31.8.05




Desabafos e Confidências de Savarin (109)
Tonos Plaki - Atum Assado com Batatas à Moda de Alonnisos


O ano passado estive mesmo para editar esta receita aqui. Mas, Setembro chegou ao fim e nada. Como mais vale tarde do que nunca (será????!!!)ei-la:

É em Setembro, segundo Rena Salaman,(1) que "os pescadores de Alonnisos fazem as melhores capturas de atum, e as mulheres da região preparam este prato. Especialidade desta ilha é muitas vezes assada no forno do padeiro local, depois da primeira fornada de pão. À hora do almoço, os aromas de alho e de oregão são literalmente inebriantes."

Ingredientes:

800 gr de atum cortado em 4 bifes de espessura média
11 cl de azeite extra virgem
1 limão grande
3 dentes de alho picados
3 colheres de salsa fresca picada
3 colheres de sopa de oregãos frescos ou 1 colher de café dos ditos secos
500 gr de batatas descascadas e cortadas em cubos
450 gr de tomates maduros pelados e cortados
sal e pimenta moída

Preparação:

Misturar o azeite, o sumo delimão, os alhos, sal e pimenta num recipiente fundo, juntar os bifes. Polvilhar com as ervas, voltar os bifes para os envolver na marinada. Deixar marinar 1 a 2 horas. Transferir para uma assadeira.
Pré-aquecer o forno a 180º (th.6). Colocar as batatas no recipiente da marinada e envolvê-las bem. Dispô-las em torno do atum, deitar o líquido da marinada e os tomates sobre o conjunto.
Juntar 15 cl de água quente na assadeira. Assar durante 40 minutos. A meio da cozedura voltar o atum e mexer as batatas. Retirar o atum para um prato quente e cobri-lo com folha de alumínio. Aumentar a temperatura do forno para 200º, juntar um pouco de água quente, se necessário e levar as batatas ao forno quente durante 15 minutos até que fiquem douradas e crocantes.

(1)La Cuisine Grecque, (2003, Manise),pp.106-107
Leituras

German Berrios; Roy Porter, (eds) A History of Clinical Psychiatry,The Origin and History of Psychiatric Disorders, (London/New Brunswick,The Athlone Press, 1995).

Para abrir o apetite:

The history of clinical psychiatry may be defined as the study of the way in which clinical signals and their descriptions have interacted in sucessive historical periods, and of their psychosocial context. To estimate the extent to which earlier meanings(terms, concepts and behaviours) are preserved when clinical categories are transferred from one discourse to the next, historian and clinician need to know how descriptive and nosographic rules are formulated. For example, can be assumed that 'mania', 'melancholia? or 'hypochondria' mean in 1995 the same as they did in 1800? How can differences be made explicit?
One of the objectives of historical nosography is to decode the rules controlling psychiatric discourse, and make explicit the drafts upon which it is based.
O Décimo Segundo Aniversário

- O aniversário de XS, é já amanhã e ainda não sei o que oferecer-lhe!

- Isso lembra-me ... respondeu XY com um toque de melâncolia na voz.

- Lembra-te ... repetiu XX. - A julgar pela pose e pelo tom adoptados por XY, era de prever a eclosão de novo relato de um qualquer melodrama de infância.

