27.10.04

A Troca

XX enamorou-se do cheiro de XY, até XY mudar de desodorizante.
Chorrilho de disparates ou da generalização indevida

1.
Os homens bem parecidos e as mulheres bonitas são de mais fácil trato, porque não precisam de andar sempre a evidenciar o seu grau de perspicácia, ou o seu nível de cultura, ou o seu sentido de humor, ou... , ou .... , ou .... limitam-se a ser!

2.
Há que confiar, sempre, nas primeiras impressões acerca de alguém, ou até mesmo de algo, porque coincidem, em regra, com as derradeiras.

3.
Para diminuir a taxa de viuvez, as mulheres deveriam casar com homens mais novos.


25.10.04

Da Luz e da Manhã

A manhã ilumina o perfil do castelo. O arvoredo, em redor, resplandece sob tanto brilho.
Poema com dedicatória

Para o meu amor de tantos anos, renovado.


My longing for you -
too strong to keep within bounds.
At least no one can blame me
when I go to you at night
along the road of dreams.


Ono no Komachi, op. cit., p. 5






23.10.04

Confidências e desabafos de Savarin (60)


Há muita gente que diz detestar o Domingo. Pois, eu gosto muito do Domingo, de fazer e comer bolos ao Domingo. De pastorear o ser ao Domingo, de organizar jantares ao Domingo, pensando que no dia seguinte me levantarei cedo para saldar o meu saber de sofista militante.

Hoje já confeccionei o bolo de mel grego para o Natal, e já agora aproveito para confidenciar a minha paixão por esta "quadra festiva". Adoro os doces e os cheiros do Natal, as plantas da estação:o azevinho, o visco, o cedro, o pinheiro, a criptoméria, o abeto nórdico, a hera avermelhada pelo frio, o musgo e todas as outras - que entretanto, vos passarem pela imaginação mais ou menos criadora.

Mas, continuando, como o seu - do bolo de mel - aroma inebriante me despertou para o pecado da gula, logo me apressei a preparar um bolo Jamaica para consumo imediato.

Mais tarde prosseguirei a ode ao Domingo e ao Natal ...

Descubra as soluções (2)

Cá estou eu, de novo, a enganar o tempo ... *

Soluções surpreendentes

Os problemas desta secção são todos «armadilhas» humorísticas baseadas na ambiguidade verbal (...)


1. Howard Youse, um milionário excêntrico, ofereceu um pré­mio de meio milhão de dólares ao corredor de automóveis cujo carro ficasse em último lugar numa corrida. Dez corredores entraram no concurso, mas ficaram espantados com as condições do Sr. Youse.
«Como vamos fazer a corrida?», perguntou um deles. «Se for­mos todos devagar, a corrida nunca acabará.»
Repentinamente um deles disse: «Ah! Já sei como vou fazer.»
No que pensou ele?


2. Como se consegue pôr um fósforo a arder debaixo de água?

3. Um criminoso levou a sua mulher a um cinema que estava a passar um western. Durante uma cena, quando foram dispara­dos muitos tiros, ele matou a mulher, dando-lhe um tiro na cabeça. Depois tirou o corpo da mulher do cinema sem que alguém o impe­disse. Como conseguiu ele isso?

4. O professor Sofisma diz que pode pôr uma garrafa no centro de uma sala e meter-se nela. Como consegue isso?

5. Uriah Fuller, o famoso super psíquico israelita, consegue dizer o resultado de qualquer jogo de basebol antes de o jogo começar. Qual é o seu segredo?

6. Um homem que vivia numa pequena cidade casou com vinte mulheres diferentes da mesma cidade. Estão todas vivas e ele nunca se divorciou de nenhuma. Todavia não infringiu a lei. Consegue explicar?

7. «Este pássaro», disse o homem da loja de animais, «repete qualquer palavra que ouça.» Uma semana mais tarde, a senhora que comprara o pássaro voltou à loja para reclamar que o pássaro ainda não dissera uma única palavra. Todavia, o vendedor dissera a verdade. Explique.

Martin Gardner, op. cit., p. 181.


* Consultar a caixa de comentários do post anterior.

