31.1.05

Crença

Acredito, apesar de ter um número reduzido de crenças, na comunidade de certas consciências.
Viva o 1º de Fevereiro!

Celebro o primeiro dia de Fevereiro, porque o mês mais detestado por mim, finalmente terminou. Abomino Janeiro, de Janeiro apenas se salva o luar, a julgar pela frase inicial do provérbio: "Não há luar como o de Janeiro."... todavia, nem no luar, Janeiro leva a melhor, pois voltando ao ditado: "Mas, lá virá o de Agosto que lhe dará no rosto"! Mesmo o dia de S.Silvestre é uma espécie de Quaresma das festas.

E, Fevereiro começou bem, uma manhã de uma limpidez e claridade inspiradoras de alegria. O castelo e arvoredo envolvente exibem-se sem disfarces, em toda a sua glória.

29.1.05

Profícuas pesquisas, ou do tonto entusiasmo provocado pela investigação bem sucedida

Ontem foi um daqueles dias em que a pesquisa na Internet se assemelhou à eclosão de uma série de milagres. Encontrei catadupas de artigos com um elevado grau de rigor e profundidade, e sobretudo à medida dos meus interesses de investigação. Era só escrever as mágicas senhas e os textos surgiam de imediato, e ao lê-los verificava com alegre espanto que continham exactamente o que eu precisava para justificar uma determinada tese.
O desvairado grau de entusiasmo compensou, em larga medida, o facto de não ter cedido ao impulso de ir passear ao sol, mas também me impediu de dormir sossegadamente. No entanto, como foi por uma boa causa não lamento a insónia.

Habilidades do Marketing Político


É interessante observar os cartazes do PS e descobrir o novo olhar verde e brilhante de Sócrates. Por outro lado, nos cartazes do PSD cortaram parte do crânio de Santana Lopes ocultando, com sabedoria estética, a calvície parcelar do leader.

Nota: observações efectuadas durante uma viagem de camioneta Montemor-o-Novo - Lisboa, na Terça-feira passada. Nesse mesmo, dia foi-me dado, também, contemplar um objecto bem mais interessante, a lua, que acompanhou durante longo tempo o nascer do sol.

28.1.05

Pierrot (6)

Representações de Pierrot


Emil Nolde, Women and a Pierrot (1917), óleo sobre tela, 100.5 x 86.5 cm, Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Dusseldorf.

Pierrot (5)

Representações de Pierrot



Georges Rouault, Pierrot, Litografia (1939)


Renovação

A melancolia dissipou-se. Era ténue. Deu lugar à vontade de ser, sem rodeios.


Secrets de Famille



Serge Tisseron





27.1.05

Vento e Nuvens

Intempérie -
infiltra-se o vento
até na minha alma

Separados pelas nuvens
dois patos selvagens
dizem-se adeus

Matsuo Bashô, O Gosto Solitário do Orvalho, (Lisboa, Assírio e Alvim, 2003), p.49 e 53


Convallaria majalis, Muguet, Lírio do vale

"Doce como a seiva do muguet (...)"

Ver também aqui







26.1.05

Ainda o conto de Gorki


No desfecho do conto são apresentados três gnomos sábios a comentar a morte da fada:

(...)

Falavam, e um deles disse estas palavras:

- Assim foi a vida da pequena Maïa. Bem, ela recebeu tanto quanto podia receber, não tem de que se lamentar.
- Parece que se chama ao amor "prazer", apenas porque é uma dor muito forte; eu não sinto pena da fada, como não tenho pena de ninguèm, porque tudo é estúpido - disse, após alguns minutos de silêncio, um outro que era ainda mais sábio do que o primeiro.
Quanto ao terceiro, apanhando com as mãos algumas pedras, lançava-as pensativamnte na água do rio,; olhava, sorrindo, os círculos até desaparecerem, apagados pela corrente. Não disse nada, nem uma palavra, embora pensasse tanto como os seus camaradas e tivesse a fronte sulcada por rugas ainda mais numerosas. Manteve-se calado.
Era ele o mais sábio.
E pronto: contei a minha história. É certo que não é nova, e talvez a vida a tenha escrito há muito no teu coração. Mas diz-se que não há nada no mundo que não tenha já sido...
...E eu tinha tanta vontade de a contar!