- Como já te disse, descendo de um pai perturbado e perturbador, cujos distúrbios de personalidade se reflectiam no exercício de um autoritarismo arbitrário sobre os filhos, que incluía a proibição de relacionamento com vizinhos, os namoricos e os festejos de aniversário. No entanto, aquando do meu décimo segundo aniversário, decidi arriscar, pois o meu pai iria passsar o dia longe a tratar de negócios. Na vêspera convidei toda a turma e preparei o lanche. Após as aulas seguimos para minha casa, e fomos jogar para um jardim próximo, muito arborizado e com grutas artificiais. De volta, todos esfaimados de tanto correr, decidi servir o lanche. Estranhei, os víveres pareciam ter diminuído da noite para o dia. Ia para protestar junto da empregada, quando a vizinha Bernardette, a pedido de minha mãe, veio avisar que todos deviam retirar-se o mais depressa possível, porque o Monstrengo regressara antes do previsto e dado o seu temível mau génio não apreciaria encontrar a casa repleta de fedelhos.
Confirmei as declarações da vizinha e despedi-os com ansiedade e vergonha, antecipando os comentários maliciosos do dia seguinta na escola.
Quando me libertei do último colega ainda tive tempo de investigar na cozinha e esclarecer o mistério da diminuição da comida. Deparei-me com as prateleiras a abarrotar... A empregada escondera grande parte dos alimentos destinados ao lanche. Em seu entender, era demasiada comida para uns patetas de uns miúdos. Deu-me um acesso de ira. Além do mais, o meu pai acabou por atrasar-se e chegou tarde a casa...

- Agora percebo, porque o menu dos teus jantares de aniversário tem sempre um número escandaloso de pratos e julgas que a comida é insuficiente...

- Talvez, e deve ser por isso que sinto uma estranha angústia e fico de péssimo humor.

- Talvez,talvez, mas não achas que vai sendo tempo de superar esse episódio? Em primeiro lugar,o recalcamento está fora de moda. Por outro lado, há quem tenha vivido experiências bem mais traumatizantes. Por exemplo, XL cujo pai lhe prometeu que poderia fazer transferência de um qualquer colégio Salesiano para uma escola pública se obtivesse excelentes classificações, e quando posto perante o quadro de honra, onde figurava a cria, não cumpriu a sua palavra. De um só golpe defraudou as expectivas de XL, sujeitando-o ao confinamento físico e intelectual, sob o domínio de dogmas e moralismos ultrapassados.


- O que te faz afirmar com tanta segurança que a experiência de XL foi mais frustrante do que a minha? Não precisas de responder. Vou sair antes disso.

30.8.05

Impressões


O passador do tempo escoa as horas, os dias escorrem por entre os dedos
A Humanidade é bem um elo da natureza feito de magma, do ímpeto da água e do vento.
Gift of Sight

I had long known the diverse tastes of the wood,
Each leaf, each bark, rank earth from every hollow;
Knew the smells of bird's breath and of bat's wing;
Yet sight I lacked: until you stole upon me,
Touching my eyelids with light finger-tips.
The trees blazed out, their colours whirled together,
Nor ever before had I been aware of sky.


Robert Graves (1895-1985), Collected Poems 1975, (Oxford University Press, 1975).

28.8.05

O Brilho do Olhar


(...)enquanto o pobre jovem se lançava aos meus pés, eu rígida, impassível, olhava-me ao espelho. Examinava o meu rosto para tentar encontrar uma ruga. A minha fronte, em que brincavam os caracóis dos cabelos, é lisa e delicada como a de uma criança; dos lados das minhas narinas amplas, por cima dos meus lábios um tanto carnudos e róseos não se vê nem uma prega. Nunca descobri um fio branco entre os longos cabelos que, soltos, me caem em belas ondas brilhantes, mais negros que a tinta, por sobre os meus ombros brancos.
Trinta e nove anos! Tremo ao escrever este número horrível.

(...) Se não fosse, por um lado, a febre das recordações vivas, e por outro, o medo da velhice, eu deveria ser uma mulher feliz. (...)
Com vinte anos, naturalmente, era mais bela. Não é que os traços do meu rosto tenham mudado, ou que o meu corpo esteja menos esbelto e suave; mas nos meus olhos havia uma chama que agora está a esmorecer. O negro das minhas pupilas, se o olhar bem, parece-me menos intenso. Dizem que o limite supremo da filosofia é conhecer-se a si próprio: eu estudo-me com tal intensidade há tantos anos, hora a hora, minuto a minuto, que creio conhecer-me a fundo, a ponto de me poder proclamar uma filósofa perfeita.