21.10.04

Descubra as soluções

Ah ! Lógico!

Seis Charadas furtivas

Quando a música acabou, os seis amigos vol­taram para a mesa e divertiram-se perguntando charadas uns aos outros. Quantas consegue o leitor descobrir?

o rapaz de vermelho pôs a primeira. Frank: A semana passada desliguei a luz do meu quarto e consegui ir para a cama antes de o quarto ficar escuro.
Se a cama estava a 3 metros do interruptor, como fez ele isso?

o rapaz de azul disse:
Henry: Sempre que a minha tia me vem visi­tar ao apartamento sai do elevador cinco anda­res antes e vai a pé o resto do caminho. Con­seguem dizer-me porquê?

o rapaz de verde disse:
Inman: Que palavra comum começa com IS, acaba com NO e tem LA no meio?

A rapariga de vermelho disse.
Jane: Uma noite, o meu tio estava a ler um livro entusiasmante quando a sua mulher des­ligou a luz. Apesar de a sala estar escuríssima, ele continuou a ler. Como pôde ele fazer isso?

A rapariga de verde disse.
Mabel: Esta manhã, um dos meus brincos caiu no meu café Apesar de a minha chávena estar cheia, o brinco não ficou molhado. Como foi isso?

A rapariga de azul pôs a última charada.
Laura: Ontem, o meu pai foi apanhado pela chuva sem chapéu-de-chuva. Não tinha nada na cabeça e a sua roupa ficou ensopada. Mas nenhum cabelo da sua cabeça ficou molhado. Como aconteceu isso?


Martin Gardner, Ah, Descobri!, (Lisboa Gradiva, 1990), pp. 160-161

Confidências e Desabafos de Savarin (59)

Faltam 2 meses e 2 dias para o Natal, por isso é tempo de preparar um bolo de mel grego, porque fica mais saboroso se for consumido dois meses depois.

BOLO DE MEL GREGO



Ingredientes


275 g de mel claro
1/2 c. de chá de cravos-da-índia em pó
1/2 c. de chá de canela em pó
1/2 c. de chá de noz-moscada em pó
90 g de manteiga, amaciada
90 g de açúcar mascavado castanho-escuro
3 ovos (tamanho 3), separados
1 c. de chá de bicabornato de sódio
250 g de farinha simples
1c. de chá de fermento em pó
90 g de frutas secas variadas
90 g de nozes, picadas
mel quente e metades de noz, para decorar



Preparação


Forre a base e os lados de uma forma de metal quadrada, com 18 cm de fundo, com papel anti-aderente. Aqueça o forno a 160°c.
Aqueça o mel, cravos-da-índia, canela e noz-moscada numa panela, deixando levantar fervura e depois esfriar.
Deite a manteiga e o açúcar numa tigela e bata com uma colher de pau até ficar leve e
fofa. Junte as gemas uma a uma, batendo de cada vez.
Adicione o mel e o bicabornato de sódio misturados e bata até ficar cremoso.

Peneire a farinha e o fermento em pó. Misture suavemente com uma espátula e incorporar bem .
Numa tigela limpa, bata as claras em castelo e acrescente ao preparado anterior. Envolva suavemente as frutas e as nozes nessa mistura, deite-a na forma preparada e alise a superfície com uma espátula ou faca.
Leve ao forno durante 1 hora-1 hora e 10 minutos, até o bolo levantar bem e dourar, e o topo voltar a cima quando premido no meio.
Deixe o bolo arrefecer na forma, depois volte-o sobre uma grelha metálica e retire o papel anti-aderente. Envolva o bolo em papel celofane ou de alumínio e guarde-o 1 -2 meses antes de o consumir, pois o sabor e a textura melhorarão. Para servir, passe-lhe mel quente pelo cimo e enfeite com metades de noz.

Adaptado de Jane Newdick, As Mais Belas Ideias para o Natal, (Livraria Civilização Editora, 1997), p. 180.



Amarelo e branco Posted by Hello
Até breve Outono

The autumn night
is long only in name -
We've done no more
than gaze at each other
and it's already dawn.

