28.2.05

Milos/Mozart


Mozart menino magicava melopeias, maravilhando monarcas, marquesas, marqueses. Mozart maduro matava memórias malditas, musicando motivos matreiros. Mas muitos moralistas, malandros, manipulavam maldosamente maestro Mozart. Músicos maliciosos, maledicentes, manobravam maquiavélicos, marcando movimentos mozartianos. Manifestavam maldade, mantendo mesquinhas maquinações materialistas. Mozart macaqueava. Mozart mergulhava mais, mostrava mananciais múltiplos, moldava mínimas. Matutava mil melodias magnetizando multidões. Música mórbida matou Mozart.

24.2.05



Caravaggio, São Jerónimo (1607)
Óleo sobre tela 117 x 157 cm, St John Museum, La Valletta
Vermelhos

Carmim, escarlate, vermelho.

Vermelho de cádmio, vermelho de cinábrio, vermelho de crómio, vermelho laca... Vermelho óxido: vermelho inglês, vermelho indiano, vermelho de Marte, vermelho de Veneza... ocre vermelho/hematite, terra vermelha de Siena, Úmbria queimada

Os vermelhos de Caravaggio e de Rubens.

Vermelho, escarlate, carmim.
Assimetria Circular

Dois corpos: um corpo branco e pequeno, um corpo grande e moreno. Dois corpos magros. As longas pernas do corpo grande circundam, duplamente, o corpo pequeno.

23.2.05

Impressões

As flores da acácia reflectem-se numa das torres do castelo sob a luz difusa da manhã.
Aguardo o cinábrio e a lagoa mais recôndita das Sete Cidades, lagoa de escuras águas, por nela se reflectirem as sombras das muitas criptomérias, em redor. No fundo de um pequeno vale, esconde o seu segredo, inacessível ao turista de passagem.

No terraço,num vaso, dois jacintos seródios ,com os olhos cor de rosa, espreitam sob a erva de S.Roberto.

A beleza do mundo às vezes quase doi, assalta-nos. Razão teve Francis Bacon quando afirmou que uma ferida, em si mesma, pode ser bela.

Vivo disto e por isto, a maior parte do tempo, o resto, exceptuando a amizade, são brincadeiras de criança.

E viva música hipnotizante de Tim Burton, nesta manhã de um cinzento feito esperança!!!

20.2.05

Do Tempo

Por recomendação do Luís Duarte, de deliciosa memória - se leres isto, diz qualquer coisa - li empolgada, há 26 anos o Solitário de Ionesco, e ainda hoje lhe agradeço a sugestão.

Sábado - um dia longo, porque recheado de actividades, acontecimentos e vivências interessantes- ao deambular pelo Continente do Vasco da Gama, que raramente frequento,descubro pela módica quantia de um euro, A Busca Intermitente, do criador da Cantora Careca, uma espécie de diário fragmentado da velhice, iniciado aquando das bodas de ouro do escritor. Entre a experiência da angústia, da desagregação da memória, as reflexões mais amargas sobre sua vida em particular, e a condição humana, também se encontram momentos de pura contemplação da beleza do mundo.Contudo, vou transcrever uma passagem em que Ionesco medita sobre o tempo,tema que é várias vezes abordado, e me interessa especialmente.

Muitas vezes a mim mesmo perguntei e muitas vezes escrevi: "Onde é que está o que se passou, onde é que está o que se passou, em que cave, em que arrecadação extravagante, ultramundana, em que arrecadação do nada ou do tudo se encontra o passado?" Será que o passado passa, Deus-sabe-de-que-maneira, para o presente? O presente será sempre, será esse futuro sempre no presente? De certa maneira: oh incerta e paradoxal forma."
O que foi... o que foi... o que foi... Desesperadamente, corro atrás do que foi, atrás do que foi. Será o que já foi "nunca mais"? Talvez, no presente, o passado active este presente, se transforme em presente. Ele existiria da mesma forma que existem aqueles livros enormes nas bibliotecas. Como as páginas que lá estão, fotografadas em clichés minúsculos, para não ocuparem tanto espaço e para poderem ser lidos nos aparelhos, nas lupas, nos microscópios que aumentam, aumentam muito.




Eugène Ionesco, A Busca Intermitente, (Lisboa, Difel, 1990), p. 16
Pensamento de XX

XX: - Gostar não deveria ser uma forma de escravatura, mas um exercício de liberdade.
Impressões

O crepúsculo vermelho/arco-íris durante a viagem de Montemor-o-Novo para Lisboa.
A Busca Intermitente de Ionesco
O azul do Tejo entre os pinheiros mansos.
As gaivotas em luta por comida.
As flores carmim nos galhos ocres de uma árvore desenhadas no azul da tarde.
Um filme infantil.
Risos.
Confidências e Desabafos de Savarin (71)


Salvador Dali, Litografia da série Les Dîners de Gala.

Salvador Domenech Phillipe Hyacinthe Dali, Les Dîners de Gala, (New York, Felicie Inc. Publishers, 1973).

Hoje, ganhei o dia, ao encontrar uma edição portuguesa, da obra original de Dali dedicada a Gala. Livro impresso em França e publicado em Nova Iorque . A propósito da versão portuguesa - Salvador Dali, Receitas de Gala, (Lisboa, Vega, 1997) - afirma, em nota, o editor:

"A edição deste livro foi baseada numa edição especial americana (...), que teve uma tiragem muito reduzida, apenas 100 exemplares, e foi concebida de uma forma luxuosa, que, a ser reproduzida integralmente, comportaria custos elevadíssimos e, consequentemente, um preço proibitivo para o grande público leitor.
Por essa razão, e também porque, como assinala a tradutora (...) algumas das suas receitas, por dificuldade de obtenção de matérias-primas, não seriam praticáveis entre nós, optou-se por fazer um livro de menor volume e aparato gráfico, que preservasse o essencial desse álbum, tanto a nível do texto e das receitas, como a nível dos desenhos e fotografias que o ilustram."

Assírio Bacelar, op.cit. p.6.

Nota: Embora, não concorde com a decisão do editor e da tradutora de não publicar receitas, cujos ingredientes fossem de difícil aquisição em Portugal, sei, por experiência própria quão complicado se torna conseguir encontrar todos os componemntes de uma receita inusitada.
Nunca me hei-de esquecer, que mesmo correndo todos as merceeirias, todos os mini-mercados, todos os supermercados, o único hipermercado de Montemor-o-Novo, e até, grande parte das tascas, não foi possível adquirir umas singelas e corriqueiras anchovas de conserva.
Mais Alberto de Serpa

Consolo

Se a vida não sorri,
mando as mágoas embora.
É só pensar em ti,
e que sorriso aflora.

A calma recomeça
a vir, em breve passo.
E cai minha cabeça
num propício regaço.

Tua imagem chamando,
pesar, passo a não tê-lo.
Há logo o jeito brando
de mãos no meu cabelo.


Alberto de Serpa, "Fonte," in A Poesia de Alberto de Serpa, (Edições Nova Renascença, 1981), p. 185

19.2.05


Digitalis purpurea do Herbário de Lineu.
Para a Soledade.