Camillo Boito (1836-1914), Senso - O Caderno Secreto da Condessa Lívia, (Lisboa, Quetzal Editores, 1988), pp. 17 e 20.

Uma novela impressionista, de uma displicente amoralidade, que apesar da sua originalidade narrativa, elegância formal e bom gosto estilístico, foi ignorada durante anos, de 1883, data da sua primeira edição, até 1954, quando Luchino Visconti adaptou a obra ao cinema.



Summer

At evening the complaint of the cuckoo
Grows still in the wood.
The grain bends its head deeper,
The red poppy.


Darkening thunder drives
Over the hill.
The old song of the cricket
Dies in the field.


The leaves of the chestnut tree
Stir no more.
Your clothes rustle
On the winding stair.


The candle gleams silently
In the dark room;
A silver hand
Puts the light out;


Windless, starless night.



Georg Trakl, Tradução de James Wright e Robert Bly aqui


Freixo

Quando procurava imagens de castanheiros - a minha árvore preferida - acabei por descobrir que o freixo é a árvore-simbólica correspondente à data do meu aniversário. Finalmente, compreendi a minha fixação por Freixo-de-Espada-à-Cinta

22 Novembro a 1 de Dezembro

ASH TREE (the Ambition) - uncommonly attractive, vivacious, impulsive, demanding, does not care for criticism, ambitious, intelligent, talented, likes to play with fate, can be egotistic, very reliable and trustworthy, faithful and prudent lover, sometimes brains rule over the heart, but takes partnership very seriously.

26.8.05

Confidências e Desabafos de Savarin (110)

Acordes Perfeitos I


A sopa de peixe temperada com pimenta-de-caiena e coentros frescos.
Filetes de peixe estufados sobre uma cama de cebolinho picado.
A vulgar salada de alface e agrião, com coentros e gomos de laranja.
A singela pizza Margueritta com molho de tomate caseiro, muito Mozarella e dose extra de mangericão fresco.
Tomate às rodelas, Mozarella fresco e mangericão
Omolete frita em azeite, feita com 2 ovos, finas lâminas de cebola e salsa picada.
A simples açorda com azeite, alhos picados, ovos escalfados e coentros.
Maionese de Rocaz acompanhada com Champagne.
O leite creme ou o arroz doce aromatizados com casca de limão e vagem de baunilha.
Bolo de frutas coberto com quilos de glacé real branco e flores frescas acompanhado com um cálice de Porto.
Confidências e Desabafos de Savarin (109)
Bombons Sortidos


Lembrei-me da receita destes bombons que criei em 1981, para um jantar com colegas de curso,a propósito do Savarin (108).

Ingredientes:

1 tablette de chocolate Belleville
1 lata de leite condensado
Frutos secos: alperces, avelãs, nozes, pistachios, ameixas e tâmaras descaroçadas, etc.
Cerejas em calda ou cristalizadas

Massapão

250 gr de amêndoas peladas
250 gr de icing sugar
1 clara
1 colher de chá de sumo de limão

Moer a amêndoa na 1,2,3, juntar o açúcar, o sumo de limão e a clara aos poucos. Amassar bem. Deixar repousar. Formar pequenas esferas.

Recheio de nozes

250 de nozes
250 gramas de icing sugar
2 gemas e 1 clara

Proceder do mesmo modo como para o masspão, mas levar a lume brando para cozinhar as gemas.

Derreter o chocolate em banho-Maria, juntar uma lata de leite condensado e mexer bem. Quem não gostar de leite condensado poderá derretê-lo apenas com um pouco de manteiga. Rechear as bolinhas de massapão ou de nozes com frutos a gosto. Com a ajuda de um garfo, mergulhá-las no chocolate derretido. Deixar secar sobre uma rede e servir em caixinhas de papel frisado.