Ono no Komachi, In the Ink Dark Moon, (New York, Vintage Books, 1990) p. 19
Lago, luz e cor

A luz daquele lago - e ao dizer luz, também, digo cor - encheu-me os olhos e o espírito de beleza e alegria para todo o Inverno.
Confidências e Desabafos de Savarin 58 (conclusão, enfim o fim!)


Bolo Jamaica

Ingredientes

Massa

6 ovos
200 gr de farinha
200 gr de açúcar
125 gr de manteiga
café solúvel
1 cálice de rum

Creme inglês

1/2 l de leite
1 vagem de baunilha
4 gemas
açúcar qb

Preparação

Bolo

Bater os ovos inteiros com açúcar até ficarem espumosos. Juntar, alternadamente, a farinha e a manteiga derretida e misturar muito bem. Aromatizar com o café dissolvido no rum, bater.
Levar ao forno, em forma redonda com buraco , untada com manteiga e polvilhada com farinha.
Cobrir com o creme inglês e decorar com amêndoa torrada às lascas ou fruta cristalizada.

Creme

Aquecer o leite com a vagem de baunilha. Bater as gemas com o açúcar e juntar-lhes um pouco do leite quente, misturar bem e acrescentar ao restante leite. Levar ao lume em banho Maria e mexer bem até espessar. Retirar a vagem de baunilha.

Notas: Este bolo tem a vantagem de ser de fácil preparação e excelente sabor. Para os mais gulosos aconselha-se duplicar a receita de creme, pois a associação do bolo doses reforçadas de creme é deliciosa.
Confidências e Desabafos de Savarin 58 (continuação)

Pasta de Atum com natas

Ingredientes

2 latas de atum
1 pacote de natas
sumo de limão
pimenta de caiena qb
ervas aromáticas a gosto (facultativo)

Preparação

Bater as natas numa batedeira - de preferência daquelas autónomas, que rodam sózinhas - com o sumo de limão até ficarem bem firmes, tipo chantilly sem açúcar. Entretanto, escorrer o atum e esmagá-lo com um garfo, ou triturá-lo num daqueles aparelhos que dá pelo sugestivo nome de 1, 2, 3... Temperar com pimenta de caiena.
Servir sobre folhas de alface, ou finas rodelas de pepino ou de limão. Ou ainda, apenas em taças, decorada com ervas aromáticas.
Acompanhar com pão, tostas, sortido inglês de bolachas de água e sal, etc e tal.

Trata-se de uma variante da pasta de atum com maionese. Prefiro esta versão, por me parecer mais leve.

Bolo de crepes à florentina Posted by Hello
Confidências e Desabafos de Savarin 58 - Continuação

Bolo de crepes à Florentina

Ingredientes

20 crepes

Recheio

25 gr de manteiga
1 alho francês picado
250 gr de espinafres cozidos a vapor
3 chávenas de molho Mornay
125 gr de cogumelos laminados
1 dente de alho
110 gr de ricota
1 ovo batido

Derreter metade da manteiga e saltear o alho francês. Juntar os espinafres, sal e pimenta a gosto. Deixar estufar durante 5 minutos. Adicionar molho Mornay.
Derreter a restante manteiga e saltear os cogumelos com um dente de alho muito picadinho. Arrefecer e misturar o ricota. Adicionar o ovo com três colheres de sopa de Mornay e mexer bem.
Untar um prato que possa ir ao forno e à mesa, colocar um crepe, espalhar a mistura de espinafres, cobrir com outro crepe, espalhar o creme de cogumelos. Repetir as camadas até esgotar todos os ingredientes. Terminar com um crepe guarnecido com o restante molho Mornay.
Levar ao forno até dourar e servir cortado em fatias.

Notas: Também fica muito bom só com o creme de espinafres ou com os cogumelos misturados com os espinafres sem ricota nem ovo.


