y desluciendo
de sus rosados capillos
belleza, luz y ornamento.
Ya os conozco, ya os conozco,
y sé que os pasa lo mismo
con cualquiera que se duerme;
para mí no hay fingimientos;
que, desengañado ya,
sé bien que la vida es sueño.
(…)
Luego fue verdad, no sueño;
y si fue verdad --que es otra
confusión y no menor--,
¿cómo mi vida le nombra
sueño? Pues, ¿tan parecidas
a los sueños son las glorias,
que las verdaderas son
tenidas por mentirosas,
y las fingidas por ciertas?
¡Tan poco hay de unas a otras
que hay cuestión sobre saber
si lo que se ve y se goza
es mentira o es verdad!
¿Tan semejante es la copia
al original, que hay duda
en saber si es ella propia?
Pues si es así, y ha de verse
desvanecida entre sombras
la grandeza y el poder,
la majestad, y la pompa,
sepamos aprovechar
este rato que nos toca,
pues sólo se goza en ella
lo que entre sueños se goza.
Rosaura está en mi poder;
su hermosura el alma adora;
gocemos, pues, la ocasión;
el amor las leyes rompa
del valor y confïanza
con que a mis plantas se postra.
Esto es sueño; y pues lo es,
soñemos dichas agora,
que después serán pesares.
Mas ¡con mis razones propias
vuelvo a convencerme a mí!
Si es sueño, si es vanagloria,
¿quién por vanagloria humana
pierde una divina gloria?
¿Qué pasado bien no es sueño?
¿Quién tuvo dichas heroicas
que entre sí no diga, cuando
las revuelve en su memoria:
"sin duda que fue soñado
cuanto vi?"

Pedro Calderón de la Barca, La vida es sueño

Oníricas (39) - A Porta dos Sonhos


Lionel Stocard, La realite face a la porte des reves 3

21.1.06

"Take this Waltz" III - Friday night fever (écrire en rose...)


Otto Wagner, Estação de Metro Karlplatz, Fotografia de Frank Derville

Je me réveille plein de toi. Ton portrais et le souvenir de l'énivrante soirée d'hiers n'ont point laissé de repos à mes sens. Douce et incomparable Joséphine, quelle effet bizzare faite vous sur mon coeur ! Vous fâchez-vous ? Vous vois-je triste ? Êtes-vous inquiète ? mon âme est brisé de douleur, et il n'est point de repos pour votre ami... Mais en est-il donc davantage pour moi, lorsque, me livrant au sentiment profond qui me maîtrise, je puise sur vos lèvres, sur votre coeur, une flame qui me brûle. Ah ! c'est cette nuit que je me suis bien aperçu que votre portrait n'est pas vous ! Tu pars à midi, je te verai dans 3 heures. En attendant, mio dolce amor, reçois un millier de baisé ; mais ne m'en donne pas, car il brûle mon sang.
Napoléon
Chanceaux, le 24 ventôse, en route pour l'armée d'Italie

Lundi

MSN

- C’était une petite crise de folie. Mes drôles de sentiment d’hier me semblent ridicules aujourd’hui.
- -Don’t worry be happy !
- Je pense que mon métier me dispose à l’analyse psychologique.
- Eh bien qu’est-ce que tu as fait toute la journée ? L’autoanalyse ?
- Ce matin j’ai travaillé de dix heures à une heure à la Bibliothèque, j’ai mis sur pied ma communication. J’ai rempli 10 pages. Après j’ai mangé un sandwich et retourné, mais je pris mon portable, et j’essayai de me remettre au travaille, j’en avais par-dessous la tête, tant de réflexions ... je me demandais qu’on me laisse achever mon travaille.
- Mois, je me demande qu’il faut que tu t’amuses un peu. Demain on ira au théâtre …
- Tu as toujours d'agréables surprises.
- Vendredi à 8 heures du soir je t’attendrais dans le hall de ton hôtel.
- :)**
- ;)****


Vendredi en descendant l’escalier de l’hôtel Elle est presque tombé, quand lui voit dans un manteau de laine noir, un borsalino, noir aussi, dans les mains.

- Est-ce que tu tombes à mes pieds?
- Je tombe étonné par ton élégance ...
- Je t’offre ce livre.
-Merci, tu es très gentil ! « Ni vu, ni connu » ... énigmatique le titre ...
-Je n’ai pas le lu ... Mais quand je l’ai vu chez le bouquiniste j’ai pensé que dans un tell univers les personnages auraient besoin d’êtres psychanalysées, he, he, he !
-Ah ! Tu te moques de moi …


- On prends le métro ?
- D’accords ! Comme sont belles les formes fluides de l'art nouveau, les volutes, les courbes et les lianes qui ondoient !
- Oui, mais je préfère la sobriété de l’art déco qui tend vers plus de simplicité, malgré le luxe des matières choisies.

Un homme portant un chapeau rouge, un manteau orange et des chaussures jaunes leur souhaite une bonne soirée.

- The american dragon...
-Il est emigré à Vienne!


Au théâtre
- Quels beaux strapontins !
- J’aime la décadence. Des meubles qui racontent des histoires.
- Et ce théâtre a tant d’histoires !!

La voix s’élève dans le silence, si belle, la voix glisse. Ils s’ému, ils se sent dans une bulle de clarté toute bourdonnante de musique.


-Il fait froid.
-Il faut boire, danser, s’amuser.
- La prochaîne semaine je partirais à Zurich, Jung, tu sais...
- Je ten pris, ne parles plus de psychanalyse, ce soir ...


Dans sa robe noir Elle éclat, Il regarda ses lèvres fines qui se dessinait en un sourire ravageur.
Il lui caresse le visage, les lèvres rose, les cheveux. La serre dans ses bras. Elle rougit, ses yeux devenaient brillants, Il lui serre plus fort. Ils trouveront ce soir dans la volupté, un refuge, la purge de certaines mélancolies dont ils ne connaissent la cause.

À suivre (?)

Correlacção particular universal

Sea como fuere, el principio fundamental del conocimiento se traduce concretamente en lo universal sólo puede captar-se en lo particular, mientras que lo particular también puede pensarse sólo en relación con lo universal.
Pero esta interrelación no está circunscrita a la ciencia sino que se encuentra en todas las otras formas fundamentales de creación espiritual.

Ernest Cassirer, Filosofia de las Formas Simbolicas,(México, Fondo de Cultura Economica,1971), vol. 1, p. 97.

Quand il fait beau

on va se balader :)
Aujourd'hui il ne fait pas beau :(

Impressões de Sexta e Sábado

Van Gogh, Noite estrelada - Arles, (1888) óleo sobre tela, Musée d'Orsay.