Nota: Há muitas receitas de massapão/marzipan/maçapão a cru, e com o açúcar em ponto.
Também se pode moer outros frutos secos e juntar ao massapão. As claras podem ser substituídas por água de flor de laranjeira; as quantidades podem ser de 330 gr de amêndoa para igual quantidade de açúcar.
Varandas para a Serra


ao longo do tempo as encostas à volta da casa ora se velam sob o perfil de muitas árvores no horizonte
ora evidenciam o seu relevo nos anos de fogo

trepar, subir e descer as encostas escarpadas, espreitar as minas de volfrâmio, quase cair por ali abaixo até ao ribeiro

andar pelos caminhos e muros feitos de quadros da escola
a ver os açudes e os canais de rega, cabras, ovelhas e gaios verdes
até ao Poço da Moura escondido entre os milheirais
mergulhar no verde gelo de uma água transparente
nadar até à cascata emoldurada pelas silvas e bagas vermelhas, vistosas de venenos
apanhar as pedras modeladas pela corrente

regressar com braçadas de urze de cores várias e pequenas flores amarelas, para gáudio das mulheres da terra, que logo oferecem espécies de jardim, atónitas com o acto de levar mato para florir a casa

há muito tempo havia carvalhos, castanheiros, cerejeiras, também os resistentes pinheiros, macieiras, abrunheiros, vinha americana
agora fazem-se piqueniques sob a frescura e os aromas do eucaliptal - eu gosto do cheiro dos eucaliptos e de beber água-chalada (vulgo ice tea de limão), refresco de café e mandrana feitos com a água do ribeiro

uma caminhada até à Portela do Vento na fria madrugada, ainda lusco-fusco, paragem das camionetas com destino a Góis, à Lousã ou Coimbra
na viagem, penedos, cheiros de mato e figueiras, perspectivas do Ceira, uma fábrica de fiacção abandonada outrora do meu bisavó materno
que segundo a filha-minha-avó morrera demasiado cedo

25.8.05

Um Segredo Bem Guardado


XX escondia uma paixão tão secreta, que passava grande parte do tempo à procura dela.
A Utopia do Momento Segundo o Evangelho Narcísico

XX voltou-se para XY e respondeu:

- Isso do "amor" não me interessa! Bem sei que o amor é a utopia do momento, o tesouro no fim do arco-íris, mas ...

- Mas ... mas o quê?

- Mas, todas as descrições dos seus adeptos exalam um tédio monumental!

- Toda essa displicência parece-me o resultado de muitos anos a coleccionar decepções. Um mecanismo de defesa, uma forma de recalcamento.

-És surpreendente de tão tão previsível. Pois fica sabendo, que se esse tão requestado sentimento pode revelar a beleza que há em nós, também pode soltar o monstro, trazer a lava à superfície.

- Então é o medo de te dissolveres no magma, que te faz falar assim?

- Inspiras cá um um tédio ... são pessoas como tu que me fazem sentir assim, e me ajudam a descobrir que tenho em mim um paraíso, com tudo quanto preciso para me sentir bem ...
Imaginar que um dia escrevi:

Tu para mim
sabes melhor
do que pato
à moda de Pequim ...

Agora penso que saborear pato à Pequim é incomparavelmente melhor, de preferência com vinho de arroz ...

24.8.05

Confidências e Desabafos de Savarin (108)
O Enigma da Inesperada-Cor do Recheio dos Bombons Mozart-Kugeln


A resposta só pode estar nos pistachios utilizados para fazer o coração de marzipan/massapão dos ditos bombons: os confeiteiros atrasados para uma das óperas do Festival, recorreram aos primeiros-pálidos-pistachios, que lhes foram parar às mãos, não cuidando de seleccionar os frutos genuinamente verde-pistachio, como é o caso dos "Premium Pistachios from Sicily", dos do Arizona, ou dos Purcell Mountain Farms, ou de outros que tais, porque chega de publicidade gratuita!