Outono 1 Posted by Hello

Outono 2 Posted by Hello

Outono 3 Posted by Hello

Ponte com amarelo, rosa e verde Posted by Hello

Casa em Trondheim  Posted by Hello

20.10.04


Salada de batata com salmão fumado Posted by Hello
Confidências e Desabafos de Savarin (58) - Continuação

SALADA DE BATATA COM SALMÃO FUMADO

INGREDIENTES

Salada

2 batatas cozidas e esmagadas
8 batatas cozidas e cortadas em cubos pequenos
sumo de 1/2 limão
2 colheres (sopa) de salsa
2 colheres (sopa) de cebolinho
Sal e pimenta
a gosto

Molho aioli

3 chávenas (chá) de maionese
2 dentes de alho

Forrar a forma

3 pacotes de salmão fumado, cortado em
fatias (300 g)

Decoração

Raminhos de endro ou salsa
grãos de pimenta rosa

Preparação

Preparar a salada Numa travessa, misturar as batatas esmagadas, o limão, a salsa, o cebolinho, o sal, e a pimenta. Amassar bem e acrescentar as batatas em cubos. Misturar e reservar.

Embrulhar os dentes de alho em folha de alumínio e levar ao forno (200°C), por cerca de 30 minutos. Retire-os do forno, reduzir a puré e juntar à maionese.

Misturar o creme com a salada de batatas. Untar com óleo, ou forrar com papel de alumínio, uma forma de bolo inglês (13 cm x 26 cm) , e revestir com as fatias de salmão, deixando sobrar um pedaço de 5 cm de cada fatia para fora (que depois vão cobrir toda a forma).

Colocar a salada na forma, apertando de leve com uma colher. Fechar com as fatias de salmão, cobrir com fibra aderente e deixar no frigorífico até o momento de servir

Desenformar e decorar com raminhos de endro e pimenta rosa.


Notas: Quem não gostar do sabor dos alhos, pode utilizar maionese simples.
O endro pode ser substituído por outra erva aromática e o cebolinho por cebola picada, muito picadinha.

Ilustração do Savarin (56)

Sopas: de agriões, Dubarry, de cenoura e de tomate. Posted by Hello

19.10.04

Confidências e Desabafos de Savarin (58)

Ementa aleatória


Em geral, organizo previamente as ementas das refeições festivas. Todavia, por vezes gosto de ser interpelado pelos alimentos, e criar uma ementa a partir de um diálogo empático com os géneros que vou descobrindo nos locais de venda. Foi o que aconteceu há dias.

Assim, na Quinta-feira ao olhar para uma bela perna de borrego na Cooperativa de Consumo, logo a destinei ao almoço de Sábado, numa versão indiana que requeria dois dias de marinada.
Um molho de espinafres fez-me pensar num bolo de crepes à florentina para entrada, os chocolates, para uso culinário, ordeiramente empilhados na prateleira foram, num ápice, associados à tradicional e popular mousse de chocolate para a hora da sobremesa, bem assim, como o café, o rum, e a vagem de baunilha suscitaram a confecção de um bolo Jamaica.
No dia do evento, de súbito, lembrei-me de uma deliciosa salada de batatas com salmão e logo alguém se ofereceu para ir comprar os ingredientes em falta para a sua preparação.
Da conjugação de todos estes acasos resultou a seguinte ementa:

Entradas

Bolo de crepes à florentina
Salada de batata com salmão
Pasta de atum com natas

Prato principal

Perna de borrego com especiarias à indiana com arroz basmati

Sobremesas

Fruta
Mousse de chocolate
Bolo Jamaica
Bolo de aniversário

As receitas da perna de borrego e da mousse de chocolate já foram aqui publicadas.
As restantes serão divulgadas logo que possa, talvez hoje ao fim da tarde.

Confidências e Desabafos de Savarin (57)

Infracções aos três princípios da lógica bivalente no reino da restauração portuguesa!!!


Eis o Outono (3)

Ao som do vento e da chuva, evoco a coloração das folhas num Outono distante em Trondheim, a visão de uma aurora boreal, o mar a saltar a doca de Ponta Delgada ... e só me apetece ler e copiar belos poemas alusivos à estação.


Though we knew each other
without overlapping
our clothes,
still,
with this autumn wind's sound,
I find myself waiting for you.