"Un ciel pur comme de l'eau baignait les étoiles et les révélait. Puis c'était la nuit." Saint-Exupéry, Courrier Sud, (Paris, Gallimard, 1979),p.7.

Noites em tonalidades Van Gogh.

Arte Nova


Ilustrações de Henry Van de Velde

En effet, non seulement je suis un décadent, mais j'en suis encore le contraire. Je l'ai prouvé, c'est un exemple entre bien d'autres, en choisissant toujours le remède approprié à mes malaises, alors que le décadent prend toujours celui qui lui fait du mal. Dans mon ensemble j'étais sain, dans mon individualité, ma différence spécifique, je me montrais décadent. L'énergie que je déployai pour conquérir l'absolue solitude et m'arracher au train habituel de la vie, et la violence que je me fis pour ne plus me laisser soigner, servir et droguer, témoignent de la parfaite sûreté de l'instinct qui me faisait discerner alors ce qu'il me fallait avant tout.

Nietzsche, Ecce Homo

Da Percepção

Toute perception en son sens plein est saisie d'une signification: c'est par là qu'elle nous engage soit dans une réflexion, soit dans une action et qu'elle s'intègre ainsi dans la trame de notre vie. Percevoir n'est pas enregistrer passivement des apparences en elles-même insignifiantes, c'est connaître, c'est-à-dire découvrir, à l'intérieur ou delà des apparences, un sens qu'elles ne livrent qu'à qui sait les déchiffrée, et c'est tirer de cette connaissance les conséquences qui nous conviennent selon l'intention qui préside à notre comportement. Maia comment cette signification est-elle déchiffrée?

Mikel Dufrenne, Phénoménologie de l'Experience Esthétique, (Paris, PUF, 1967), ii, p.421.

18.1.06

A Memória (1) - Funes, El Memorioso (*)


René Magritte, "La Mémoire " (1945), óleo sobre tela, 45 X 54 cm.

René Magritte, La mémoire (1948) óleo sobre tela, 60x50 cm, colecção do estado belga.


A morte,o sonho, Orfeu, Narciso, o tempo, a memória temas obsessivos...

Começo uma série de posts à volta da memória, com um trecho de um conto de Borges pelo qual tenho uma grande veneração. O texto de Borges lembra-me o relato do psicólogo russo A.R.Luria sobre um paciente, dotado de uma capacidade mnésica prodigiosa, que o investigador moscovita observou, sistematicamente, ao longo de quase trinta anos, desde 1920. Existe uma tradução portuguesa da obra onde Luria descreve as suas observações. Intitula-se O Homem que Memorizava Tudo, (Lisboa, Relógio D'Água Editores, 2003).

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Los dos proyectos que he indicado (un vocabulario infinito para la serie natural de los números, un inútil catálogo mental de todas las imágenes del recuerdo) son insensatos, pero revelan cierta balbuciente grandeza. Nos dejan vislumbrar o inferír el vertiginoso mundo de Funes. Éste, no lo olvidemos, era casi incapaz de ideas generales, platónicas. No sólo le costaba comprender que el símbolo genérico perro abarcara tantos individuos dispares de diversos tamaños y diversa forma; le molestaba que el perro de las tres y catorce (visto de perfil) tuviera el mismo nombre que el perro de las tres y cuarto (visto de frente). Su propia cara en el espejo, sus propias manos, lo sorprendían cada vez. Refiere Swift que el emperador de Lilliput discernía el movimiento del minutero; Funes discernía continuamente los tranquilos avances de la corrupción, de las caries, de la fatiga. Notaba los progresos de la muerte, de la humedad. Era el solitario y lúcido espectador de un mundo multiforme, instantáneo y casi intolerablemente preciso. Babilonia, Londres y Nueva York han abrumado con feroz esplendor la imaginación de los hombres; nadie, en sus torres populosas o en sus avenidas urgentes, ha sentido el calor y la presión de una realidad tan infatigable como la que día y noche convergía sobre el infeliz Ireneo, en su pobre arrabal sudamericano. Le era muy difícil dormir. Dormir es distraerse del mundo; Funes, de espaldas en el catre, en la sombra, se figuraba cada grieta y cada moldura de las casas precisas que lo rodeaban. (Repito que el menos importante de sus recuerdos era más minucioso y más vivo que nuestra percepción de un goce físico o de un tormento físico.) Hacia el Este, en un trecho no amanzanado, había casas nuevas, desconocidas. Funes las imaginaba negras, compactas, hechas de tiniebla homogénea; en esa dirección volvía la cara para dormir. También solía imaginarse en el fondo del río, mecido y anulado por la corriente.
Había aprendido sin esfuerzo el inglés, el francés, el portugués, el latín. Sospecho, sin embargo, que no era muy capaz de pensar. Pensar es olvidar diferencias, es generalizar, abstraer. En el abarrotado mundo de Funes no había sino detalles, casi inmediatos.


Jorge Luis Borges, "Funes, El Memorioso," in Artificios, (Madrid, Alianza Cien, 1995), pp.16-18.
(*)"larga metáfora del insomnio", Borges, ibidem, p.5

Oníricas (38) - Alucinações - 2

Ilustração para Oníricas (35) - Delusions:
René Magritte, Jeune fille mangeant un oiseau (Le Plaisir), (1927), óleo sobre tela, 74 x 97 cm. Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf.

Rather I felt them. It seemed that my mouth was full of birds wich I crunched between my teeth, and their feathers, their blood and broken bones were chocking me.

Marguerite Sechehaye, Reality Lost and Regained: Autobiography of a Schizophrenic Girl, with Analytic Interpretation, (1951), in Roy Porter (ed), The Faber Book of Madness, (London/Boston, Faber and Faber, 1993), p.133.

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Durante alguns anos, não me lembro ao certo, quando começou, antes de adormecer era tomada por uma espécie de alucinação recorrente, que não conseguia evitar: sentia-me deitada num solo de terra escura, e tinha a visão de vermes - os bichos que mais detesto. Há muito tempo que deixei de ser assaltada por tão desagradável vivência, e mesmo querendo nunnca mais consegui reviver tal experiência.

Uma noite sonhei que estava a morrer, o sonho reduzia-se a essa sensação. Acordei com uma forte sensação de peso no peito e o ritmo cardíaco muito acelerado.