M.Gorki, op.cit., p.72
Leituras: um conto narrado por Gorki

Li um belo conto valáquio, "O Jovem Pastor e a Fadazinha" relatado com a mestria de Máximo Gorki . O conto é uma parábola da impossibilidade da felicidade e da realização plena através do amor. Nele se descrevem as diferentes fases de uma relação amorosa, desde a intensidade e volatilidade do encanto/delírio inicial, passando pelo confronto com a oposição da família, os primeiros tempos de vida em comum, os primeiros desgostos e divergências até ao advento do tédio que insidiosamente se instalou entre os protagonistas. Relata-se o processo de entropia de uma afeição, e os efeitos castradores dos amores que implicam renúncias incompatíveis com o modo de ser dos amantes.
O amor é caracterizado como um veneno, aparentemente doce que despertará, posteriormente, um amargo saber. Também se transmite a concepção de que amor e liberdade são incompatíveis.

Seguem-se algumas passagens:

(...)

- Oh! Como é bom!Doce como a seiva do muguet, quente como um raio de sol estival, o beijo, como um maravilhoso sangue novo, correu-lhe nas veias até ao coração que se pôs a bater violentamente, com força e com doçura.
Ela beijou-o por sua vez e ele devolveu-lhe o beijo, e mais uma vez, e beijaram-se interminavelmente.
Já a tarde caía, o sol deitava-se; a floresta escurecia e ao longe, na estepe, começaram a rastejar as sombras avançadas da noite. Foi então que Maïa se lembrou de que tinha de voltar para casa. Mas não sentia qualquer vontade de o fazer, sentia-se tão bem junto do pastor!

(...)

Ele correu ao encontro dela e pareceu-lhes que com o seu beijo todo o céu se iluminava com uma terna e clara chama rosa. Como era bom!

(...)

Recomeçaram a viver. Dia após dia, a vida corria, e quando se habituaram um ao outro começaram a aborrecer-se. O pastor tinha vontade de ir para um lado, depois para o outro, e Maïa sofria com aqueles passeios incessantes porque os pés delicados não os suportavam.
E um belo dia alongou-se entre eles uma sombra, sem que a apercebessem. Todos sabemos como isso se passa, e discursos mais longos seriam inúteis.

(...)

_ Quando não te via não havia tristeza em mim. Nesse tempo era livre, não desejava nada, não tinha pena de ninguém. Eram bons tempos. Vivia e cantava! Corria pela estepe, de uma ponta a outra, e à noite olhava para o céu. Os meus desejos, então, eram saber tudo e tudo fazer. Mas agora, depois que estás comigo, já não me é possível viver como desejaria, como vivia dantes, porque partir sózinho seria causar-te um desgosto e eu amo-te e tenho pena de ti. És tão bela e tão jovem! E quando se ama e se tem pena, e se deseja ou se teme qualquer coisa, então já não se é livre!...Era isso que te queria dizer. E sofro porque tudo isso é verdade.
(...)
O coração de Maïa ficou gelado com aquele discurso e os olhos encheram-se de lágrimas.

- Dizes a verdade, eu também a direi. Vivia mal, eu, quando só conhecia a floresta? Oh, não! Foste tu, recordas-te, que me atraíste com os teus cantos, que me pediste para sair da floresta. Concordei, porque pensei que estaria melhor aqui, contigo. Perdi assim a minha mãe, as minhas irmãs, a minha casa, tudo! Troquei tudo isso contra quê? Diz-me. Não foi por esses minutos em que os beijos se tornam tão ardentes que chegam a doer? Se é esse o preço, é pagar bem caro... E tudo o que soube de ti, seria melhor não o ter sabido, porque tudo isso faz pensar!... Falaste-me do destino e da morte ... Mas que há neles de bom? Se não soubesse que existiam, seria mais alegre, porque saber pensar não torna a vida melhor ... Pronto, também eu te disse algumas palavras, e talvez te dissesse mais se pudesse arrancar o meu coração e levá-lo nas mãos até aos teus olhos: poderias ver tudo o que há nele. És inteligente, diz-me então por que tudo isto evolucionou deste modo?