Izumi Shikibu, The Ink Dark Moon, (New York, Vintage Books, 1990), p.67


Dia de Outono

Senhor: é tempo. O Verão foi muito longo.
Lança a tua sombra sobre os relógiosde sol
e solta os ventos sobre as campinas.

Manda que os últimos frutos se arredondem;
leva-os à perfeição e faze entrar
a última doçura no vinho pesado.

Quem agora não tem casa, já não vai construí-la.
Quem agora está só, longo tempo o será,
fará vigílias, e lerá, escreverá longas cartas
e vagueará, de cá para lá, nas alamedas,
agitado, quando o vento arrasta as folhas.

Rainer Maria Rilke, Poemas de Duíno e Sonetos a Orfeu, (Porto, O Oiro do Dia, 1983), pp. 80-81


17.10.04

Destaque literário

Faço aqui a apologia das Musas Esqueléticas, esqueléticas apenas de nome, e do seu excepcional Bloco de Notas. Dois blogs/blogues do melhor que há, a requerer leitura atenta.
Não digo mais, porque o que interessa mesmo é ler os poemas, as histórias, as observações e tudo o mais que por lá se poderá descobrir.


15.10.04

Destaques

Miniscente e Modus Vivendi, Saudades de Antero, faz tempo que não realço, por aqui, estes três excelentes blogs/blogues. Leitura, no presente, diária e sempre agradada de uma certa planta.
Filosofia e Inquietação


“A filosofia é a inquietação posta em prática.”

Daniel Innerarity, A Filosofia como Uma das Belas-Artes, (Lisboa, Teorema, 1995), p.26.

Já agora, porque é Sexta-feira, e continuando numa onda de inquietude esta noite irei a um local novo e pleno de interesse, o Ritz.

14.10.04

Novos objectivos pedagógicos: apropriar

Esta manhã, numa reunião de grupo realizada com o intuito de elaborar um documento para estabelecer novos critérios de avaliação a utilizar durante este ano lectivo, tivemos que nos fundamentar em orientações impostas por "instâncias superiores". Ao analisar as referidas orientações, deparamo-nos com um objectivo pedagógico deveras sugestivo: O aluno deverá "apropriar-se, progressivamente, da especificidade da filosofia."
Confidências e Desabafos de Savarin (56)

"In the evening the warm soup is most welcome" (1)

Outra vez sopa?!!!

Parece concorrência ao incendiário da padaria ...

Não resisto a transcrever, aqui, um trecho da introdução ao capítulo sobre sopas, de um livro americano sobre culinária francesa...Trata-se de uma passagem eivada de antropomorfismo e animismo conjugados de modo a enaltecer a sábia combinação de sabores implícita na elaboração das sopas à moda gaulesa.

Perhaps soups best demonstrate one important aspect of French cuisine: the sophistication of a knowing simplicity.
Even in this brief collection of vegetable soups, deceptively simple ingredients, though few, are balanced wisely in order to creat a specific taste.
Mushrooms are more mushroomy when mellowed by gentle sauteed onions; peas are sweeter when tempered by a bit of carrot; leeks seem smoother, richer when potatoes add quiet body; onnions show off best in a rich, meaty broth that is seasoned by other vegetables.

On down the list of the soups, one vegetables helps another achieve unexpectade potencial.

Jerry Anne Di Vecchio; Judith A. Gaulke, French Cook Book, (Menlo Park, California, Lane Publishing C0., Sunset Books, 1977), p.15

(1) op.cit, p.17
Manhã

nas agulhas verdes
do pinheiro à esquina da escola
orvalho

Lembram-me um haiku de Matsuo Bashô:

Não esqueças nunca
o gosto solitário
do orvalho

Matsuo Bashô, O Gosto Solitário do Orvalho, (Lisboa, Assírio & Alvim, 2003), p.23

9.10.04

Confidências e Desabafos de Savarin (55)

Caixas e Chapéus doces


Caixa doce 1 Posted by Hello

Caixa doce 2 Posted by Hello

Chapéu doce 1 Posted by Hello

Chapéu doce 2 Posted by Hello

Chapéu doce 3 Posted by Hello

Chapéu doce 4 Posted by Hello

Chapéu doce 5 Posted by Hello

Chapéu doce 6 Posted by Hello

Nós

Naquela manhã XY escreveu a XX: "Existe um nós? Um nós resistente e persistente, mais forte do que cada um de nós."
XX pensou: - Um nós que se formou ao longo do tempo, transcendeu todos os afastamentos, todos os equívocos. Afinal, um nós é uma espécie de força semelhante à que mantém a ligação entre os quarks.