Oníricas (37) - September in January

Bem sei que Setembro já lá vai, ainda falta muito para o próximo, hoje a manhã está de sol, uma recordação será sempre uma reminiscência ... mas tenho uma especial inclinação por esta canção de Frank Sinatra, cantada por Dinah Washington:

September in The Rain

The leaves of brown came tumbling down
Remember in september in the rain
The sun went out just like a dying amber
That september in the rain

To every word of love I heard you whisper
The raindrops seemed to play our sweet refrain
Though spring is here to me it?s still september
That september in the rain

To every word of love I heard you whisper
The raindrops seemed to play our sweet refrain
Though spring is here to me it is still september
That september in the rain

That september that brought the pain
That september in the rain

Impressões frescas

Abalaram as brumas. Desvelada a claridade dos azuis e o esplendor dos verdes. Pleno meio dia, numa Grécia berço de Aristócles, luminosas as ideias estonteiam.

Impressões

Castelo e colina tornados voláteis pela densidade tépida da bruma.
Hoje a neblina desceu sobre a cidade, quero perder-me nesta névoa

"Take this waltz" II - Happy Sunday

" (...) comme si le ciel n’avait fait que lever un instant ses yeux clairs, pour aussitôt se replonger dans la lecture des lignes monotones de la pluie. Mais on n'oublie pas si facilement que persistent, sous cette enduit brouillé, la lumière et la profondeur qui l'on a vues hier: Maitenant du moins, on le sait." Rilke, Lettres à Cézanne, (Paris, Le Seuil,1995), p.74


Dimanche

Il rentre au café de la librairie. Il s'approcha d’Elle, mais ne l'interrompit pas. Elle semblait totalement impliquée dans son écriture. Il regarda de temps en temps en sa direction sans se faire remarquer, la main qui écrivait. Il se dit qu'il faudrait lui parler, mais comment briser le silence. Les mots sont justes derrières ses lèvres :

-Je t’apporte les photos d’hier, pas des bombons, laisse tes papiers …
- Où me conduites-tu ?
- Á la rue, on va se balader un peu


Ils longeaient la rue tranquille, mais il commence a pleuvoir à profusion. Les deux se précipitent :

-Taxi !
- Où aller ?

- Berggasse 19, Vienna IX , Musée Freud !
- Tu ne penses qu’a l’histoire de la psychanalyse ?

Dans le cabinet de Freud Elle est gênée de toucher doucement le fauteuil, les doigts inventent des caresses. De mode ironique il déclare :

"Sur le Palier se trouvent deux portraits de Sigmund Freud, l'un réalisé par Ferdinand Schmutzer, l'autre par Salvador Dali…
La Véranda à l'arrière de la maison fut à l’origine une loggia ouverte: elle donne sur le jardin et a été conçue par Ernst, le fils architecte de Freud."

Ils s’emmerdent dans le Musée, alors décident sortir et traverser les vieux quartiers.

- Regard ce vert lumineux comme je n’en ai jamais vu!

- Pluie sur pluie toute la journée, et ça recommence.
- Abritons-nous sous ce portail.

- Je suis encore en etrangère dans une vie qui n’est pas la mienne, mais dans quelques minutes j’ouvrirais les yeux et je serai neuve…
Elle ressentait une étrange mélancolie, Il se pencha vers Elle et parle avec douceur, à cette tendresse Elle veut bien s’abandonner, être emporter par le courant, il lui semble que la propre vie s’écoule.


......

- Sorry, we need some information. Please, can you describe the traffic accident, and how it happened?
- Really?!! We didn’t saw anything.
- But it occurs in front of you!!! You have a camera ... Didn’t you take some pictures?

À suivre (?)

17.1.06

Dialogs: still life

Desparabéns ...


Daqui Abelardo Morel, The Loveliest Garden You Ever Saw, 1998 from Alice's Adventures in Wonderland.

hoje é dia de feliz desaniversário.

Lettres de ma Cuisine (11) - Soupe à la tomate


Andy Warhol

Ma Chère Maria,

Pardonnez-moi de vous envoyer cette recette en français. Mais, ma tradutrice suédoise est en vacances, en Italie, avec un industriel américan propriétaire d'une fabrique de soupe à la tomate en conserve... et elle se refuse à traduire mes recettes.

Voilà:

Hacher 2 oignons et les faire revenir dans l'huile d'olive (ne pas les faire dorer).
Pelez et épipéner 1kg de tomate, épluchez et émincez très finement 2 gousses d'ail.
Mettre les tomates avec les oignons,l'ail, assaisoner + thym + origan et couvrir d'eau.
Mettre en fin de cuisson un peu de sucre qui enlève l'acidité.
Moulinez, ajouter des coriandres hachés.
Servez chaud avec des des oeufs et des croûtons.

Un Prétendu Gourmand Cosmopolite.

Oníricas (36) - Freud e Jung

Já foi aqui referido, por CSA -num comentário - que Freud qualificava os sonhos como sendo a "via regia" de acesso ao inconsciente. Freud recorria à análise dos sonhos dos seus pacientes para os fazer tomar consciência das suas pulsões sexuais, cujo recalcamento constituiria, segundo a sua interpretação, a essência mesma das perturbações nevróticas. De acordo com a sua concepção, os sonhos contém, sob uma forma velada, alusões a desejos pulsionais dos quais poderíamos estar conscientes se as coisas decorressem bem. Assim, Freud ao decifrar o conteúdo manifesto do sonho, procurava explicitar o seu conteúdo latente desmistificando o seu significado oculto. Jung não aceitou as teses freudianas quanto à interpretação dos sonhos. Conjecturou que os sonhos conteriam um factor essencialmente desconhecido, intrínseco ao fundo da alma inconsciente, que deveria ser sujeito a uma investigação experimental.
Neste sentido, Jung considerou como devidamente fundamentados pelos factos, os seguintes aspectos:

O sonho teria a sua origem em duas fontes diferentes: de um lado os conteúdos conscientes como as impressões recebidas ao longo do dia, e por outro os conteúdos inerentes ao inconsciente. Estes últimos dividir-se-iam em duas categorias:

As constelações provocadas pelos conteúdos conscientes e as constelações decorrentes de processos criativos no próprio inconsciente.

Com base nestes pressupostos, a significação dos sonhos poderia formular-se do seguinte modo:

O sonho constituiria uma reacção inconsciente a uma situação consciente; representaria uma situação que resultaria de um conflito entre a consciência e o inconsciente; manifestaria uma tendência do inconsciente, que procuraria provocar uma mudança na atitude consciente; por último, representaria os processos inconscientes que impediriam o estabelecimento de laços entre eles e a consciência. Estes processos poderiam ter uma ou múltiplas causas somáticas ou derivar de fontes psíquicas criativas.
Tais processos teriam por fundamento, quer os acontecimentos implicados no ambiente físico ou psíquico do sujeito, quer os acontecimentos pertencentes ao seu passado ou ao seu futuro.