Ele fazia a si mesmo idêntica pergunta. Sim, porquê, na realidade? Tinham ambos recebido tanto como tinham dado?
(...)
Viveram assim. Viveram assim e, olhando-se um ao outro, tornavam-se cada vez mais inúteis, aborreciam-se dia a dia mais e cada vez melhor compreendiam e viam o seu aborrecimento; e cada vez mais o pastor tinha vontade de partir para qualquer parte, longe, muito longe (...) Maïa definhava a olhos vistos, empalidecia cada vez mais e concentrava os seus pensamentos numa única interrogação constante: "Porquê? Porquê?"
(...)
- Meu querido, vou morrer!
(...)
- Não, vou morrer, o Verão morreu e eu vou segui-lo. Leva-me para a floresta, depressa.
Os olhos do pastor brilharam de desgosto e de alegria ao mesmo tempo.

(...)

Olhava-a. Já não era tão bela como o tinha sido em vida, mas era-lhe agora mais querida, e amava-a mais intensamente nesse momento de aflição. Sim, amava-a mais porque a tinha perdido ... o coração sofria e chorava ...O rancor ferveu nele como um jorro ardente.

(...)


Mas, o melhor mesmo é ler todo o conto.

Máximo Gorki, Três Contos de Máximo Gorki, (Porto, Editorial Inova, 1972), pp.35-72
Amizade

A essência da amizade pressupõe reciprocidade.
Caprichos

Maria Eduarda aguardava o mais recente namorado no aeroporto de Lisboa. Logo que trocaram as primeiras saudações, Maria Eduarda sugeriu uma viagem de táxi rumo ao Hotel de Turismo da Ericeira onde passariam a primeira noite juntos.
Mais tarde, sentada no parapeito da janela do quarto com vista para a praia sob uma lua de redonda brancura a rir para o mar, Maria Eduarda pensou no ex-marido, na amante dele e numa paixão nunca consumada, todos eles a viver naquela mesma vila.
Enofilia

XY: - Afinal só estarei em casa uma hora mais tarde do que o combinado, porque vou a uma reunião de última hora com um vinicultor.

XX:- Ainda bem, pois recebi um convite surpresa para lanchar com uma pessoa amiga.

Encontraram-se, inesperadamente, numa prova de vinhos, cada um deles muito bem acompanhado.
Notícias do Castelo

Nos últimos dias, o castelo ora todo se vela sob a densidade da névoa, ora se desvela feito silhueta, ora se mostra por inteiro sobre o arvoredo que parece ganhar tonalidades de Outono, ou brilhos de Verão por graça da luz enganadora da manhã.

24.1.05

Pequenas vinganças

Num dia 30 de Junho, data de aniversário do primeiro namorado, ofereceu ao marido embirrante um Borsalino igual aquele com que tinha presenteado o antigo objecto da sua paixão.

Muitos namorados e maridos depois, ofereceu ao namorado de ocasião o mesmo livro, ainda novo, com que tinha presenteado o amante de longa duração.

23.1.05

Máximo Gorki: um homem suspeito

Li, nos últimos dias, alguns contos de Gorki, e tenciono editar aqui um breve texto sobre um deles. Mas, não podia deixar de transcrever uma das citações sobre o referido escritor mencionada na edição dos contos, que me foi dada ler.

"É um homem extremamente suspeito; leu muito, maneja bem a pena, atravessou quase toda a Rússia (quase sempre a pé)." Relatório da Polícia (1898)

Máximo Gorki, Três Contos de Máximo Gorki, (Porto, Editorial Inova, 1972)

21.1.05

Da Morte (23)

De um dos romances da minha biblioteca existencial:

- Continuas a pensar na morte? - perguntou Narciso.
- Penso, e penso no que foi a minha vida (...) Foi-me dada a ventura de descobrir que se pode insuflar alma à sensualidade, que é essa a origem da arte. Agora, ambas as chamas se extinguiram. (...)Chegou, portanto, a minha hora. Estou conformado e cheio de curiosidade.
- Curiosidade porquê? - perguntou Narciso.
- Talvez seja tolice da minha parte. Mas estou deveras curioso. Não é curiosidade do além, o além dá-me poucos cuidados e, para te falar abertamente, não acredito em nenhum além. A árvore seca morreu para sempre; a ave enregelada nunca mais torna à vida e o mesmo acontece ao homem quando morre. Pode ainda ser lembrado por um tempo, mas nem isso é de longa dura. Não, se estou curioso é unicamente porque continuo a crer ou a sonhar que estou a caminho da minha mãe. Espero que a morte seja uma grande ventura, tão grande como a da primeira plenitude amorosa. Não posso impedir-me de pensar que, em vez da morte com a sua foice, será a minha mãe que me levará consigo e me fará voltar ao nada e à inocência.



Hermann Hesse, Narciso e Goldmundo, (Lisboa, Guimarães Editores, 1981), pp.299-300
Agradecimentos


Agradeço as gentis referências feitas pelo meu distinto colega Manuel Cabeça e a menção ao "último sortido do Digitalis no Ma Schamba. Como é evidente, quase não tenho frequentado este universo virtual, daí só agora registar aqui o meu apreço aos dois.
Associação

Lembrei-me deste texto de Bertrand Russell a propósito do comentário da autoria de Manuel, autor do blogue, Da Condição Humana, à frase de Montaigne:

O temor, base da religião


A religião é fundamentada primeiramente e sobretudo no temor. Por um lado é o terror perante o desconhecido, por outro o desejo de sentir uma espécie de irmão mais velho que esteja ao nosso lado quando nos sentimos receosos ou em dificuldades. O temor é a base deste problema, temor do misterioso, temor do malogro, temor da morte. E o temor engendra a crueldade, razão por que a vemos de mãos dadas com a religião. O temor está na base de uma e de outra.


Bertrand Russell, Porque não sou cristão, (Porto, Brasília Editora, 1977), p.31

16.1.05

Da Morte (22)


"Toda a sabedoria e discurso do mundo se resolve, afinal, nisto: ensinar-nos a não temer a morte." Montaigne, Ensaios, I, XX
Amor e Azia

xx: - A leitura da maior parte dos textos sobre amor provoca-me azia.

XY: - Azia? Textos sobre o amor que despertam azia?

XX: - Isso mesmo, e por vezes náuseas. Porque me fazem associar o amor a um prato pesado e fastidioso, conducente a uma digestão lenta e a uma inevitável flatulência.
XY: - Estou a ver... como se num jantar após a leveza e o requinte de uns deliciosos acepipes, fosse servida uma feijoada enlatada.
Da Imaginação

De acordo com Kant a função específica da imaginação seria a de estabelecer uma ligação na diversidade das impressões sensoriais. A imaginção configuraria uma síntese intermediária entre a síntese sensível pelas formas puras da sensibilidade - espaço e tempo - e a síntese do entendimento pelo conceito. Assim, conhecer é imaginar no sentido de construir esquemas que se inserem na realidade para a compreender ou alterar, elaborar esboços que permitam enquadrar o objecto a conhecer.

Kant, Critique de la Raison Pure, (Paris, Gallimard, 1976), pp.187-193 e 644-645

15.1.05

Redução à Poeira

Se o Abrupto se reduzisse à "Poeira" continuaria a ter o maior interesse.

13.1.05


Pierrot (4)




DOSSIER DE PRESSE de Pierrot lunaire d’Arnold Schönberg réuni par François Lesure avec le concours d’Emily Good, Gertraut Haberkamp, Malcolm Turner et Emilia Zanetti. Genève, 1986. 1 volume in-4 de 264 pages, broché. (Anth. crit. mus. Tome II)
L’accueil de la presse devant Pierrot lunaire fut particulièrement sinueux. Après les sarcasmes de la première tournée de Schönberg en Allemagne, l’œuvre trouva des défenseurs de qualité: Darius Milhaud en France et en Angleterre, Casella en Italie. Les arguments avancés de part et d’autre jettent une lumière particulièrement vive sur les mentalités et l’esthétique de chaque pays au lendemain de la première guerre

Pierrot (3)



Picasso, Pierrot, óleo sobre tela, (1918), The Museum of Modern Arts, New York.