23.8.05

Impressões na Praia Há Dias

Na orla da praia, um jardim submerso de algas enreda-se nos pés e nas pernas, acentua a maresia.
Água e atmosfera temperadas ao gosto de quem mergulha, sente o vento, olha os barcos e as gentes, enleva-se no horizonte.
O Palácio Encantado da Memória

Chaque être humain, n'importe qui, sans doute, conserve un souvenir de quelque chose qui lui est arrivé et qu'il considère, ou qu'il a tendence à considérer, comme fantastique, extraordinaire, quelque chose qui sort du rang, presque de merveilleux, que ce soit un rêve, une rencontre, une prédiction, un pressentiment ou quelque chose de ce genre.

Dostoievski, L'Adolescent, (Babel, 1998), vol. 2, p. 121
Fim de Férias

As férias são um tempo de desprendimento, de abolição de rotinas, constrangimentos, de pacificação interior. Mesmo quando permaneço em casa é como se a casa fosse outra, porque a redescubro, e os horários são os que eu quiser estabelecer.

Nos primeiros dias de férias, o cansaço do ano de trabalho predomina. Deitada sobre o tempo, entro num estado de hibernação estival. Seguem-se as deambulações, muitas vezes aleatórias. Todavia, de forma gradual, a recuperação vai-se fazendo, subrepticiamente. No final deste período de ócio, os novos planos, as novas ideias despontam com vivacidade, muitas perdem-se no entusiasmo inicial, outras passam do viveiro para o local definitivo e florescem no Outono.

22.8.05

"A Indústria dos Incêndios"

Um artigo com perguntas pertinentes, e que põe em causa a pretensa fatalidade dos incêndios em Portugal.

15.8.05

Impressões de uma Tarde de Domingo

Sob os pinheiros
o rio embala a ponte.

o céu liquefaz-se,
ar e água:
fluxos de luz.

*************
No Jardim

Nenúfares em flor
araçás ainda verdes
uma ou outra flor
de maracujá
hibiscos escarlates

10.8.05

Manteigas: ANTES

Confidências e Desabafos de Savarin (107) - Em Louvor do Japão (3)



Enrolados de Legumes
Gyuniku no Yassai-Maki



Ingredientes:

300 g de carne de vaca magra cortada em bifes bem finos
100 g de cenoura
100 g de bardana
100 g de feijão verde

Para cozinhar a bardana e a cenoura:

1/2 chávena de água
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de sopa de saké
1 colher de sopa de mirin
3 colheres de sopa de shoyu

Caldo para cozinhar os enrolados:

1/4 de chávena de água
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de sopa de saké
1 colher de sopa de mirin
3 colheres de sopa de shoyu
maisena ou fécula de batata
1 colher de sopa de óleo
4 raminhos de agrião

Preparação:

1. Raspar a cenoura e cortar, no sentido do comprimento, em tiras de 15 cm com mais ou menos 0,5 cm de espessura.

2. Com a parte não afiada da faca, raspar a fina casca da bardana e cortar da mesma maneira que a cenoura. Deixar de molho em água com 1 colher (chá) de vinagre durante 5 minutos, para que não escureça. Escorrer e lavar para retirar o vinagre.

3. Ferver a água para o caldo, juntando o shoyu e o açúcar, acrescentar a cenoura e a bardana, e deixar cozinhar até que fiquem tenros (uns 5 minutos).

4. Cortar as extremidades e retirar os fiapos do feijão verde Ferver 2 chávenas de água com uma pitada de sal e escaldar o feijão verde na panela destapada durante uns 3 minutos. Escorrer. Esfriar rapidamente sob água corrente e escorrer.