C.G.Jung, L'Âme et la vie, (Paris,Buchet/Chastel, 1963).
Marie-Louise von Franz, Rêves d'hier et d'aujourd'hui, (Paris, Albin Michel,1992).

Lunar

Seeing the moonlight
spiling down
through these trees,
my heart fills to the brim
with autumn[winter].


Ono no Komachi

op. cit., p. 34

16.1.06

Artigos de fé - A vida nos livros

Faz tempo, acreditei existir entre mim e ti - estranhas palavras - uma certa sintonia subreptícia. Crença resultante do meu gosto/compulsão por efabular personagens e situações.

Assim como julguei, à maneira de Kurosawa, viver num quadro de Francis Bacon quando subi as escadas daquele prédio em obras, o estuque removido das paredes, numa revelação da sua geometria subcutânea. Logo me vi num livro de Cela ao sentir a náusea do cheiro a guizado com ranço, e tomada de assalto pelos molhos de livros à mistura com pilhas de louça, no chão da sala, com homem ao fundo acoplado a um computador. Por esses dias predispunha-me à desrazão e ao despautério.
Rememoro Duarte:"Tu vives através dos livros." Aflora a dúvida: "há diferença entre viver pelos livros ou como nos livros?"

(continua ?)

Vento leste






Wu Zhen (1280-1354) Yuan Dynasty, Bambu ao vento, tinta sobre papel, 109.0 x 32.6 cm (43 x 13 in.) Colecção da Freer Gallery









(...) "Não é longe daqui até ao Rio Escuro -
Pássaro Azul, depressa vigia-me a estrada."







Li Shang-Yin

Oníricas (35) Delusions

I could find no rest, for horribles images assailed me, so vivid that I experienced actual physical sensation. I cannot say that I really saw images; they did not represent anything. Rather I felt them. It seemed that my mouth was full of birds wich I crunched between my teeth, and their feathers, their blood and broken bones were chocking me. Or I saw people whom I had entombed in milk bottles, putrefying, and I was conuming their rotting cadavers. Or I was devouring the had of a cat wich meanwhile gnawed at my vitals. It was ghastly, intolerable.

Marguerite Sechehaye, Reality Lost and Regained: Autobiography of a Schizophrenic Girl, with Analytic Interpretation, (1951), in Roy Porter (ed), The Faber Book of Madness, (London/Boston, Faber and Faber, 1993), p.133.

Oníricas (34) Leitura/evasão

J'ai le cou brisé, la nuque qui me fait mal, la poitrine creuse ; je suis resté penché sur les chapitres sans lever la tête, sans entendre rien, dévoré par la curiosité, collé aux flancs de Robinson, pris d'une émotion immense, remué jusqu'au fond de la cervelle et jusqu'au fond du coeur ; et en ce moment où la lune montre là-bas un bout de corne, je fais passer dans le ciel tous les oiseaux de l'île, et je vois se profiler la tête longue d'un peuplier comme le mât du navire de Crusoé ! Je peuple l'espace vide de mes pensées, tout comme il peuplait l'horizon de ses craintes ; debout contre cette fenêtre, je rêve à l'éternelle solitude et je demande où je ferai pousser du pain.

Jules Vallès, op. cit., p.118.

L'Enfant - O professor de Filosofia prova a existência de Deus

Duas passagens, bastante divertidas, do livro que vou relendo:

Le professeur de philosophie - M. Beliben - petit, fluet, une tête comme le poing, trois cheveux, et un filet de vinaigre dans la voix.
Il aimait à prouver l'existence de Dieu, mais si quelqu'un glissait un argument, même dans son sens, il indiquait qu'on le dérangeait, il lui fallait toute la table, comme pour une réussite.
Il prouvait l'existence de Dieu avec des petits morceaux de bois, des haricots.
" Nous plaçons ici un haricot, bon ! - là, une allumette. - Madame Vingtras, une allumette ? - Et maintenant que j'ai rangé, ici les vices de l'homme, là les vertus, j'arrive avec les FACULTES DE L'AME. "
Ceux qui n'étaient pas au courant regardaient du côté de la porte s'il entrait quelqu'un, ou du côté de sa poche, pour voir s'il allait sortir quelque chose. Les facultés de l'âme, c'était de la haute, du chenu ! Ma mère était flattée.
" Les voici ! "
On se tournait encore, malgré soi, pour saluer ces dames ; mais Beliben vous reprenait par le bouton du paletot et tapait avec impatience sur la table. Il lui fallait de l'attention. Que diable ! voulait-on qu'il prouvât l'existence de Dieu, oui ou non !
" Moi, ça m'est égal, et vous ? " disait mon oncle Joseph à son voisin, qui faisait chut, et allongeait le cou pour mieux voir.
Mon oncle remettait nonchalamment ses mains dans ses poches et regardait voler les mouches.
Mais le professeur de bon Dieu tenait à avoir mon oncle pour lui et le ramenait à son sujet, l'agrippant par son amour-propre et s'accrochant à son métier.
" Chadenas, vous qui êtes menuisier, vous savez qu'avec le compas... "
Il fallait aller jusqu'au bout : à la fin le petit homme écartait sa chaise, tendait une main, montrait un coin de la table et disait : " DIEU EST LA. "
On regardait encore, tout le monde se pressait pour voir : tous les haricots étaient dans un coin avec les allumettes, les bouts de bouchons et quelques autres saletés, qui avaient servi à la démonstration de l'Etre suprême.
Il paraît que les vertus, les vices, les facultés de l'âme venaient toutes fa-ta-le-ment aboutir à ce tas-là. Tous les haricots y sont. Donc Dieu existe. C. Q. F. D.
(...)
EN CLASSE
" Monsieur Vingtras, quelles sont les preuves de l'existence de Dieu ? "
Je me gratte l'oreille.
" Vous ne savez pas ? "
Il paraît étonné, il a l'air de dire : " Vous qui arrivez de Paris, voyons !
- Gineston, les preuves de l'existence de Dieu ?
- M'Sieu, je ne sais pas, il manque des pages dans mon livre.
- Badigeot ?
- M'sieu, il y a le consensus omnium.
- Ce qui veut dire ?... " (Le professeur prend les poses de Socrate accouchant son génie.)
- Ce qui veut dire... - Pitou, souffle-moi donc !
- Ce qui veut dire (reprend le professeur aidant le malade) que tout le monde est d'accord pour reconnaître un Dieu ?
- Oui, m'sieu.
- Ne sentez-vous pas qu'il y a un être au-dessus de nous ? "
Badigeot regarde attentivement le plafond !
Rafoin y a lancé le matin un petit bonhomme en papier qui pend à un fil au bout d'une boulette de pain mâché.
"Oui, m'sieu, il y a un bonhomme là-haut.
- Bonhomme, bonhomme (dit le professeur qui est myope et n'a pas vu ce qui pend au plafond), mais c'est aussi le Dieu de la Bible. Sa droite est terrible ! "
Le mot ne lui a pas déplu, cependant.
" J'aime cette familiarité, tout de même ", disait-il en sortant de la classe. " Il y a un bonhomme là-haut !... Ce cri d'un enfant pour désigner Dieu ! "
Il en a parlé en haut lieu.
" Qu'en dites-vous, monsieur le proviseur ? N'est-ce pas l'enfant qui ne sait rien, parlant comme le vieillard qui sait tout ? - Oui, il y a un bonhomme là-haut ! "
A la classe suivante il s'adresse de nouveau à Badigeot et commence en lui rappelant le mot :
" Il y a un bonhomme là-haut ? "
- Non, m'sieu, il n'y est plus. "
Il tenait mal et il est tombé.