17.2.05

A Natureza do Conhecimento

O filme Uma Mente Brilhante constitui uma boa introdução ao problema filosófico da natureza do conhecimento,na medida em que nem tudo o que John Nash conhece e acredita que faz é real. Muitos acontecimentos e pessoas são criações da sua mente, não saber o que é real ou fantasia provoca estranheza e dor. O conflito com a sua própria mente leva-o a descobrir e a aceitar que algumas das pessoas queridas que o acompanhavam há longo tempo eram apenas produto das suas alucinações.
Ao abandonar a medicação, pois os neurolépticos reduziam, consideralvelmente, as suas capacidades intelectuais e físicas, John Nash recorreu à terapia cognitiva. Inicia, então, um processo de confrontação com as suas próprias fantasias para conseguir distinguir o delírio da realidade.
Exemplo disso é a cena em que percebe, que se a sobrinha de Charles nunca cresce, logo não poderá ser real.
O realizador faz com que o espectador, durante grande parte do filme, também não saiba, exactamente, o que é real e o que é fantasia do protagonista.

A partir do que foi referido podem surgir questões do tipo:

- No acto de conhecer o que é que é conhecido pelo sujeito?
- O sujeito cognoscente conhece uma realidade objectiva, distinta e separada dele?
- Ou conhecerá apenas representações por ele construídas do real, representações, necessariamente, subjectivas porque elaboradas pelo sujeito?

Nota: Mas, também é paradoxal constatar o facto das suas descobertas matemáticas terem uma tão ampla aplicação aos fenómenos económicos.

Também as questões gnosiológicas quanto à origem e à validade do conhecimento poderão ser abordadas a partir deste filme.

(Continua)
As coisas que ouço no momento por acaso e curiosidade súbita

A ouvir Bone de Tim Booth. Um misto de Don Cherry (1936 - 1995) com U2, parece-me.
E aqui estou - escrevendo e ouvindo um CD que não é meu - porque a minha sobrinha não o levou para Lisboa, não resisti à tentação de remover a película de plástico e de o colocar na aparelhagem. Espero vir a ser perdoada pela sua legítima proprietária.
Tarde com Poesia - Mais um poema de Alberto de Serpa

Encontro

O amor vem assim, como a água do rio, lá em baixo,
serena...

As duas bocas emudecem e é a noite quem fala.
Todos os passos difíceis e ocultos do amor
estão agora na noite parada à volta dos amorosos.
Há carícias nas folhas dos arbustos mais altos verga-
dos pela brisa,
segredos inquietos no rastejar dos vermes inofensivos,
avisos numa estrela que mal se vê no céu claro...

O luar faz abrir, nos jardins mais próximos, as rosas,
e o perfume chega como um convite ao sonho.

No meio desta noite pode um amor ser eterno...

Alberto de Serpa,"Lisboa é Longe," in A Poesia de Alberto de Serpa, (Editora Nova Renascença), p.160

16.2.05

Confidências e Desabafos de Savarin (70)

Duas novas receitas de frutos embriegados: uma associação clássica, ameixas com Armagnac, e uma versão mais sofisticada das peras bêbedas.

Ameixas em Armagnac

Ingredientes:


500 gr de ameixas
250 gr de açúcar
pau de canela
1 garrafa de Armagnac

Preparação:

Cozer as ameixas inteiras em água durante 3 minutos. Deixar escorrer. Colocar os frutos às camadas, com o açúcar e o pau de canela, dentro de um frasco de boca larga. Deitar o Armagnac de forma a que as ameixas fiquem bem cobertas. Fechar o frasco, com papel celofane, e guardar em local fresco, pelo menos durante 4 semanas.

Peras Tontas

Ingredientes:


250 gr de groselhas ou framboesas
375 gr de açúcar
1/8 l de vinho tinto
1kg de peras
1/2 l de brandy
1 estrela de aniz

Preparação:

Preparar os frutos vermelhos e cozê-los em vinho tinto. Passá-los por um passador de rede, levar novamente ao lume, acrescentar o açúcar e deixar levantar fervura. Descascar as peras, cortar aos quartos, retirar as pevides, levar ao lume no xarope de frutos vermelhos, até começar a fervilhar.Deixar ficar durante cinco minutos.Depois de arrefer colocar num frasco, juntamente com a estrela de aniz e adicionar o brandy. Fechar com papel celofane. Consumir ao fim de um mês.

Frank Dockhorn, Ticino Setembro 2003 ."Moonlight shines on Lago Maggiore, Locarno."
Lago de Luar

Ontem à noite lia ora Rilke , ora Alberto de Serpa. Embora, não me sinta triste - substituiria o advérdio tristemente e o adjectivo dorida, por outros signos com um significado mais positivo - gostei deste poema de saudade com um lago e luar:

Reflexo

Como barco num lago
em noite de luar,
saudoso, eu divago
por ser longe e amar.

Tão tristemente faço
a tua evocação,
que tu vens pelo espaço
em dorida canção.

E vem o teu amor
que sobre mim flutua
como luar a pôr
as saudades da lua.



Alberto de Serpa,"Fonte,"in A Poesia de Alberto de Serpa, (Edições Nova Renascença, 1981), pp.184-185

14.2.05

Da Morte (23)

O texto abaixo citado é uma passagem da obra Infância de Liev Nikoláievich Tolstói (1828-1910). Publicado em 1852,faz parte de uma triologia autobiográfica. O episódio narrado ocorreu quando o seu autor tinha nove anos de idade.
Lê-lo faz-me evocar o falecimento da minha mãe. Ao contrário de León Tolstoi,já não era uma criança, e não a vi morta. Quando cheguei a Ponta Delgada, a urna tinha sido selada. Tal facto despertou uma série de sentimentos contraditórios, tristeza, alívio e angústia. Tristeza porque perdera a última oportunidade de a ver. Alívio, pois iria encontrá-la desfigurada, não a veria como era. Angústia face a tamanha dor, ao facto de ela ter morrido longe, inesperadamente, na madrugada a seguir ao seu aniversário. Falara com ela ao telefone a dar-lhe os parabéns. No dia seguinte senti-me muito indisposta,sem perceber porquê. À tarde, estava a leccionar,quando uma funcionária interrompeu a aula pois recebera um telefonema urgente que me era destinado. Era uma amiga, disse - Vou dar-te uma notícia muito triste... A tua mãe morreu durante a noite.
Só consegui bilhete para Ponta Delgada dois dias depois.



Desgosto

No dia seguinte, à noite, já muito tarde, quis vê-la mais uma vez, e, dominando um involutário sentimento de receio, abri lentamente a porta e, na ponta dos pés, entrei na câmara fúnebre.
No meio da sala, em cima de uma mesa, estava o caixão, rodeado pelas velas meio ardidadas dos altos tocheiros de prata; nuum canto afastado, o diácono rezava os salmos, em tom tranquilo e monótono.
Detive-me no limiar da porta e olhei à minha volta, mas os olhos marejados de lágrimas e os nervos excitados nada me permitiam distinguir; tudo se confundia na minha frente: as luzes, os brocados, os veludos, os enormes tocheiros, a almofada cor-de-rosa cercada de rendas, a coroa de flores, a touca guarnecida de fitas e, depois, qualquer coisa transparente, cor de cera...
Senti-me numa cadeira e comtemplei a sua face; mas no kugar onde a deveria encontrar voltei a ver qualquer coisa pálida, transparente, amarelada...
Não acreditando que era a face da mamã, fixei o olhar mais atentamente nessa direcção, e a pouco e pouco comecei a distinguir-lhe os tralos conhecidos e delicados.
Tremi de horror qunado me convenci de que era ela; mas, por que motivo os seus olhos, fechados, se mostravam tão encovados? E a horrivel palidez? E na face, essa mancha negra sob a pela transparente? Por que motivoa expressão fria e sevea? Porque estavam os seus lábios, de delicado desenho, tão perfeitamente cerrados? Por que motivo as linhas da sua face em repouso exprimiam uma paz tão extra-terrena, que senti um arrepio percorrer-me todo o corpo quando o meu olhar se deteve a comtemplar a sua face sem vida?
Parecia que uma força oculta e invencível me atraía o olhar para essa figura inerte. Não podia afastar os olhos dos dela e a minha imaginação mostrava-me uma série de quadros cheios de vida e de felicidade. Esquecia que era Ela o corpo inerte que jazia junto de mim e para que eu olhava estupidamente, como um objecto que não tivesse qualquer relação com as minhas recordações. Imaginava-a em diferentes atitudes: viva, sorridente; depois impressionado


León Tolstoi, Infância, (Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1973), pp.170-172.
As coisas que eu ouvia quando era teenager ...