5. Cortar os bifes em tiras de 5 cm de largura. O comprimento dependerá do tamanho dos bifes.

6. Esticar bem o bife na tábua de cortar e polvilhar apenas o lado de cima com maisena ou fécula de batata.

7. Dispôr dois pedaços de cada legume e enrolar. Prender a emenda com um palito. Fazer vários rolos e polvilhar ligeiramente com maisena.

8. Aquecer o óleo numa frigideira, em lume forte. Fritar os enrolados levemente até que fiquem dourados por igual.

9. Juntar o caldo. Quando começar a ferver, reduzir o lume e deixar cozinhar por mais 5 minutos, virando os enrolados para que fiquem bem embebidos de molho.

10. Deixar os enrolados esfriarem um pouco e cortar em pedaços de 2 a 5 cm. Servir em pratos individuais, cobrindo com o molho e decorando com agrião.

Nota: Também gosto muito desta ...
In op.cit., pp.43-45.
Confidências e Desabafos de Savarin (106)- Em louvor do Japão (2)
Bolo de Carne de Frango
Matsukaze-yaki


Na imagem, um link para a receita, assim não preciso de a copiar do livro! E viva a Santa Preguiça!!!!



Nota: Gosto muito das três iguarias, as duas publicadas e a do link.
Problemas de Observação - negatividade dos pressupostos

The observation language used and the interest behind much PMS research are directed towards the description and depiction of negatively evalueted changes in women. Parlee(1974) has pointed out that the Moos Menstrual Distress, a common PMS research tool, is almost entirely focused on negative conditions. As might be expected, much less attention is given to the alleged midcycle pick in the female cycle (Altman 1941; Ivey 1968), wich is for many women a time of euphoria, creativity and heightened productivity. Positive aspects of the premenstrum are commonly ignored. Instead attention is almost completely riveted on "what goes wrong with women" once a month.

Jacquelyn N. Zita, "The Premenstrual Syndrome. 'Dis-easing'the Female Cycle." In: Nancy Tuana(ed), Feminism & Science, (Blooomington/Indianapolis, Indiana University Press, 1989), p.191.

8.8.05

Confidências e Desabafos de Savarin (105)- Em louvor do Japão

Tofu Fresco com Temperos
Hiyayakko




Ingredientes:

600 gr de tofu
gengibre fresco ralado
cebolinha verde ou cebolinho às rodelas finas
katsuobushi (flocos de bonito)
folhas picadas de shiso
1/2 colher de chá de shoyu por dose

Preparação:

Deixar o tofu no frigorífico ate ficar bem frio.
Pouco antes de servir, cortar o tofu em quatro ou seis doses e dispôr em tigelinhas individuais, previamente, geladas, Salpicar com os restantes ingredientes. Servir com o shoyu.




Nota:
Também se pode preparar este prato sem os flocos de bonito e adicionar sumo de limão ao molho de soja.

Peixe Assado com Legumes em Papel de Alumínio
Sakana no gingami-yaki





Ingredientes:


4 filetes de peixe de carne branca
1 colher de chá de sal
4 colheres de chá de saké
1 ou 2 cenouras cortadas às rodelas finas em flor
2 pimentões verdes cortados às rodelas finas
1 cebola cortada às rodelas finas
4 cogumelos secos com os cabos retirados
1 limão cortado às rodelas finas
4 folhas de folha de alumínio

Preparação:

Aquecer o forno a 160º
Salpicar cada filete com sal e saké e deixar descansar por 10 minutos.
Untar cada folha de alumínio com saké. Fazer um arranjo em cada folha, dispondo o filete e os vegetais. Salpicar com uma pitada de sal. Fechar bem os papelotes. Assar no forno durante 15 minutos.
Servir quente.

Bibliografia

Kiyoko Konishi, Cozinha Japonesa, São Paulo, Art Editora/Círculo do Livro/Kikkoman, 1983), pp.51-80.

7.8.05



Japão, Nara


To Nara's brook comes
Evening, and the rustling winds
Stir the oak-trees' leaves.
Not a sign of summer left
But the sacred bathing there.