Jules Vallès, op. cit., pp.34,35,376,377

15.1.06

Odeur de bière


Daqui

Comme à Ostende

(...) J'suis parti vers ma destinée
Mais voilà qu'une odeur de bière
De frites et de moul's marinières
M'attir' dans un estaminet
Là y avait des typ's qui buvaient
Des rigolos des tout rougeauds
Qui s'esclaffaient qui parlaient haut
Et la bière on vous la servait
Bien avant qu'on en redemande (...)


Léo Ferré/Jean-Roger Caussimon

Oníricas (33) - Os Sonhos, Karen Blixen

- Mas o que mais prazer me dá nos sonhos - prosseguiu é que o mundo a si mesmo se cria à minha volta, sem qualquer esfoço da minha parte.

Karen Blixen, "Os Sonhos", in Sete Contos Góticos, (Lisboa, Dom Quixote, 1987), vol.2, p.61

Oníricas (32) Os sonhos fonte de criatividade II

Ferdinand Hodler (1853 - 1918), Le Rêve, Zurich, colecção particular.

A maior parte dos artistas, ligados à corrente simbolista, atribuiam grande importância ao onírico enquanto génese das suas criações. Procuraram explorar o universo onírico, a profundidade do psiquismo, em sincronia com o surgimento da psicanálise e a revalorização de poetas como Nerval e Lautréamont. O sonho de Mallarmé exprimia-se na busca da Beleza, na sua materialização através da linguagem poética. Rimbaud pretendia fazer brotar, sistematicamente, as imagens que o inconsciente liberta de modo casual.
Odilon Rédon, na esteira de Edgar Allan Poe, preconizou que toda a certeza está no sonho.

Anexo

Uma página interessante sobre onirologia na Suíça.

Lettres de ma Cuisine (10) - Quadrivium

Ma Chère Maria,

Desculpe a longa ausência de notícias que se deveu à eclosão de uma paixão arrebatadora pela personagem de um romance que ando a ler. Bem, mas vamos ao cerne da presente mensagem, a receita do dia. Trata-se do resultado da reunião das vitualhas que restaram no frigorífico e na despensa ao fim de semanas sem os abastecer dado o meu estado de euforia.
Assim, recorri a 7 batatas e 7 cenouras que depois de descascadas, ralei e fiz passar à reserva, acomodadas em água. 1 ramo, mais conhecido por molho, de espinafres, cujas folhas depois do duche foram submetidos a cozedura a vapor. 1 cebola também descascada e picada, dentes de alho, azeite, tomate, polpa de tomate, carne de vaca moída, pimenta, sal, ervas aromáticas, expatriados para Bolonha. 1 l de leite, farinha, manteiga, condimentos, convertidos em molho Béchamel.
Num recipiente de vidro refractário redondo, coloquei às camadas, as batas raladas, as cenouras, a carne, os espinafres e por último o Béchamel. Levei ao forno a gratinar polvilhado com vestígios de queijo.

Un Préntendu Gourmand Cosmopolite

Impressões

Depois de um Sábado que despertou envolto em bruma, para logo se espreguiçar sob o sol e recolher-se na brancura do luar, eis um Domingo de castelo perdido ao vento, numa água de cinzas.

Leituras - L'Enfant

Estou a reler L'Enfant um livro que adquiri no final da adolescência. O autor dá início ao romance com a seguinte dedicatória:

A tous ceux qui crevèrent d'ennui au collège ou qu'on fit pleurer dans la famille, qui, pendant leur enfance, furent tyrannisés par leurs maîtres ou rossés par leurs parents je dédie ce livre.

A obra suscitou apreciações calorosas por parte de Zola e Aurélien Scholl e uma crítica moralizante e negativa de Edmond de Goncourt. O último afirmou, no seu Journal, que uma humanidade vil e rancorosa entrava em cena no livro de Vallès. A figura da mãe, até aí sagrada, era denegrida pela criança que ela própria tinha gerado. Em seu entender, L'Enfant era um produto do espírito do tempo.

Uma passagem:

Quels souvenirs ai-je encore de ma vie de petit enfant? Je me rapelle que, devant la fenêtre, les oiseaux viennent l'hiver picorer dans la neige; que l'été, je salis mes culottes dans une cour qui sent mauvais; qu'au fond de la cave, un des locataires engraisse des dindes. On me laisse pétrier des boulettes de son mouillé, avec lesquelles on les bourre, et elles étouffent. Ma grand joie est de les voir suffoquer, devenir blues. Il paraît que j'aime le bleu!
Ma mère apparaît souvent pour me prendre par les oreilles et me calotter. C'es pour mon bien; aussi, plus elle m'arrache de cheveux, plus elle me donne de taloches, et plus je suis persuadé qu'elle est une bonne mère et que je suis en infant ingrat.


Jules Vallàs, L'Enfant, (Paris, Le Livre de Poche, Librairie Générale Française, 1972), p. 12.

14.1.06

Ontem à noite: Ay Luna



Max Ernst, La Ville Entière, óleo sobre tela, 60 x 81 cm. 1936, Kunshaus, Zurich.

Ay luna que reluces


Ay luna que reluces,
Toda la noche m'allumbres!
Ay, luna tan bella,
alumbrese a la sierra!
Por do vaya y venga.


Anónimo, in Ay Luna, Música española del Siglo de Oro, Alpha 064, (2004)

La vie des images


Wang XiMeng North Song Dynasty

Ils étaient peu chargés, car Wang-Fô aimait l'image des choses, et non les choses elles-mêmes, et nul object au monde ne lui semblait digne d'être acquis, sauf des pinceaux, des pots de laque et d'encres de Chine, des roleaux de soie et de papier de riz.