Quem se recorda? Ontem, de súbito, como quase tudo o que se passa na minha vida, lembrei-me do pequeno Ian Dury a cantar ou melhor a soletrar:

Sex And Drugs And Rock 'N' Roll



Sex and drugs and rock and roll
Is all my brain and body need
Sex and drugs and rock and roll
Are very good indeed

Keep your silly ways or throw them out the window
The wisdom of your ways, I've been there and I know
Lots of other ways, what a jolly bad show
If all you ever do is business you don't like

Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Is very good indeed

Every bit of clothing ought to make you pretty
You can cut the clothing, grey is such a pity
I should wear the clothing of Mr. Walter Mitty
See my tailor, he's called Simon, I know it's going to fit

Here's a little piece of advice
You're quite welcome it is free
Don't do nothing that is cut price
You know what that'll make you be
They will try their tricky device
Trap you with the ordinary
Get your teeth into a small slice
The cake of liberty

Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Sex and drugs and rock and roll
Sex, drugs, rock, roll
Sex, drugs, rock, roll


Ian Dury And The Blockheads

Verdade seja dita, que esta remota reminiscência ocorreu durante a viagem de regresso a Montemor depois de largar uma pipa de massa na tesouraria de uma conhecida instituição académica para fazer investigação... É o que se chama pagar para trabalhar. Paradoxos da sociedade de consumo. Por isso está tudo explicado!!!

Pierrot (13)

Como o segundo link do post Pierrot (12) não funciona e não estou, neste momento com vontade de saber porquê e corrigi-lo, fiz este post, uma vez que o link era para uma página sobre Alexander Archipenko e o seu Carrocel Pierrot.


Alexander Archipenko (1887-1964), Carrocel Pierrot.

O artista russo Alexander Archipenko foi o criador do que ele mesmo designou por “escultopintura”, introduziu o vazio na massa, bem assim como a concepção da escultura como colagem. Terá sido um dos primeiros impulsionadores da escultura abstracta.
Manhã com Poesia

Awake tonight
with lonliness,
I cannot keep myself
from longing
for the handsome moon.


Is this love reality
or a dream?
I cannot know,
when both reality and dreams
exist without truly existing.


Ono no Komachi

Ono no Komachi; Izumi Shikibu, The Dark Ink Moon, (New York, Vintage Books, 1999), pp.13-14
Confidências e Desabafos de Savarin (69)

Mais uma receita com fortes vapores etílicos

Cerejas em Vodka -


Ingredientes:


500gr de cerejas maduras,, 250 gr de açúcar, 4 cravinhos, um ouco de pau de canela, 1 garrafa de vodka.

Preparação:
Lavar bem as cerejas, deitá-las com o açúcar num frasco, juntamente com o pau de canela e os cravinhos. Adicionar a vodka, de forma a que os frutos fiquem bem cobertos. Vedar bem o frasco. Deixar repousar durante 6-8 semanas antes de consumir.
Pierrot (12)

Aqui ficam
duas ligações,cheias de interesse, alusivas à figura de Pierrot.

13.2.05

O Regresso de Lúcio de Lacerda

Mais uma vez, e a pedido de muitos leitores, completamente esquecidos da personagem, se relata o último desgosto sofrido pelo gentil Lacerda por culpa da venenosa Lavínia.
Ao convidá-la para uma noite romântica,numa pousada de Portugal à escolha da criadora da simbiose entre a teoria neo-clássica da administração e a actividade sexual, a dita cuja respondeu, com a boçalidade própria de um taberneiro:
- Já fizeste a operação?
- Não?!!! Ora, deixa-me fazer o balanço.... sete horas de insónias sob o estrépido do teu ressonar, em troca de dez minutos de sexo, não me parece uma transacção inteligente. Os custos estão em desvantagem em relação aos lucros. O jantar, por muito bom que fosse, não evitaria as olheiras no dia seguinte, nem os efémeros espasmos de prazer compensariam o mau humor provocado por uma noite mal dormida.
Impressões

1. O vento nos meus ombros, um quente sopro. Um vinho rutilante percorre o corpo - ilumina a alma.

2. Procuro:

o movimento do vento,
a flexibilidade do canavial,
o ritmo das marés,
a perfeição do fogo.

3. Ficção

Na enseada,
o estio elevado
ao rubro.

O clarão das águas.
No absoluto dos azuis
do turqueza ao cobalto
matizados de anil e branco.

O deleite,
imerso nas águas vivas
é o abismo impassível
do azul e do ouro.

Na areia em chama
a vertigem de um corpo
derramado chamando

12.2.05

Confidências e Desabafos de Savarin (68)

Olá, cá estou eu, de volta à cozinha, para salvar a honra deste convento!

Rüdesheimer Früchtetopf
- Uma etílica sugestão alemã -


Quem alinha no pote de rum com frutos?

Frutos em álcool que deixam todos alegres. A conservação dos frutos não é problemática. E o consumo também não, alvitra-se...
A partir de Maio até Setembro vá recheando o seu pote com camadas alternadas dos frutos da estação, açúcar e rum. Depois,resista à tentação e deixe repousar durante dois meses.

Escolher o Pote:


Antes de tudo é necessário um belo pote de porcelana ou faiança, que seja o mais alto e direito possível e cuja tampa não vede hermeticamente. O tamanho do pote dependerá do apetite dos gulosos.


O Rum é indispensável
:

O ideal é utilizar um rum com 54% de graduação alcoólica. Nada de ir de férias à Áustria, como fazem os alemães e adquirir rum palha, com 70%, cujo sabor intenso aniquilaria o aroma dos frutos, para não falar nos efeitos que provocaria nos consumidores.

O Açúcar é imprescindível:

Para cada quilo de fruta será necessário meio quilo de açúcar.Usar de preferência um açúcar que se dissolva bem.

A Fruta - o ingrediente fundamental:

O pote de rum vai-se enchendo com os frutos, à medida que vão amadurecendo ao sabor das estações. A fruta deve ser de primeira qualidade, bem madura, completamente sâ, sem partes estragadas ou moles, para não fermentar nem estragar o resultado final.

Preparação da fruta:

As regras são sempre as mesmas,: escolher bem os frutos, lavar com água morna, deixar escorrer e secar ao de leve com papel de cozinha.Como preparar os diferentes géneros de fruta:

Morangos, groselhas vermelhas e framboesas, tirar os pézinhos; (não abusar das groselhas, pois são muito azedas);
ginjas e cerejas tirar pés e caroços;
alperces e pêssegos escaldar, pelar, descaroçar, cortar em pedaços;
melões descascar, limpar das pevides, cortar em triângulos;
ameixas, abrunhos e nêsperas, cortar ao meio e descaroçar;
peras, maçãs, descascar, tirar pevides e cortar em pedaços, ferver pouco tempo em calda de açúcar concentrada;
ananás, descascar, tirar talo, cortar em pedaços:;
gomos de tangerina, gengibre ou passas de uva cortadas finamente apuram o sabor. Bem assim como addicionar umas nozes ainda verdes, em Junho.