Confidências e Desabafos de Savarin (54)

A propósito de sopas

"Only the pure in heart can make a good soup."
Ludwig van Beethoven



"I live on good soup, not on fine words."
Molière

"An old-fashioned vegetable soup, without any enhancement, is a more powerful anticarcinogen than any known medicine."
James Duke M.D.(U.S.D.A.)


"It [soup] breathes reassurance, it offers consolation; after a weary day it promotes sociability...There is nothing like a bowl of hot soup, it's wisp of aromatic steam teasing the nostrils into quivering anticipation."
Louis P. DeGouy, Waldorf-Astoria chef), The Soup Book (1949)

"Hot soup at table is very vulgar; it either leads to an unseemly mode of taking it, or keeps people waiting too long whilst it cools. Soup should be brought to table only moderately warm." Charles Day, Hints on Etiquette (1844)

"Soup and fish explain half the emotions of human life."
Sydney Smith

"It [soup] is to a dinner what a portico or a peristyle is to a building; that is to say, it is not only the first part of it, but it must be devised in such a manner as to set the tone of the whole banquet, in the same way as the overture of an opera announces the subject of the work." Grimod de la Reynière

"An idealist is one who, on noticing that a rose smells better than a cabbage, concludes that it will also make better soup."
H.L. Mencken

"I believe I once considerably scandalized her by declaring that clear soup was a more important factor in life than a clear conscience."
'Saki' (Hector Hugh Munro), Scottish writer (1870-1916)

"What an awful thing life is. It's like soup with lots of hairs floating on the surface. You have to eat it nevertheless."
Gustave Flaubert


"Soup puts the heart at ease, calms down the violence of hunger, eliminates the tension of the day, and awakens and refines the appetite. (...)
Of all the items on the menu, soup is that which exacts the most delicate perfection and the strictest attention."
Auguste Escoffier

8.10.04

Vantagens da Chuva


Para além de encher as barragens, regar os campos, varrer a poeira dos telhados, entre outros benefícios, a chuva tem uma vantagem de carácter estético muito importante, impedir o género masculino de usar calções e exibir pernas do tipo rã felpuda- uma verdadeira monstruosidade, uma contradição ambulante, pois as rãs têm uma pele lisa e viscosa - com que a maior parte dos seus elementos foi agraciada pela Natureza.
Em prol dos valores estéticos, apenas a 99% dos homens deveria ser permitido o desfile em calções na praça pública. Quanto aos restantes seriam limitados, com muito boa vontade, à utilização de bermudas, de preferência largas e o mais compridas possível...
Eis o Outono (2)

E começou a chover, mesmo.
Por isso, e não só mas também, apetece consoante os talentos, simplesmente ouvir, ouvir e cantarolar, ouvir e cantar, ouvir e dançar ou ainda ouvir, cantar e dançar:

Singing in the Rain


I'm singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
For love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I've a smile on my face
I'll walk down the lane
With a happy refrain
Singing, singing in the rain
In the rain. La...
I'm singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I walk down the lane
With a happy refrain
I'm singing, singing in the rain
In the rain
In the rain
Os Bons Conselhos de Horácio (65 a.C. - 8 a.C.)

Conselhos sobre a nobre arte da escrita, a estender a outras áreas da actividade humana...

Sumite materiam uestris, qui scribitis, aequam
uribus et uersate diu quid ferre recusent,
quid ualeant umeri. Cui lecta potenter erit res,
nec facundia deseret hunc, nec lucidus ordo.