(...)Wang ce soir-là parlait comme si le silence était un mur, et les mots des couleurs destinées à le couvrir. (...)

Alors, comprenand que Wang-Fô venait de le faire cadeau d'une âme et d'une perception neuves, Ling coucha respectueusement le villard dans la chambre ou ses père et mère étaient morts. (...)

On disait que Wang-Fô avait le pouvoir de donner la vie à ses peintures par une dernière touche de coleur qu'il ajoutait à leurs yeux. (...)

le peintre Wang-fô et son disciple Ling disparurent à jamais sur cette mer de jade bleu que Wang-Fô venait d'inventer.


Marguerite Yourcenar, "Comment Wang-Fô fut Sauvé", in Nouvelles Orientales, (Paris, Gallimard, 1963), pp. 11,13, 15, 27.

******************************************

L'image constitue, en effect, une catégorie mixte et déconcertante, qui se situe à mi-chemin du concret et de l'abstrait, du réel et du pensé, du sensible et de l'intelligible. Elle permet de reproduire et d'intérioriser le monde, de le conserver, mentalement ou grâce à un support matériel, mais aussi de le faire varier, de le transformer jusqu'à en produire de fictifs. Entre le donné pur du divers sensible et sa représentation idéelle, elle même suportée par le langage, l'image constitue une représentation médianne, médiatrice, qui collabore aussi bien à la connaissance du réel qu'à sa dissolution dans l'irréel. Elle est greffée sur des contenus sensoriels issus de l'expérience mais aussis imprégnée de significations émanant des configurations inédites mais s'expose aussi à des projections affectives du sujet (...)

Jean-Jacques Wunenburger, Philosophie des Images, (Paris, PUF, 1997), P.XI.

"Un Homme au rêve habitué..." (*)

Remémoration d'amis belges

A des heures et sans que tel souffle l'émeuve
Toute la vétusté presque couleur encens
Comme furtive d'elle et visible je sens
Que se dévêt pli selon pli la pierre veuve

Flotte ou semble par soi n'apporter une preuve
Sinon d'épandre pour baume antique le temps
Nous immémoriaux quelques-uns si contents
Sur la soudaineté de notre amitié neuve

Ô très chers rencontrés en le jamais banal
Bruges multipliant l'aube au défunt canal
Avec la promenade éparse de maint cygne

Quand solennellement cette cité m'apprit
Lesquels entre ses fils un autre vol désigne
A prompte irradier ainsi qu'aile l'esprit.
(**)

Mallarmé

(*)Mallarmé, Conférence sur Villiers, Bélgica 1890.
(**)Mallarmé, Poésies, (Paris, Le Livre de Poche, Librairie Générale Française,1977), p. 60.

13.1.06

Oníricas (31) Os sonhos da minha vida


Odilon Redon, Ophélie (1905), The Woodner Gallery, New York City.


John Everett Millais, Ophelia, (1852), óleo sobre tela, The Tate Gallery, London.

Nos primeiros meses, após a morte da minha irmã mais nova, sonhei que andava em busca dela. Finalmente, consegui encontrá-la, imersa num lago verde escuro, quase afogada, então mergulhei e consegui resgatá-la.

Quando procurava uma metodologia adequada para servir de fio condutor a uma tese em elaboração, foi num sonho matinal que obtive a resposta.

Há anos atrás, antes do divórcio oficial, sempre que o meu ex-marido fazia propostas de reconciliação, logo surgiam sonhos nos quais voltava viver com os meus pais.

Oníricas (30) A água e os sonhos.


Arthur Hughes, Ophelia, (c. 1851-53).

A obra de Bachelard, L'Eau et les rêves. Essai sur l'imagination de la matière(*), segue uma progressão rumo a um maior aprofundamento da simbólica da água. O epistemólogo francês começa por analisar as imagens que "materializam mal", as águas claras e brilhantes, que constituem a génese das imagens furtivas e fugidias, para abordar, seguidamente, o tema das águas calmas, lentas e mansas. Bachelard associa o fluir da água à passagem do tempo: "au loin, l'eau passe comme les jours"."Elle este une substance pleine de réminiscenses et de rêveries divinatrices". É a mestra da linguagem fluida, da linguagem sem choques, contínua, da linguagem que abranda o ritmo, que transforma em matéria uniforme os ritmos diferentes. Neste sentido, Paul Claudel afirmava que tudo o que o coração deseja se pode reduzir à imagética da água. As águas calmas e lentas simbolizam o desejo da morte: «pour certaines âmes, l'eau tient vraiment la mort dans sa substance. Elle comunique une rêverie où l'horreur est lente et tranquile."As águas mansas funcionam como um apelo à morte (...)a morte é uma viagem e a viagem é uma morte. "Partir é morrer um pouco". Morrer é verdadeiramente partir, e só se parte bem, corajosamente, nitidamente, quando se segue o fluir da água, a corrente do largo rio. Todos os rios desembocam no Rio dos Mortos. Apenas essa morte é fabulosa. Apenas essa partida é uma aventura."
Bachelard ilustra as suas teses com citações da obra de Poe, onde se encontra o tema obsessivo, da água estagnada, da água morta, aquela que conduz ao rio dos mortos - complexo de Caronte: "Tudo quanto a morte tem de pesado, de lento, é igualmente marcado pela figura de Caronte. As barcas carregadas de almas estão sempre a ponto de soçobrar [...] A morte é uma viagem que nunca acaba, é uma perspectiva infinita de perigos. Se o peso que sobrecarrega a barca é tão grande, é porque as almas são culpadas. A barca de Caronte vai sempre aos infernos. Não existe barqueiro da ventura." - o afogado que flutua (complexo de Ofélia).
No capítulo, "as águas compostas" Bachelard aborda o que ele designa pelo equilíbrio, a harmonia dos licores da água que queima, da água nocturna, da terra inibida pela água.
Remontando aos arquétipos inconscientes, Bachelard caracteriza a água como o líquido que tem uma função nutriente, sublinhando a sua dimensão maternal, feminina. O mar é considerado o símbolo da dinâmica da vida. Tudo tem a sua génese no mar e a ele retorna. É a encarnação da Grande Mãe, de que fala Gilbert Durand.

A água é também lustral, instrumento de purificação; o autor menciona a existência de uma moral da água". Dois capítulos são consagrados à "supremacia da água doce" e à"água violenta",antecedem o capítulo que evoca a "água murmurante", a "água que fala".