Nota: não são indicados para esta preparação uvas-espim; amoras, porque endurem, arandos, ou murtinhos.

Recheando o pote:

1. Começar com os primeiros frutos da época.
2. Lavar bem o pote com água a ferver.
3. Misturar os frutos cuidadosamente escolhidos e arranjados, com o açúcar. Deixar marinar no frigorífico. Colocar no pote.
4. Acrescentar o rum até os frutos ficarem cobertos com a altura de 1 -2 dedos de rum.
5. Fechar o pote com a tampa.
Guardar o pote em local fresco e seco, numa temperatura não superior a 20% C.
6. Para as camadas seguintes utilizar sempre a fórmula para 1kg de fruta, 500 gr de açúcar e a quantidade suficiente de rum.
7. Deixar em repouso, mas no final de Novembro juntar meia garrafa de rum, mexendo tudo delicadamente.
Apontamentos de uma doente no limiar de uma cura milagrosa - II

Como não há ninguém por perto, vou prosseguir com o doloroso empreendimento de anotar as minhas concepções de vida. Bem assim como, os meus pensamentos e sentimentos
Adoro fazer declarações de amor sem consequências. Quando tenha a certeza que as minhas palavras não implicam qualquer responsabilidade,escrevo textos patéticos, a transbordar de afecto, dilacerados por uma dor profunda, capazes de fazer chorar qualquer um, sobretudo a mim própria própria. Só declaro amo-te, se a resposta prevista for a indiferença. Por isso só as faço no fim de cada relação. A bem dizer parace-me uma maneira como outra qualquer de dar corda ao coração.
E assim se passou mais um dia


Corrigindo testes, trabalhos, e mais testes, ao sol, no terraço. Nos intervalos, escrevi uns quantos disparates. Alguns foram publicados, outros estão, felizmente, guardados em draft.

Apontamentos de uma doente no limiar de uma cura milagrosa - I


Enquanto aguardo, na longa lista de espera, pela consulta e concomitantes terapias de Mestre Bomba, vejo-me forçada a registar, com minúcia, os meus pensamentos e acções, pois cada vez mais, as pessoas estão empenhadas em contrariar-me. Neste preciso momento, estou a ser vigiada. Por isso só continuarei a escrever, amanhã.

11.2.05

Momentos de Paixão

Também ontem, também ao crepúsculo, no local mais ultra romântico de Montemor-o-Novo, na outrora loja dos trezentos, ouvia-se "Paixão" dos Heróis do Mar. Foi um momento único, apreciar os mimosos artigos em exposição ao som de: "Paixão, paixão não vais fugir de mim ... Paixão, paixão ... até ao fim ..." Assaltada pela intensidade da emoção, arrebatada por uma poderosa vaga de reminiscências, saí sem comprar nada.

10.2.05

Ficção

imagino

os teus lábios de cinábrio
os teus olhos lagos de noite
Jardim das Hespérides





Frederic Leighton (1830-1896), As guardiãs do Jardim das Hespérides Óleo sobre tela,(1892).Londres, Leighton House Art Gallery Museum.

Ontem, no jardim do mercado, sob um crepúsculo dos deuses, as laranjeiras ofereciam pomos de ouro para deslumbramento do olhar. E, nem havia monstros com quem combater.

Nota: Tomei a liberdade de transformar as maçãs de ouro em laranjas. No entanto, devo dizer, que um dos meus Professores de História da Filosofia Antiga colocou a hipótese de os pomos de ouro serem, afinal, laranjas.

9.2.05

Pedido de Ajuda Médica Especializada

Caro Professor Doutor Kude Bomba

Dirijo-me a si, em desespero de causa, sinto que o chão está a fugir dos meus pés e o céu me vai cair em cima! Como as mulheres de Almodóvar encontro-me à beira de um ataque de nervos. Qual Hamlet interrogo-me: "ser ou não ser, querer ou não querer, ir ou não ir", entre outros dilemas com o mesmo grau de profundidade. Já li a obra Platão versus Prozac, mas de nada serviu para me purificar dos males que afligem a minha mente. Os leitores são testemunhas das disfunções e distúrbios que me atormentam a alma e perturbam o comportamento.
A saber, 22 posts acerca da morte, 20 sobre a voluptuosidade,11 em torno do lunático Pierrot, diálogos cínicos entre XX e XY, são indicadores de bipolaridade, inclinações mórbidas e obsessivas. Tudo temas impróprios de uma senhora. O Savarin bem tenta conduzir o blogue ao bom caminho com as suas dissertações gastronómicas, mas até ele já se afundou numa depressão tão abissal, que nem consegue comer uma simples ova de esturjão com um fiapo de blini, quanto mais escrever sobre o assunto.
Como o idolatrado Carl Gustav Jung (1875-1961) partiu, no ano do meu nascimento - sublinhe-se - para os espaços siderais, só me resta recorrer aos seus preciosos serviços. Se ele ainda fosse vivo voaria, imediatamente, para Zurich, pois o alquimista da psicanálise logo me consolaria, como o fez a todas as valquírias neurasténicas que entraram no seu consultório.
Em Perfeita Sintonia

2.

XX: - Vê lá, dado te sentires tão mal, creio que o mais sensato será cancelar o nosso jantar, nestas ocasiões apetece ficar só, a carpir as mágoas, na mais completa auto-piedade!
[Oxalá opte por ficar em casa ou vá para os copos sem mim. Já me basta ter que solucionar os meus próprios dilemas existenciais - do tipo comer ou não comer aquele pitéu - quanto mais aturar as depressões alheias.]

XY: - Faz como quiseres. Não desejo impôr, a ninguém, a minha presença neste estado lastimável. Mas, gostaria mesmo muito de te ver, estou a falar a sério.Todavia, repito, não venhas sair comigo por obrigação.Decide tu.
[Espero que se decida a não ir. Quero, realmente, libertar-me das frustrações,esquecê-las,reduzi-las a nada, a pesadelos desfeitos pela manhã, mesmo se for só por instantes. No entanto,para isso preciso da ajuda de inusitadas fontes de prazer... (como eu penso bem!) Cogitava eu, vou procurar novos e diversificados meios de gratificação tais como regar as plantas do escritório ou saltar sobre a escrivaninha!

XX e XY : (em simultâneo): - Fica para outra ocasião, mais propícia.Até à próxima. Porta-te bem ou mal... Beijinho, Beijinho!
[Ufa, do que me livrei!]
O Castelo - Sempre

É manhã, menos fria do que tem sido habitual. - Eis o castelo!

O castelo e o arvoredo envolvente - porque sem ele o castelo não seria, para mim, aquele castelo - é o meu horizonte diário sob todos os cambiantes de luz. Nunca me canso de acompanhar as suas variações ao correr das estações, percepcioná-las desperta-me para o lado mais gratificante da vida,alegra os meus dias.
Em Perfeita Sintonia

Ao telefone:

1.

XX: - Doce, compreendo, como te sentes! Bem sei, que não resolve os teus problemas dizer-te isto ... mas gosto muito de ti!
[Meus botões vos confesso, já sinto náuseas perante tamanha e tão recorrente colecção de problemas!]