Um Pierrot de Picasso, embora o conhecido pintor espanhol estivesse mais próximo do espírito de Arlequim, uma vez que se identificava com a figura de Arlequim.
Resposta e saudação

Perguntava o meu distinto colega Manuel Cabeça : "(...) qual é velocidade da tua imaginação?"
A minha imaginação move-se a uma velocidade estonteante. Mesmo os maus momentos parecem desvanecer-se num ápice...
Já agora aproveito para o saudar e desejar, tardiamente, um 2005 à medida da sua mais refinada imaginação.

8.1.05

Pierrot Lunaire

A ler uma página muito elucidativa sobre dodecafonismo e serialismo


Pierrot (1)

Pierrot irá ser o tema recorrente dos próximos posts. Depois da Introdução com Pierrot Lunaire prosseguimos esta série com um poema de Paul Verlaine e o conto Pierrot de Guy de Maupassant.


Pierrot

Ce n'est plus le rêveur lunaire du vieil air
Qui riait aux aïeux dans les dessus de porte ;
Sa gaîté, comme sa chandelle, hélas! est morte,
Et son spectre aujourd'hui nous hante, mince et clair.

Et voici que parmi l'effroi d'un long éclair
Sa pâle blouse a l'air, au vent froid qui l'emporte,
D'un linceul, et sa bouche est béante, de sorte
Qu'il semble hurler sous les morsures du ver.

Avec le bruit d'un vol d'oiseaux de nuit qui passe,
Ses manches blanches font vaguement par l'espace
Des signes fous auxquels personne ne répond.

Ses yeux sont deux grands trous où rampe du phosphore
Et la farine rend plus effroyable encore
Sa face exsangue au nez pointu de moribond.

Paul Verlaine, in Jadis et naguère , (1884)

Para quem gosta de ler análises e comentários de crítica literária uma possível interpretação do poema aqui



Conselho


Se não sabe o que fazer após ter bebido umas quantas canecas de punch, talvez seja boa ideia apreciar um chá Marraqueche [uma mistura de chá verde gunpowder com hortelã-pimenta (importado e embalado pela casa A Carioca) ] enquanto escuta o Pierrot Lunaire.

Pierrot (0)

Tempo de Pierrot Lunaire


O poeta simbolista Albert Giraud escreveu Pierrot Lunaire em 1884 . A partir da adaptação alemã por Otto Erich Hartleben, da referida obra do poeta belga, Arnold Schoenberg criou, a 16 de Outubro de 1912, na cidade de Berlim, a sua versão musical de Pierrot Lunaire
Albertine Zehme encomendou a obra cuja composição lhe seria dedicada, como prova de "calorosa amizade" , e foi, também, a sua primeira intérprete.

Obra-chave de Schönberg é Pierrot lunaire Op. 20 (1912). Seu clima expressionista, foi precedido pela ópera monodramática Espera (1909), obra em que se precisa com mais nitidez o atematismo melódico, e continuado em A mão feliz (1913). São obras que se equivalem, quanto ao clima expressionista, a certos aspectos do teatro de Strindberg.

Em Pierrot lunaire o expressionismo é só musical, pois os textos são do simbolista belga Albert Giraud. Apesar do contexto tradicionalista, a obra, ciclo melodramático para voz e sete instrumentos, dá a sensação de ruptura total. O emprego do canto falado é sistemático. A técnica contrapontística, já presente em obras anteriores, se liga de maneira insólita ao atonalismo, e o princípio de variação é sistematizado no acompanhamento instrumental. Superando os textos simbolistas de Giraud, Schönberg produziu obra originalíssima. O aspecto de delírio não é decadentista, mas de teor quase apocalípti co.