Fujiwara no Ietaka

4.8.05

Crítica e Criação

Muito esclarecedor o texto de David Logde, a propósito das relações entre crítica e criação literárias: "Literary Criticism & Literary Creation", in: David Lodge, Consciousness and the Novel, (London, Penguin Books, 2002), pp. 92-103.
Contos de Sade


Um pequeno e menos conhecido texto do audacioso marquis: Augustine de Villeblanche.
António de Abreu
[Esquisso]

Na manhã de 7 de Julho de 1927, António deambulava por Paris arrastado pela ansiedade intrínseca aos momentos, sempre inquietantes, que antecipam as grandes revelações. Simultaneamente evocou, com desvanecimento, os animadores resultados das suas últimas investigações, apesar de desenvolvidas em condições de trabalho adversas e insuficientes. Considerara urgente publicitar as novas novas técnicas, a nível internacional, no intuito de marcar a prioridade da descoberta, prioridade, que em seu entender, não deveria ser menosprezada em assuntos daquela natureza. Pois, embora movido pela ânsia de saber, o desejo de renome era um estímulo crucial na génese do seu trabalho de pesquisa. Neste sentido, coligiu todos os elementos necessários e anunciou à Sociedade de Neurologia de Paris, uma comunicação a realizar na sessão do dia em que vagueia pelas ruas de Paris, intitulada: A Encefalografia Arterial sua importância na localização dos tumores cerebrais.

As imagens das cabeças decepadas - imprescindíveis para o estudo radiográfico da rede arterial cerebral - cedidas pelo Instituto de Anatomia, e transportadas num automóvel particular para o Serviço de Raio X do Hospital Escolar, perderam os contornos e a nitidez.

3.8.05

Obsessões

Este blog mais parece um formoso canteiro de digitalis purpurea, indício de que há obsessões, embora raras, que não me abandonam. Por isso, dentro de dias tenciono deambular pelas serras da Lousã, Açor, Malcata, para durante sinuosas caminhadas colher digitalis purpurea de caule e seiva.

Que S.Sebastião me acompanhe nesta digreessão pelas serras da Beira Litoral...
Das Ideias para os Corpos

Todos os dias, ao fim da tarde, XX e XY corriam da biblioteca para o estádio universitário. Sentados no anfiteatro, quase deserto, os seios de XX perfuravam a roupa, evocando aquela noite no Parque Eduardo VIII, quando os desvelara pela primeira vez. Os dedos de XY, com a sabedoria recolhida em exigentes clítoris suecos, percutidos com perícia nas praias de Agosto, cediam ao deslumbramento da maré alta.

2.8.05

Leituras ao Pequeno-Almoço

Postmailindo!
Onde o Platonismo desagua no Utilitarismo

O amor dos belos corpos pode ser um caminho para o conhecimento, já o dizia Platão,no Banquete, mas pensando bem um utilitarista poderia fazer uma afirmação semelhante à que se segue:

A paixão é uma distracção inevitável, por isso há que perder a cabeça por quem desencadeia novos modos de ser, desenha inusitados itinerários do saber.
Os Pássaros do Tempo

Mais um extracto da obra Os Sonhos de Einstein de Alan Lightman:

Na verdade, cada homem e cada mulher desejam apanhar um pássaro. É que este bando de rouxinóis é o tempo. O tempo que voa , que corre e salta com os pássaros. Aprisione-se um destes rouxinóis num frasco de vidro e o tempo deter-se-á. Esse momento ficará cristalizado para todas as pessoas, todas as árvores e todo o espaço nele contidos.
Acontece, porém, que estes pássaros raramente são apanhados. As crianças, as únicas que têm velocidade suficiente para os agarrarem, não têm vontade de fazer parar o tempo. Para as crianças, o tempo já anda demasiado devagar. Correm de um momento para outro, ansiosas pela chegada de cada aniversário, de cada Ano Novo, mal podendo esperar pelo resto das suas vidas. São os mais velhos que desesperadamente desejam fazer parar o tempo; mas esses são demasiado lentos, estão cansados de mais para apanharem qualquer pássaro. Para os mais velhos, o tempo escapa-lhes depressa de mais. Anseiam capturar um minuto que seja à mesa do pequeno almoço, enquanto bebem o seu chá, ou o momento em que uma das netas se vê atrapalhada para despir um fato de máscara, ou aquela tarde em que o sol de Inverno, reflectido na neve, inunda de luz a sala de música. Mas são lentos de mais. Sólhes resta ver o tempo saltar e voar para fora do seu alcance.
Naquelas ocasiões em que um rouxinol é capturado, os seus captores rejubilam com o momento assim eternizado. Saboreiam a disposição exacta da família e dos amigos, a expressão dos seus rostos, a felicidade aprisionada quando acontece um prémio, um nascimento ou uma história de amor, o perfume de canela ou de violetas brancas. Os captores rejubilam com cada momento assim cristalizado, mas em breve descobrem que o rouxinol expirou, que o seu canto cristalino de flauta se apagou, se fez silêncio, que o momento aprisionado murchou e definhou, privado de vida.


Lightman, "28 de Junho de 1905", in: op. cit. pp.104-106.

Do mesmo autor, editado em português, também pela Asa: Luz Antiga.Uma Introdução à Cosmologia, (Lisboa, Asa,1996.

1.8.05

Universos

É interessante pensar que consoante as capacidades perceptivas de cada animal, diferente será o seu mundo. Por exemplo, causa-me perplexidade imaginar o universo de uma carraça, pois consiste apenas num conjunto de variações térmicas, uma vez que a repelente criatura só tem sensações de mais ou menos calor.
Um Mundo em que as Pessoas não têm Memória

Ontem à noite, ao bisbilhotar nas estantes, reencontrei e folheei o livro Os Sonhos de Einstein de Alan Lightman e, casualmente, reli estas passagens:


Um mundo sem memória é um mundo do presente.O passado só existe nos livros, nos documentos. Para se conhecerem a si próprias trazem consigo o Livro da Vida, onde está anotada a história das suas vidas. (...) Sem o Livro da Vida, as pessoas não passam de fotografias instantâneas, imagens bidimensionais, fantasmas. (...)
À medida que o tempo passa, o Livro da Vida de cada pessoa vai-se tornando cada vez maior, até já não poder ser lido na totalidade. E então há que escolher. Os homens e as mulheres mais velhos são capazes de ler as primeiras páginas, para se conhecerem na juventude; ou então, lêem a parte final, para se conhecerem nos últimos anos.
Também há os que pura e simplesmente deixaram de ler. São os que abandonaram o passado, os que decidiram que pouco lhes importa se ontem eram ricos ou pobres, cultos ou ignorantes, orgulhosos ou humildes, apaixonados ou de corações vazios - tal como pouco lhes importa saber como é que a brisa sopra por entre os seus cabelos. São pessoas que nos olham directamente nos olhos e têm firme o aperto de mão. São pessoas que caminham com a agilidade da juventude. Que aprenderam a viver num mundo sem memória.


Alan Lightman, "20 de Maio de 1905", in Os Sonhos de Einstein, /Lisboa, Edições Asa, 2000), pp.52-54.
Bibliografia de O Mistério de Oberwald

Tassone, Aldo, I Film di Michelangelo Antonioni, (Roma, Gremese Editore, 1985).
Michelangelo Antonioni; Jean-Luc Godard; Guido Aristarco,; Renzo Renzi; Pierre Billard; Marcel,Martin, Cadernos de Cinema - Antonioni, (Lisboa, Publicações Dom Quixote).
Feaver, William, Van Gogh, (Lisboa, Estampa, 1992).
Van Gogh, Carta 520.