XY: - Jóia! Acredita, gostares de mim é um bálsamo que suaviza os meus dissabores!
[Vem mesmo a despropósito, "WHAT'S LOVE GOT TO DO WITH IT?"*,se as minhas necessidades,de momento, são, e de acordo com um tal de Maslow, as do topo da hierarquia, como as de estima** - o prestígio,o reconhecimento,o sucesso, a autonomia - e a de auto-realização***? ...
... Bolas, na verdade, a minha necessidade de auto-estima intensificou-se de tal modo, que me surpreendo a auto-exibir os meus conhecimentos de psicologia social e a proferir longos monólogos com direito a notas de rodapé ...
]


*Expressão plagiada a Tina Turner.
** Abraham Maslow, Motivation and Personality, (New York, Harper Row & Row, 1954).
*** Abraham Maslow, op.cit.

8.2.05

Momentos de Felicidade

Um momento da mais intensa felicidade ... foi ter encontrado a fotografia de uma tão bela digitalis purpurea, que afixei à esquerda. Sorte, a imagem não estar protegida. E, assim, poder colorir este blogue em perfeita sintonia com a barra onde se encontra a designação do mesmo - mais conhecida por Blogger NavBar ou simplesmente bar;)

7.2.05

Ano Novo Chinês - Lista de Galardoados e Respectivos Ex libris

A todos atribuimos graciosos galos e oferecemos deliciosos bolinhos, como meio de premiar os vossos dons originais e diversificados. Bem hajam, pela argúcia, pelo humor, pela sabedoria, pelas informações, pela alegria, pela escrita, pela criatividade, todas estas qualidades e, muitas outras, repartidas em proporções diferentes pelos blogues abaixo agraciados com os seguintes títulos honoríficos:

Nota: A presente lista deveria sair, somente por volta da meia noite, mas como ao publicar o post "Entrudo", o embrião da mesma, que se encontrava em gestação sob a forma de draft acabou por aparecer, misteriosa e insidiosamente, durante longos minutos. Digitalis e Savarin decidiram publicá-la desde já, até porque vão passear, com entusiasmo, durante o pseudo-feriado. Verdade seja dita, é este o real motivo que nos leva a publicitá-la a tão matutina hora.


África Minha


Almocreve do Saber


Alter Egos


Antero no Século XXI


Belo Adormecido



Chopin


Com a Verdade me Enganas


Cozinheiro Ideal


David Lodge na Irlanda


Densidade Perfeita


Distinto Colega


Dos azuis, o mais Azul



Escriba mor - de Todos o Melhor



Espalha Brasas


Hannah Arendt na Blogosfera


Horta mui Viçosa



Melanie Klein Aprovaria


O Blogue dos meus Sonhos


O Eleito de Calíope



Pássaro Verde, "O Amor é um..."


Peregrinações Culturais


Pitonisa


Poeira 4702


45% à Sombra ou o Calor é nosso Amigo



Trifene 200



Voyage dans le Monde Flottant



6.2.05

Entrudo


Uma descrição poética do Carnaval de Veneza, da autoria de Théophile Gautier onde não falta um Pierrot...

Carnaval


Venise pour le bal s'habille,
De paillettes tout étoilé,
Scintille, fourmille et babille
Le carnaval bariolé.

Arlequin, nègre par son masque,
Serpent par ses mille couleurs,
Rosse d'une note fantasque
Cassandre, son souffre-douleurs.

Battant de l'aile avec sa manche
Comme un pingouin sur un écueil,
Le blanc Pierrot, par une blanche,
Passe la tête et cligne l'úil.

Le Docteur Bolonais rabâche
Avec la basse aux sons traînés
Polichinelle, qui se fâche,
Se trouve une croche pour nez.

Heurtant Trivelin qui se mouche
Avec trille extravagant,
A Colombine Scaramouche
Rend son éventail ou son gant.

Sur une cadence se glisse
Un domino ne laissant voir
Qu'un malin regard en coulisse
Aux paupières de satin noir.

Ah ! fine barbe de dentelle,
Que fait voler un souffle pur,
Cet arpège m'a dit : C'est elle !
Malgré tes réseaux, j'en suis sûr,

Et j'ai reconnu, rose et fraîche,
Sous l'affreux profil de carton,
Sa lèvre au fin duvet de pêche,
Et la mouche de son menton.


Théophile Gautier
in Émaux et Camées



# afixado por maria : 18:29

5.2.05

Aproxima-se o Ano Novo Chinês



No dia 9 do corrente mês começará o Novo Ano Chinês, sob a égide do Galo, e como tal Digitalis e Savarin, aluados como são, decidiram proceder à atribuição de galos de Barcelos made in China e à distribuição de bolinhos da sorte a alguns dos blogues de leitura corrente. Será uma forma de celebrar, simultaneamente, o novo ano lunar, a figura de Pierrot, e os talentos dos autores dos blogues agraciados. A lista dos galardoados irá ser editada na noite de 8 para 9.


Pierrot (11)

Jean Gaspard Deburau

Com Jean Gaspard Deburau (1796-1846) célebre mimo checo-francês, Pierrot perdeu o seu carácter de moço torpe e tonto convertendo-se na comovedora personagem que representa o amante iludido e sempre decepcionado. Vestido com traje muito amplo com grandes botões negros, um palhaço com a cara enfarinhada, maltratado no amor, apaixonado pela lua.

"Immortalisé au théâtre par Sacha Guitry dans sa pièce Deburau puis par Jean-Louis Barrault dans les Enfants du paradis, film de Marcel Carné, le mime Deburau, héritier de Pierrot et du Gilles des comédies, est un personnage rêveur, un peu triste, tout en subtilité. Il est à l’opposé, selon Baudelaire dans De l’essence du rire, du clown anglais dont " le signe distinctif de ce genre de comique [est] la violence ". Jean-Gaspard Deburau (1796-1846) fut le mime le plus célèbre du début du XIXe siècle."
Pierrot (10)

Representações de Pierrot na Arte do fim do século XIX e primeiras décadas do século XX, a propósito dos poemas de Jules Laforgue transcritos no post anterior.

O Pierrot do final do século XIX deve a sua origem a uma personagem italiana. Todavia, o seu perfil foi completamente modificado pela cultura francesa . Entre 1890 e 1930, tornou-se uma figura muito trabalhada por diversos artistas europeus e latino-americanos; compositores, pintores, novelistas, poetas procuraram criar as suas interpretações originais de Pierrot.

Esta personagem da Comedia dell' Arte, nem sempre, teve uma personalidade ou caracterização definidas, pois as características de Pierrot e Arlequim modificaram-se ao longo do tempo, podendo, mesmo, encontrar-se a figura de cada um representando-se a si mesmo, ou à personalidade (oposta) do outro. Sem mencionar as mudanças de nome, o que significa que aquele a quem chamamos Pierrot é por vezes referido por Pedrolino, outras por Gilles, ou Pagliacci, ou Petruska, entre outras designações. (1)

Na Comedia dell' Arte já figuravam Pierrot, Arlequim e Colombina, porém o desenvolvimento e fixação da suas características foram traçadas pelos artistas franceses. Nesse sentido, Pierrot é uma personagem francesa, as suas características e as de Colombina e Arlequim reflectem as preocupações temáticas da literatura decadentista, evidenciam o desprezo do artista pelo burguês e domina-as o spleen. Colombina apresenta alguns atributos da femme fatale, e o conjunto representa um triângulo mais ou menos estereotipado, facto que permitiria projectar neles a neurose que cada artista pretendesse expressar.