(*)Gaston Bachelard, L'Eau et les rêves. Essai sur l'imagination de la matière,(Paris, José Corti, 1942), pp.66, 122, 125, 250.

Inovações burocráticas

Proclamo, que a partir de ontem, foi abolida a designação "Circulares" para documentos oficiais, as antigas Circulares informativas ostentam, agora, o gracioso e simbólico nome "Ovais Informativas".

Oníricas (29) - Sonhos: uma fonte de criatividade

Os sonhos são, desde há muito tempo, considerados geradores de criatividade. Através da incubação do sonho e das potencialidades do sonho lúcido, os artistas, cientistas e inventores são capazes de mergulhar nesta fonte de imaginação e explorar os vastos horizontes da criatividade e do inconsciente. A clareza e a possibilidade de controlo do estado lúcido permite ao sonhador acordar imbuído de revelações criadoras.

Alguns exemplos de sonhos-inspiradores:

os que geraram a canção "Yesterday" dos Beatles, o célebre poema de Samuel Taylor Coleridge "Kubla Khan",a obra de Robert Louis Stevenson "The Strange Case of Dr.Jekyll and Mr.Hyde".

Muitos artistas atribuíram grande valor aos seus sonhos, como causa de inspiração, é o caso dos compositores Mozart e Beethoven. O pintor e poeta William Blake, o pintor Paul Klee recorreram ao mundo onírico para criar as suas obras. O cineasta Ingmar Bergman, Sting, Peter Gabriel,entre outros, também o fazem.

Os sonhos conduziram a Otto Lewi a descobertas sobre a mediação química dos influxos nervosos - obteve um Nobel - Friedrich Kekule à descoberta da estrutura circular do benzeno, através da "visão onírica" da serpente que mordia a própria cauda, Elias Howe à invenção da máquina de costura e Thomas Edison a muitos dos seus inventos.
Como afirmava Kekule há que saber aprender com os sonhos.

"Take this Waltz"

Now in vienna there’s ten pretty women
There’s a shoulder where death comes to cry
There’s a lobby with nine hundred Windows
(*)

Café Hawelka.

- Superbe, délicieuse, cette version de la Sachertorte ! - dit Nanni Moretti.
- D’accord ça me plait, mais je préfère la Marzipan-torte que j’aime déguster avec une tasse de Fiaker – répond Elle.
- Eh bien, du café au rhum ... au petit déjeuner
- Ce soir je n’ai pas dormi ...

Juste à ce moment là, Il rentre dans le café, de gros flocons de neige tombent de ses cheveux ébouriffés. Clik clak, les tasses, clik clak, les chaises, clik clak, les bouteilles, clik clak les morceaux de gâteau ...

- No pictures ! – s'indigne Nanni Moretti !
- Restez tranquille, ne vous agitez pas ... je ne veux pas vous faire des photos! C’est Elle qui m’intéresse, je prétend fixer le geste de ses mains pâles sur la tasse brûlante.
- !!!

Elle était à Vienne pour participer au VIIème congrès sur l’histoire de la Psychanalyse.

- Quoi ????– demanda le photographe en souriant - Il ya pleins de choses plus amusantes à faire à Vienne !


À suivre (?)

(*)Leonard Cohen

12.1.06

Oníricas (28) - Finalmente Freud!!!

Descrição de um sonho do próprio Freud:

Un jeune homme de ma connaissance, M. H., a été violemment pris à parti, dans une polémique, par un adversaire qui n'est rien moins que le grand Goethe. Les attaques, de notre avis à tous, sont aussi injustes que violentes. M. H., à la suite de cet incident, se voit perdu de réputation. Il s'en plaint amèrement à table d'hôte. Toutefois son enthousiasme pour Goethe n'a subi de ce fait aucune atteinte.
Je cherche, de mon coté, à éclaircir certains points de la chronologie qui me paraissent invraisemblables. Goethe est mort vers 1832. Sa polémique avec M. H. a eu lieu à une époque antérieure... mais à cette époque, H. était un tout jeune homme. En y réfléchissant, il me paraît plausible d'admettre qu'il avait dix-huit ans. Mais je ne sais pas en quelle année nous sommes ; et le reste de mon calcul se perd dans l'ombre. Au surplus, toute cette polémique se trouve dans l'ouvrage célèbre de Goethe : Nature.


Narrativa do sonho de uma paciente:

Cette dame va au marché en compagnie de sa cuisinière, qui porte le panier. Elle fait sa commande au boucher. Celui-ci répond : «Cela ne se trouve plus», et il veut lui donner un autre morceau qui, dit-il, est de même qualité ; mais elle refuse et se tourne vers la marchande de légumes. Cette femme lui offre un légume d'aspect singulier, noirâtre et lié par bottes. «Je ne veux pas voir cela, dit-elle, je n'en prendrai pas.»

Considerações sobre a apresentação e análise sobre os seus próprios sonhos:

Quand, au début de ce travail, j'ai donné un de mes rêves en exemple d'analyse, j'ai dû interrompre l'inventaire de mes idées latentes parce qu'il s'en trouvait parmi elles que je préférais garder secrètes, que je ne pouvais pas communiquer sans manquer gravement à certaines convenances.
J'ajoute qu'il ne servirait à rien de remplacer cette analyse par une autre car, quel que soit le rêve choisi, je me heurterais en fin de compte à des idées latentes que je ne pourrais pas révéler sans indiscrétion.


Freud, Le rêve et son interprétation, (Paris, Gallimard, 1989), pp.68, 79 e 87.

Oníricas (27) - James Joyce & John Cage

A obra de Joyce, Finnegans Wake leva o leitor a desempenhar um papel criativo, a suspender a dúvida e mergulhar no mundo onírico de Joyce, para apreender a sua linguagem característica. A leitura converte-se, assim, numa actividade lúdica, na fruição de sons, imagens e ideias.