Vós que escreveis, escolhei matéria à altura das vossas forças e pesai no espírito longamente que coisas vossos ombros bem carregam e as que eles não podem suportar. A quem escolher assunto de acordo com as suas possibilidades nunca faltará eloquência nem tão-pouco ordem luzida.

Horácio, Arte Poética, Introdução, tradução e comentários de R.M. Rosado Fernandes, (Lisboa, Inquérito, 1984), pp.56-57

7.10.04

Eis o Outono!

O vento entra pelas varandas, derruba molduras, faz voar papéis e bater as portas com euforia e alguma frescura.
No largo já se pode passear sobre folhas amarelas e castanhas ou ver esvoaçar as mais favorecidas pelo acaso.
Depois de todo o caos à volta da colocação dos professores, as crianças voltaram à escola...

E agora, vou recitar um poema, inusitado, sobre o Outono:

Dia de Outono

É um céu, um início já, e mais frio, como se algum passado pudesse recomeçar ainda.
Repetir-se, repete mais quente esse: Vem, no seu azul relembrado, azul imenso.
Além do fim da estrada, dos fios, e mais longe, como se houvesse e de novo
desígnio.O espaço e logo a fuga, ao longo de um regato, em busca, entre silvas.
O amarelo dos muros e os frutos, pendendo cada dia das cercas e dos ramos.
O verde das folhas, um aroma de novo mais frio e quente, e de novo mais longínquo, branco, o seu azul.
Ou num pátio a folhagem que o vento juntou na sombra.

Michael Donhauser, Das Coisas, (Lisboa, Quetzal Editores, 2000), p. 16

Afirmações polémicas

Sobre a História:

L'Histoire est le produit le plus dangereux que la chimie de l'intellecte ait élaboré. Ses proprietés sont bien connus. Il fait rêver, il enivre les peuples, leur engendre de faux souvenirs, exagére leurs réflexes, entretient leurs vieilles plaies, les tourmente dans leur repos, les conduit au délire des grandeurs ou à celui de la pérsecution, t rends les nations amères, superbes, insupportables et vaines.
L'Histoire justifie ce que l'on veut. Elle n'enseigne rigoureusement rien, car elle contient tout, et donne des exemples de tout.
Que de livres furent écrits qui se nommaient: "La Leçon de ceci, les Enseignements de cela!..." Rien de plus ridicule à lire après les évenements qui ont suivi les évenements qui ont suivi les évenements que ces livres interprétaient dans le sens de l'avenir.

Paul Valéry, "De l'Histoire," in Regards sur le Monde Actuel, (Paris, Gallimard, 1982), p. 36.

Estímulos da Existência Autêntica (2)


O Tédio

"O tédio profundo que perpassa como silencioso nevoeiro sobre os abismos da nossa existência, funde ao mesmo tempo num tom de uniforme indiferença todas as coisas, o mundo, os outros homens e nós próprios."

Heidegger, Metafísica, 14


Apologia da Justiça

Já dizia Hesíodo, num texto que nos faz reflectir sobre o actual estado da nação e do mundo:

E tu, Perses, põe isto bem firme na tua mente:
atende à justiça, esquece-te por completo da violência.
É essa a lei que o Crónida prescreveu aos homens:
que os peixes, os animais selvagens e os pássaros alados
se devorem uns aos outros, pois entre eles não há justiça:
mas aos homens deu ele a justiça, em muito o maior dos bens [...]

Trabalhos e Dias, 274-280

4.10.04

Apologia da Filosofia (1)


"Aquele que não tem qualquer luz de filosofia atravessa a existência, prisioneiro dos preconceitos derivados do senso comum, das crenças correntes no seu tempo e no seu país, das convicções que cresceram nele sem a cooperação nem o consentimento da razão."

Bertrand Russell


3.10.04

A evanescência
Gestação

Nada acontece de rompante tudo tem um período de maturação. Mesmo o inesperado surge a partir de uma matriz oculta numa qualquer penumbra do tempo.
As pessoas e as coisas têm os seus ritmos próprios, não devem ser tomadas de assalto.

2.10.04

Provérbios

A impaciência é a causa de muitos dissabores, pois lá diz o ditado:

"Saber esperar é uma grande virtude."