Devemos referir, ainda, as diferentes figuras de Pierrot , o simplório desafortunado no amor, vítima da vida. Colombina, o objeto sexual de poucas luzes, e Arlequim, o mentiroso, brutal e cínico. Aspectos que se desenvolveram, posteriormente, bem assim como a dependência mútua revelada pelos conflitos entre os três. (2)

Pierrot também encarnou os valores do herói decadente e do artista. Segundo Martin Green e John Swan, Pierrot teria simbolizado, o artista, todos os artistas, de toda a humanidade; converter-se-ia no herói emblemático da sensibilidade. Teria uma dimensão altamente estética, nostálgica, elegante e graciosa. (3)

Até ao final do século XIX, Jules Laforgue era o principal escritor francês a escrever acerca de Pierrot. A personalidade de Laforgue seria evasiva e identificar-se-ia com personagens literárias como Hamlet, mas sobretudo com Pierrot como um alter ego. (4)

Entre as inovações literárias de Laforgue, contam-se o verso livre, que se associa à sensibilidade pierrotiana. Em 1885, durante seis semanas, escreveu a obra L’imitation de Nôtre-Dame la Lune, onde múltiplos Pierrots aparecem, descritos com o seu modo de agir característico, e evidenciam uma sensibilidade genuinamente lunar/lunática. Muitos dos seus poemas estão escritos na voz e sob a perspectiva de Pierrot.

(1) Martin Green; John Swan, “Pierrot and Arlequín, Picasso and Stravinsky” in The triumph of Pierrot, The Commedia dell’arte and the modern imagination, (University Park, Pennsylvania State University, 1993), p.1.
(2) op.cit., p. 3.
(3) op.cit., p. 18.
(4) op.cit. , p. 27.

4.2.05

Pierrot (9)

Pierrot na poesia de Jules Laforgue (1860-1887)



Pierrots
I

C'est, sur un cou qui, raide, émerge
D'une fraise empesée idem,
Une face imberbe au cold-cream,
Un air d'hydrocéphale asperge.

Les yeux sont noyés de l'opium
De l'indulgence universelle,
La bouche clownesque ensorcèle
Comme un singulier géranium.

Bouche qui va du trou sans bonde
Glacialement désopilé,
Au transcendantal en-allé
Du souris vain de la Joconde.

Campant leur cône enfariné
Sur le noir serre-tête en soie,
Ils font rire leur patte d'oie
Et froncent en trèfle leur nez.

Ils ont comme chaton de bague
Le scarabée égyptien,
À leur boutonnière fait bien
Le pissenlit des terrains vagues.

Ils vont, se sustentant d'azur!
Et parfois aussi de légumes,
De riz plus blanc que leur costume,
De mandarines et d'œufs durs.

Ils sont de la secte du Blême,
Ils n'ont rien à voir avec Dieu,
Et sifflent: « tout est pour le mieux
«Dans la meilleur' des mi-carême ! »


II

Le cœur blanc tatoué
De sentences lunaires,
Ils ont: « Faut mourir, frères ! »
Pour mot-d'ordre-Évohé.

Quand trépasse une vierge,
Ils suivent son convoi,
Tenant leur cou tout droit
Comme on porte un beau cierge.

Rôle très-fatigant,
D'autant qu'ils n'ont personne
Chez eux, qui les frictionne
D'un conjugal onguent.

Ces dandys de la lune
S'imposent, en effet,
De chanter « s'il vous plaît ? »
De la blonde à la brune.

Car c'est des gens blasés;
Et s'ils vous semblent dupes,
Çà et là, de la Jupe,
Lange à cicatriser,

Croyez qu'ils font la bête
Afin d'avoir des seins,
Pis-aller de coussins
A leurs savantes têtes.

Écarquillant le cou
Et feignant de comprendre
De travers, la voix tendre,
Mais les yeux si filous !

-D'ailleurs, de mœurs très fines,
Et toujours fort corrects,
(École des cromlechs
Et des tuyaux d'usines).

III

Comme ils vont molester, la nuit,
Au profond des parcs, les statues,
Mais n'offrant qu'aux moins dévêtues
Leur bras et tout ce qui s'ensuit,

En tête à tête avec la femme
Ils ont toujours l'air d'être un tiers,
Confondent demain avec hier,
Et demandent Rien avec âme!

Jurent « je t'aime ! » l'air là-bas,
D'une voix sans timbre, en extase,
Et concluent aux plus folles phrases
Par des: « mon Dieu, n' insistons pas ? »

Jusqu'à ce qu'ivre, Elle s'oublie,
Prise d'on ne sait quel besoin
De lune ? Dans leurs bras, fort loin
Des convenances établies.

IV

Maquillés d'abandon, les manches
En saule, ils leur font des serments,
Pour être vrais trop véhéments !
Puis tumultuent en gigues blanches,

Beuglant: Ange ! Tu m'as compris,
A la vie, à la mort ! -et songent :
Ah ! Passer là-dessus l'éponge ! ...
Et c'est pas chez eux parti pris,

Hélas ! mais l'idée de la femme
Se prenant au sérieux encor
Dans ce siècle, voilà, les tord
D'un rire aux déchirantes gammes !

Ne leur jetez pas la pierre, ô
Vous qu'affecte une jarretière !
Allez, ne jetez pas la pierre
aux blancs parias, aux purs pierrots !

V

Blancs enfants de chœur de la lune,
Et lunologues éminents,
Leur Église ouvre à tout venant,
Claire d'ailleurs comme pas une.

Ils disent, d'un œil faisandé,
Les manches très-sacerdotales,
Que ce bas monde de scandale
N'est qu'un des mille coups de dé

Du jeu que l'Idée et l'Amour,
Afin sans doute de connaître
Aussi leur propre raison d'être,
Ont jugé bon de mettre au jour.

Que nul d'ailleurs ne vaut le nôtre,
Qu'il faut pas le traiter d'hôtel
Garni vers un plus immortel,
Car nous sommes faits l'un pour l'autre;

Qu'enfin, et rien de moins subtil,
Ces gratuites antinomies
Au fond ne nous regardant mie,
L'art de tout est l'Ainsi soit-il ;

Et que, chers frères, le beau rôle
Est de vivre de but en blanc
Et, dût-on se battre les flancs,
De hausser à tout les épaules.
Pierrots
(On a des principes.)
Elle disait, de son air vain fondamental :
«Je t'aime pour toi seul! » -oh ! Là, là, grêle histoire;
Oui, comme l'art ! Du calme, ô salaire illusoire
Du capitaliste l'Idéal !

Elle faisait: « J'attends, me voici, je sais pas »...
Le regard pris de ces larges candeurs des lunes ;
-Oh ! Là, là, ce n'est pas peut-être pour des prunes,
Qu'on a fait ses classes ici-bas ?

Mais voici qu'un beau soir, infortunée à point,
Elle meurt ! -Oh ! Là, là ; bon, changement de thème !
On sait que tu dois ressusciter le troisième
Jour, sinon en personne, du moins

Dans l'odeur, les verdures, les eaux des beaux mois !
Et tu iras, levant encor bien plus de dupes
Vers le Zaïmph de la Joconde, vers la Jupe !
Il se pourra même que j'en sois.


Pierrots
(Scène courte, mais typique.)


Il me faut, vos yeux ! Dès que je perds leur étoile,
Le mal des calmes plats s'engouffre dans ma voile,
Le frisson du Vae soli ! gargouille en mes moelles...
Vous auriez dû me voir après cette querelle !
J'errais dans l'agitation la plus cruelle,
Criant aux murs: Mon dieu ! mon dieu ! Que dira-t-elle ?

Mais aussi, vrai, vous me blessâtes aux antennes
De l'âme, avec les mensonges de votre traîne.
Et votre tas de complications mondaines.