Bygmester Finnegan, of the Stuttering Hand, freemen's mau-
rer, lived in the broadest way immarginable in his rushlit toofar-
back for messuages before joshuan judges had given us
numbers
or Helviticus committed deuteronomy (one yeastyday he sternely
struxk his tete in a tub for to watsch the future of his fates but ere
he swiftly stook it out again, by the might of moses, the very wat-
er was eviparated and all the guenneses had met their exodus so
that ought to show you what a pentschanjeuchy chap he was!)
and during mighty odd years this man of hod, cement and edi-
fices in Toper's Thorp piled buildung supra buildung pon the
banks for the livers by the Soangso. He addle liddle phifie Annie
ugged the little craythur. Wither hayre in honds tuck up your part inher. Oftwhile balbulous, mithre ahead, with goodly trowel in
grasp and ivoroiled overalls which he habitacularly fondseed, like
Haroun Childeric Eggeberth he would caligulate by multiplicab-
les the alltitude and malltitude until he seesaw by neatlight of the
liquor wheretwin 'twas born, his roundhead staple of other days
to rise in undress maisonry upstanded (joygrantit!), a waalworth
of a skyerscape of most eyeful hoyth entowerly, erigenating from
next to nothing and celescalating the himals and all, hierarchitec-
titiptitoploftical, with a burning bush abob off its baubletop and
with larrons o'toolers clittering up and tombles a'buckets clotter-
ing down.
James Joyce, Finnegans Wake, (Penguin Books,1982) pp. 4-5


O universo mítico e onírico de Joyce foi assimilado por John Cage na composição Roaratorio, ´formada por "roar" (rugido, bramido) e "oratorio" (oratório), que reune sons humanos e de animais (aves, elefantes, cães, gatos...), choros, risos, gritos, ruídos, barulhos de rios, sinos, chuvas, trovões, estilos musicais... Cage também introduz trechos de Finnegans Wake na música que, à sua maneira, é uma tradução daquele sonho "do qual todas as coisas participam, um sonho quase sempre assustador, por vezes atroz, repleto de um riso que mascara uma profunda ansiedade. É um pesadelo que finda num despertar" (*). E, Roaratorio constitui-se, por meio desse despertar, numa verdadeira epifania para Finnegans Wake.

(*)Michel Butor, Repertório,( São Paulo, Perspectiva, 1974), p.143.

Oníricas (26) - Uthopos - A cada um o seu sonho (2)

I

Lou Reed

Perfect Day

Just a perfect day,
Drink Sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
It's such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.

Oh it's such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

You're going to reap just what you sow,
(...)



II

John Lennon

Imagine

Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...

Imagine there's no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace...

Imagine no possesions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of man,
Imagine all the people
Sharing all the world...

You may say Im a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one.

Oníricas (25) "Dionysian black god" - Christiana Morgan


Robert Mapplethorpe, UNTITLED #3, (1985), fotografia a preto e branco e aguarela,
30" x 24 3/4".

Descrição de uma visão/sonho - revelador/a de uma bizarra e intensa sensualidade - por Christiana Morgan, "the veilled woman in Jung's circle", sobre quem já publiquei alguns posts.

I beheld a great Negro lying beneath a tree. In his hands were a fruit. He was singing. I asked him "What do you sing, oh Negro" and he answered me "Little white child, I sing to Darkness, to flaming fields, to the children within your womb." I said "I must know you." He answered "Whether you know me or not I am here." While he sang blood poured from his heart in slow rhythmic beats. It flowed down in a stream covering my feet. I follwed the stream of blood wich led down and down. At last I found myself in a rocky cavern beneth the earth. It was very dark. I saw the fire - a phoenix bird wich continually flew up and beat is head against the top of the cavern. I saw the fire create little snakes wich desappeared - small dwarves and man and woman. I asked the bird, "Where do they go?" The bird answered "Away, away." Then the bird said, "Stand in the fire woman." I said "I cannot. I will be burned." Again the bird commanded me to stand in the fire. I did so and the flames leapt about me burning my robe. At last I stood naked. The fire died down and the bird desappeared. I walked about the cavern searching for a way of escape but one demented. At lenght I heard the Negro descending. He sang in a full throaty voice, "I sing to you of darkness and of flming fields. He opened the door of the cavern. He laughed when he saw me and said "Now you are wedded to me." We ascended the steps into the day light and he said again, "You are wedded to me."

Christiana Morgan, in Claire Douglas, Translate this Darkness, The Life of Christiana Morgan, the veilled woman in Jung's circle, (New York, Simon & Schuster, 1993), pp.160-161.

11.1.06

Oníricas (24) - Viagem: Blaise Cendrars


Kandinsky, Porto de Odessa, (1900),Moscovo, óleo sobre tela.

En ce temps-là, j'étais en mon adolescence
J'avais à peine seize ans et je ne me souvenais déjà plus de mon enfance
J'étais à 16.000 lieues du lieu de ma naissance
J'étais à Moscou dans la ville des mille et trois clochers et des sept gares
Et je n'avais pas assez des sept gares et des mille et trois tours
Car mon adolescence était si ardente et si folle
Que mon coeur tour à tour brûlait comme le temple d'Ephèse ou comme la Place Rouge de Moscou quand le soleil se couche.
Et mes yeux éclairaient des voies anciennes.
Et j'étais déjà si mauvais poète
Que je ne savais pas aller jusqu'au bout.
Le Kremlin était comme un immense gâteau tartare croustillé d'or,
Avec les grandes amandes des cathédrales, toutes blanches
Et l'or mielleux des cloches...
Un vieux moine me lisait la légende de Novgorode
J'avais soif
Et je déchiffrais des caractères cunéiformes
Puis, tout à coup, les pigeons du Saint-Esprit s'envolaient sur la place
Et mes mains s'envolaient aussi avec des bruissements d'albatros
Et ceci, c'était les dernières réminiscences
Du dernier jour
Du tout dernier voyage
Et de la mer.


(...)

Et cette nuit est pareille à cent mille autres quand un train file dans la nuit
-Les comètes tombent-
Et que l'homme et la femme, même jeunes, s'amusent à faire l'amour.

Le ciel est comme la tente déchirée d'un cirque pauvre dans un petit village de pêcheurs
En Flandres
Le soleil est un fumeux quinquet
Et tout au haut d'un trapèze une femme fait la lune.
La clarinette le piston une flûte aigre et un mauvais tambour
Et voici mon berceau
Mon berceau
Il était toujours près du piano quand ma mère comme madame Bovary jouait les sonates de Beethoven
J'ai passé mon enfance dans les jardins suspendus de Babylone
Et l'école buissonière dans les gares, devant les trains en partance
Maintenant, j'ai fait courir tous les trains derrière moi
Bâle-Tombouctou
J'ai aussi joué aux courses à Auteuil et à Longchamp
Paris New-York
Maintenant j'ai fait courir tous les trains tout le long de ma vie
Madrid-Stokholm
Et j'ai perdu tous mes paris
Il n'y a plus que la Patagonie, la Patagonie qui convienne à mon immense tristesse, la Patagonie, et un voyage dans les mers du Sud
Je suis en route
J'ai toujours été en route
Le train fait un saut périlleux et retombe sur toutes ses roues
Le train retombe sur ses roues
Le train retombe toujours sur toutes ses roues

Prose du Transsibérien et de la petite Jehanne de France