Quadros e desenhos de Arnold Schönberg


Confidências e Desabafos de Savarin (70)

Regresso ao Campo

De volta ao mundo urbano/rural ou rural/urbano, saboreio uma deliciosa infusão, produto do alegre convívio dos aromas e sabores do hibisco, da maçã, da casca de fruto da roseira brava, da baunilha e de essência de rum. Se adicionasse rum genuíno, obteria um excelente punch. A bebida acompanhou umas fatias de tarte de salmão marinado, queijadas de laranja, bolo rei e tronco de Natal, que sobraram da celebração do Dia de Reis...
Há tempos deixei aqui uma receita de tarte de salmão fumado com massa folhada. Na confecção do presente objecto de degustação procedi de modo semelhante, mas usei gravlax e massa quebrada em substituição do salmão fumado e da massa folhada.

A propósito do salmão marinado devo confessar que o melhor do IKEA, não são os móveis, nem toda a demais parafernália de objectos para o o lar. O melhor do IKEA é a loja sueca onde se pode adquir gravlax por um preço muito acessível [ norueguês e não irlandês, mas aquela quantidade por aquele preço, esperavam o quê? ] bem assim como carne de rena fumada, pão ártico e doces de bagas silvestres, de cloudberry - amora ártica- por exemplo.

Como está frio e é Sábado nada como um punch para aquecer uma bela sesta...

Punch de Rum

Ingredientes:


7,5 de rum
500 gr de açúcar
1 l de chá preto
canela e limão q.b.

Preparação:

Aquecer o chá com o açúcar, adicionar o rum, o vidrado de casca de limão e a canela.
Quando ferver apagar e flamejar a mistura. Deixar extinguir as chamas e servir bem quente com uma rodela de limão por dose.

Punch com vinho do Porto

Ingredientes:

1l de vinho do Porto
2,5 dl de brandy
1 cravinho
250 gr de açúcar amarelo
3 limões

Preparação:

Aquecer o vinho do Porto com o açúcar, o cravinho e o vidrado da casca de um dos limões. Quando fizer espuma coar. À parte aquecer o brandy e deitar na terrina onde será servido o punch.
Juntar o vinho do Porto quente, flamejar, deixar apagar por si e servir com uma rodela de limão por dose.

6.1.05

Persuasão, Propaganda e Manipulação


A análise dos discursos e das atitudes da generalidade dos representantes da política institucionalizada - embora, a política seja um campo muito mais vasto do que as arenas partidárias - leva-me a pensar, que os referidos políticos adoptaram as recomendações de Hitler, veiculadas na obra A Minha Luta, a seguir transcritas:

A maior parte das pessoas é pouco inteligente, por isso a propaganda deve consistir em alguns pontos expressos em algumas palavras simples, repetidas de novo e de novo até que mesmo os mais estúpidos as conheçam. Nas grandes mentiras há sempre uma certa força de credibilidade. As massas são mais facilmente vítimas de uma mentira grande do que de uma pequena, porque elas próprias, muitas vezes, usam pequenas mentiras, mas ficariam envergonhadas de tentar uma grande. Uma mentira deixa sempre traços atrás de si, mesmo depois de se ter descoberto que é uma mentira. (...)
Toda a propaganda deve ser tão popular e de tal nível intelectual que mesmo os mais estúpidos de entre aqueles a que é dirigid a possam compreender. Portanto, o nível intelectual da propaganda deverá ser tanto mais baixo quanto maior for o número das pessoas que vão ser influenciadas por ela.

Leituras


Só agora comecei a ler Medo de Voar de Erica Jong. Uma obra cuja leitura deveria ter iniciado e terminado no fim de 1985. Mas, pensando melhor, também é adquado ao presente.

5.1.05

Afinidade

Umblogsobrekleist também ilumina os dias de Digitalis/Savarin.
Impressões

Hoje, às 8 horas, o castelo lembrava uma sombra chinesa.

3.1.05

Confidências e Desabafos de Savarin - 69- esboço


Só para dizer que o bolo de mel grego ficou delicioso, embora só tivesse sido saboreado no dia 27 de Dezembro, porque me esqueci de o transportar para o local onde passei a noite da Consoada.

Um desejo para este novo ano: quero um samovar!!! Se souberem da existência de samovares a preços módicos, mas de preferência fabricados em prata - casquinha também serve...façam o obséquio de me informar.