Je voyais que vos yeux me lançaient sur des pistes,
Je songeais : oui, divins, ces yeux ! mais rien n'existe
Derrière ! Son âme est affaire d'oculiste.

Moi, je suis laminé d'esthétiques loyales !
Je hais les trémolos, les phrases nationales ;
Bref, le violet gros deuil est ma couleur locale.

Je ne suis point « ce gaillard-là ! » ni Le Superbe !
Mais mon âme, qu'un cri un peu cru exacerbe,
Est au fond distinguée et franche comme une herbe.

J'ai des nerfs encor sensibles au son des cloches,
Et je vais en plein air sans peur et sans reproche,
Sans jamais me sourire en un miroir de poche.

C'est vrai, j'ai bien roulé ! J'ai râlé dans des gîtes
Peu vous; mais, n'en ai-je pas plus de mérite
À en avoir sauvé la foi en vos yeux ? Dites.....

-Allons, faisons la paix, venez, que je vous berce,
Enfant. Eh bien ?
-C'est que, votre pardon me verse
Un mélange (confus) d'impressions... diverses...


Locutions des Pierrots
I

Les mares de vos, yeux aux joncs de cils,
Ô vaillante oisive femme,
Quand donc me renverront-ils
La Lune-levante de ma belle âme ?

Voilà tantôt une heure qu'en langueur
Mon cœur si simple s'abreuve
De vos vilaines rigueurs,
Avec le regard bon d'un terre-neuve,

Ah! madame, ce n'est vraiment pas bien,
Quand on n'est pas la Joconde,
D'en adopter le maintien
Pour induire en spleens tout bleus le pauv' monde!

II

Ah! le divin attachement
Que je nourris pour Cydalise,
Maintenant qu'elle échappe aux prises
De mon lunaire entendement

Vrai, je me ronge en des détresses,
Parmi les fleurs de son terroir
À seule fin de bien savoir
Quelle est sa faculté-maîtresse!

- C'est d'être la mienne, dis-tu?
Hélas! tu sais bien que j'oppose
Un démenti formel aux poses
Qui sentent par trop l'impromptu.

III

Ah! sans Lune, quelles nuits blanches,
Quels cauchemars pleins de talent!
Vois-je pas là nos cygnes blancs ?
Vient-on pas de tourner la clanche ?

Et c'est vers toi que j'en suis là,
Que ma conscience voit double,
Et que mon cœur pêche en eau trouble,
Ève, Joconde et Dalila!

Ah ! par l'infini circonflexe
De l'ogive où j'ahanne en croix,
Vends-moi donc une bonne fois
La raison d'être de Ton Sexe!

IV

Tu dis que mon cœur est à jeun
De quoi jouer tout seul son rôle,
Et que mon regard ne t'enjôle
Qu'avec des infinis d'emprunt!

Et tu rêvais avoir affaire
À quelque pauvre in-octavo...
Hélas! c'est vrai que mon cerveau
S'est vu, des soirs, trois hémisphères.

Mais va, l'œillet de tes vingt ans,
Je l'arrose aux plus belles âmes
Qui soient! - Surtout, je n'en réclame
Pas, sais-tu, de ta part autant!!

V

T'occupe pas, sois Ton Regard,
Et sois l'âme qui s'exécute;
Tu fournis la matière brute,
Je me charge de l'œuvre d'art.

Chef-d'œuvre d'art sans idée-mère
Par exemple! Oh! dis, n'est-ce pas,
Faut pas nous mettre sur les bras
Un cri des Limbes prolifères ?

Allons, je sais que vous avez
L'égoïsme solide au poste,
Et même prêt aux holocaustes
De l'ordre le plus élevé.

VI

Je te vas dire: moi, quand j'aime,
C'est d'un cœur, au fond sans apprêts,
Mais dignement élaboré
Dans nos plus singuliers problèmes.

Ainsi, pour mes mœurs et mon art,
C'est la période védique
Qui seule à bon droit revendique
Ce que j'en « attelle à ton char ».

C'est comme notre Bible hindoue
Qui, tiens, m'amène à caresser,
Avec ces yeux de cétacé,
Ainsi, bien sans but, ta joue.

VII

Cœur de profil, petite âme douillette,
Tu veux te tremper un matin en moi,
Comme on trempe, en levant le petit doigt,
Dans son café au lait une mouillette!

Et mon amour, si blanc, si vert, si grand,
Si tournoyant! ainsi ne te suggère .
Que pas-de-deux, silhouettes légères
À enlever sur ce solide écran!

Adieu. - Qu'est-ce encor ? Allons bon, tu pleures!
Aussi pourquoi ces grands airs de vouloir,
Quand mon Étoile t'ouvre son peignoir,
D'Hélas, chercher midi flambant à d'autres heures!

VIII

Ah! tout le long du cœur
Un vieil ennui m'effleure...
M'est avis qu'il est l'heure
De renaître moqueur.

Eh bien? je t'ai blessée?
Ai-je eu le sanglot faux,
Que tu prends cet air sot
De La Cruche cassée ?

Tout divague d'amour;
Tout, du cèdre à l'hysope,
Sirote sa syncope;
J'ai fait un joli four.

IX

Ton geste,
Houri,
M'a l'air d'un memento mori
Qui signifie au fond : va, reste...

Mais je te dirai ce que c'est,
Et pourquoi je pars, foi d'honnête
Poète
Français.

Ton cœur a la conscience nette,
Le mien n'est qu'un individu
Perdu
De dettes.

X

Que loin l'âme type
Qui m'a dit adieu
Parce que mes yeux
Manquaient de principes!

Elle, en ce moment,
Elle, si pain tendre,
Oh! peut-être engendre
Quelque garnement.

Car on l'a unie
Avec un monsieur,
Ce qu'il y a de mieux,
Mais pauvre en génie.

XI

Et je me console avec la
Bonne fortune
De l'alme Lune.
Ô Lune, Ave Paris stella !


Tu sais si la femme est cramponne ;
Eh bien, déteins,
Glace sans tain,
Sur mon œil! qu'il soit tout atone,

Qu'il déclare : ô folles d'essais,
Je vous invite
À prendre vite,
Car c'est à prendre et à laisser.

XII

Encore un livre; ô nostalgies
Loin de ces très-goujates gens,
Loin des saluts et des argents,
Loin de nos phraséologies!

Encore un de mes pierrots mort;
Mort d'un chronique orphelinisme;
c'était un cœur plein de dandysme
Lunaire, en un drôle de corps.

Les dieux s'en vont; plus que des hures
Ah! ça devient tous les jours pis;
J'ai fait mon temps, je déguerpis
Vers l'Inclusive Sinécure!

XIII

Eh bien oui, je l'ai chagrinée,
Tout le long, le long de l'année;
Mais quoi! s'en est-elle étonnée?

Absolus, drapés de layettes,
Aux lunes de miel de l'Hymette,
Nous avions par trop l'air vignette!

Ma vitre pleure, adieu! l'on bâille
Vers les ciels couleur de limaille
Où la Lune a ses funérailles.

Je ne veux accuser nul être,
Bien qu'au fond tout m'ait pris en traître.
Ah! paître, sans but là-bas! paître...

XIV

Les mains dans les poches,
Le long de la route,
J'écoute
Mille cloches
Chantant : « les temps sont proches;
« Sans que tu t'en doutes! »

Ah! Dieu m'est égal!
Et je suis chez moi!
Mon toit
Très-natal
C'est Tout. Je marche droit,
Je fais pas de mal.

Je connais l'Histoire,
Et puis la Nature,
Ces foires
Aux ratures;
Aussi je vous assure
Que l'on peut me croire!

XV

J'entends battre mon Sacré-Cœur
Dans le crépuscule de l'heure,
Comme il est méconnu, sans sœur,
Et sans destin, et sans demeure!

J'entends battre ma jeune chair
Équivoquant par mes artères,
Entre les Édens de mes vers
Et la province de mes pères.

Et j'entends la flûte de Pan
Qui chante : « bats, bats la campagne!
« Meurs, quand tout vit à tes dépens;
« Mais entre nous, va, qui perd gagne!

XVI

Je ne suis qu'un viveur lunaire
Qui fait des ronds dans les bassins,
Et cela, sans autre dessein
Que devenir un légendaire.

Retroussant d'un air de défi
Mes manches de mandarin pâle,
J'arrondis ma bouche et -j'exhale
Des conseils doux de Crucifix.

Ah! oui, devenir légendaire,
Au seuil des siècles charlatans !
Mais où sont les Lunes d'antan ?
Et que Dieu n'est-il à refaire ?


Jules Laforgue, <i>L'Imitation de Notre-Dame la Lune, (1885)




Pierrot (8)

Pierrot na Literatura



Transcrevo a primeira parte de um excelente ensaio de Yamashita Naoto intitulado, "Drawing a Rough Sketch for Pierrot:
The Transition of the Artist Figure in William Faulkner's Fiction."


Critical discourse on William Faulkner has long focused on the early period of his literary career. In recent years, Lothar Honnighausen presents the parallelism between the artist mask young Faulkner put on and metaphors in his fiction. James G. Watson remarks on portraits, private letters, and sketches in Faulkner's early years, and points out that Faulkner's life and works are full of the conception of the performance. Although both studies are richly suggestive, the artist figure in Faulkner's early fiction is not argued consistently. This paper will trace the process Faulkner describes the artist figure by altering a character "Pierrot" and represents the marginal artist as the transgressor beyond the racial boundary. We will mainly focus on the artist figure in Faulkner's poetry, drama, and early novels, Soldiers' Pay (1926) and Mosquitoes (1927). Further, we will examine how the artist figure is altered in Faulkner's major novel, Absalom, Absalom! (1936).


I
Faulkner closely imitates Pierrot in The Marionettes (1920) and Visions in Spring (1921). On the other hand, he begins to describe the artist figure by altering the pierrotique image since The Marble Faun (1924). Robert F. Storey's elaborate study of Pierrot will support our argument.
Pierrot, the mute and lazy clown who seduces Columbine and never attains her love, came into fashion in the nineteenth century French theater. Storey illustrates Charles Baudelaire, Theophile Gautier, and many other artists turned their attention to the silence of Pierrot. The artists, who looked on themselves as the outcasts from society, felt keen sympathy for vulnerable Pierrot. Therefore, Pierrot came to be regarded as a symbol of the artist. Storey takes T. S. Eliot as an example of the artist attracted to Pierrot, and suggests Eliot transforms the pierrotique image into J. Alfred Prufrock (156-166).
Judith L. Sensibar examines the significance of Pierrot in Faulkner's fiction exhaustively. She states Pierrot functions as a mask for young Faulkner and it reflects his inferiority to the tradition of the family line and his sexual obsession. In her statement, Faulkner objectifies Pierrot gradually, and finally describes "pierrotique" characters in Flags in the Dust (1927) (Sensibar 44). Mostly as she agrees with Sensibar's interpretation, Tanaka Takako suggests that " . . . presumably Faulkner used Pierrot's mannerism and negative quality more intentionally than she suspects"(45). We will illustrate Faulkner portrays the artist figure by altering the pierrotique image since The Marble Faun (first written in 1919).
It seems reasonable to suppose that Faulkner borrows the idea for Pierrot in The Marionettes (1920) and Visions in Spring (1921) from Beardsley or Eliot. In The Marionettes originally written for a play script, Pierrot seduces Marietta and soon disappears from the stage. Marietta, deserted by Pierrot, is fascinated by her own figure in the mirror. Pierrot's relationship with the female character seems to be inverted from the convention, but Pierrot gets dead drunk and sleeps beside the stage. Therefore, all events in The Marionettes happen in Pierrot's illusion. The sketches inserted in The Marionettes are obviously influenced from Beardsley's, as Honnighausen compares both in detail (Stylization 135-141). Visions in Spring includes the conventional scene that Columbine treats Pierrot too cruelly.
We can be fairly certain that Faulkner closely imitates Pierrot in these works. However, Faulkner portrays pierrotique artists satirically since The Marble Faun. The historical facts about Faulkner will lead us further into a consideration of the artist figure.
Faulkner encountered with French culture in the early period of his career, and this also affects the pierrotique artists in his works. In January 1925, for the journey to Europe, he visited New Orleans, where he was on intimate terms with Sherwood Anderson and started to write Soldiers' Pay. He moved to Europe in July 1925, and stayed in Paris for a while, and got down to Mosquitoes and Elmer. The novelist Faulkner was germinated in the period from New Orleans (formally French colonial) to Paris.
Next, we will examine Faulknerian artist figure in the early novels.



Pierrot (7)


André Derain, Arlequim e Pierrot, (c.1924). Óleo sobre tela, 175 x 175 cm. National Gallery of Victoria, Melbourne Australia.

La mélancolie de Pierrot

Le premier jour, je bois leurs yeux ennuyés....
Je baiserais leurs pieds,
À mort. Ah ! qu'elles daignent
Prendre mon coeur qui saigne !
Puis, on cause.... - et ça devient de la Pitié ;
Et enfin je leur offre mon amitié.

C'est de pitié, que je m'offre en frère, en guide ;
Elles, me croient timide,
Et clignent d'un oeil doux :
" Un mot, je suis à vous ! "
(Je te crois) Alors, moi, d'étaler les rides
De ce coeur, et de sourire dans le vide.....

Et soudain j'abandonne la garnison,
Feignant de trahisons !
(Je l'ai échappé belle !)
Au moins, m'écrira-t-elle ?
Point. Et je la pleure toute la saison....
- Ah ! j'en ai assez de ces combinaisons !

Qui m'apprivoisera le coeur ! belle cure.....
Suis si vrai de nature
Aie la douceur des soeurs !
Oh viens ! suis pas noceur,
Serait-ce donc une si grosse aventure
Sous le soleil ? dans toute cette verdure...

Jules Laforgue, >Fleures de Bonne Volonté>, (1890)





3.2.05

Aniversário

Assinalo a auspiciosa data em que conheci a Madalena, no átrio da Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. A Madalena - conjuntamente com a Ivone, a Jesuína e a Maria João - é um elemento insubstituível do quarteto das minhas amigas incondicionais. Embora, as tenha conhecido com intervalos de tempo bastante longos, são as minhas amigas de sempre, desenvolvemos uma amizade baseada no dueto reciprocidade/cumplicidade. Só é pena viverem todas longe. No entanto, estão sempre perto. E, quando nos encontramos é como nos tivessemos separado no dia anterior. Neste caso, o lugar comum expressa bem a realidade.
Proposições mais ou menos líricas

1. O vento, no meu cabelo, sopra notícias de ti.

2. O sol do meio dia aquece a pele sob o preto da roupa.

3. No lago de Locarno - longe - luzias languidamente ao luar, laser largado em lúbricos lençóis.


Prazeres da Civilização

Um duche cálido e prolongado, depois de fugir do frio da rua, é um prazer sem igual. Uma dádiva dos deuses da civilização.