23.9.04

En Doceur

Le verbe aimer se décline doucement...

22.9.04

O Grande Amor

Este post é dedicado a todos os corações - femininos e masculinos, conhecidos e desconhecidos - no momento, a suspirar por amor...

Antonio Carlos Jobim - Vinícius de Moraes, 1963

Haja o que houver, há sempre um homem,
para uma mulher.
E há de sempre haver para esquecer,
um falso amor e uma vontade de morrer.
Seja como for há de vencer o grande amor,
que há de ser no coração,
como um perdão pra quem chorou.

Nota: a letra é um tanto sexista.

20.9.04

Araçás (2)

Através de reacções ao post anterior, fiquei a saber que os araçás têm incondicionais apreciadores!

19.9.04

Sabores da Infância

Araçás

Sábado à tarde, tive a grata surpresa de reencontrar um fruto da minha infância, num local inesperado, o Jardim Garcia da Horta no Parque das Nações: o araçá. Neste caso araçás roxos originários do Brasil. Os araçás com que me deliciava, quando criança, eram açorianos mais precisamente micaelenses, e não eram roxos, mas amarelos ou vermelhos. No entanto, o sabor é muito semelhante, apesar da diferença de cores e de terra natal.



Rosa Turenne Posted by Hello

18.9.04

Um jardim de cheiros

Era um jardim para cegos. A vista constantemente se ofendia, mas o olfacto, esse podia extrair dele um prazer violento, embora grosseiro. As rosas Paul Neyron, cujas estacas ele próprio aquirira em Paris, haviam degenerado. Primeiro estimuladas, depois extenuadas pelos sucos vigorosos e indolentes das terras sicilianas, queimadas pelos Julhos apocalípticos, haviam-se transformado numa espécie de couves cor de carne, obscenas, que destilavam, porém, um aroma denso, quase desonesto, que nenhum criador francês teria ousado esperar.

Tomasi di Lampedusa, O Leopardo, (Livros Unibolso, s/d), p.12

Bombe glacée  Posted by Hello

Confidências e Desabafos de Savarin (53)

Uma Bombe para a Bomba pelo seu aniversário. Parabéns!

Bombe glacée de ananás e laranja

Ingredientes (para 6-8 pessoas)

Para a calda de açúcar

200 gr de açúcar

Para o gelado de ananás

350 g de polpa de ananás
1/2 clara de ovo

Para o gelado de laranja

300 g de sumo de laranja
112 clara de ovo
Para a decoração
2 rodelas de ananás - 1 laranja
1 colher de natas batidas
1 flor de açúcar

Utensílios

sorveteira
1 forma para bombe glacée

Preparação

Preparar a calda de açúcar: deitar num tacho pequeno1/2 litro de água e o açúcar; levá-lo ao lume e deixar ferver durante 8-10 minutos. Retirar do lume, dividir a calda em duas
tigelas e deixe arrefecer. Colocar a forma no congelador.
Preparar o gelado de ananás: liquefazer a polpa do ananás e passá-la pelo passador,
juntar a calda de uma das tigelas e misturar bem. Verter a mistura numa sorveteira e
programar de acordo com o tempo indicado nas instruções. A meio do tempo programado,
adicionar a clara e completar a elaboração.
Assim que o gelado estiver pronto, distribuir com uma espátula recobrindo as paredes da forma bem fria, formando uma camada à volta de 1 centímetro e meio. Colocar a forma no congelador e deixar no frio durante pelo menos durante 1 hora.

. Entretanto, preparar o gelado de laranja: deitar o sumo de laranja na tigela com a calda de açúcar; misture e verter na sorveteira. Programar de acordo com o tempo indicado
nas instruções. A meio do tempo programado, juntar a clara e completar a elaboração.
.Tirar do congelador a forma com o gelado de ananás e encha-a com o de laranja; com uma espátula nivelar a superfície e levar ao congelador durante, pelo menos, 2 horas.
No momento de servir, mergulhar, por um instante, a forma em água morna e desenformar
a bombe glacée no prato de servir. Decorar o topo da bombe com um toque de chantilly e colocar por cima uma violeta cristalizada. Dispor no contorno da bombe as rodelas de ananás divididas em 4 partes e os gomos da laranja sem pele.

17.9.04

Objecto Sexual (3)

O número de pedidos para divulgar mais uma desconcertada página do Diário dilacerante de Lúcio de Lacerda, bem assim, como a insistência de alguns leitores, justificam o risco de vir a ser processada pelo seu autor, aliás habituado a ser manipulado...

Durante um mês fiquei sem notícias de Lavínia. Por isso, quando nos reencontramos, uma noite no Beleza, confessei-lhe que a abstinência dela era dolorosa, declarei-me um romântico egaré e, enquanto tal, ser-me cada dia mais difícil assumir o estatuto de cada vez gostar mais de estar com ela e não poder dizer que a amava. Então, Lavínia interrogou-se, com displicência, sobre o motivo que levaria todas as pessoas com quem tivera trocas eróticas a fazer efusivas declarações de amor depois de terminados os rituais em louvor de Afrodite. Como se fosse inevitável estabelecer uma relação de causa efeito entre gratificação sexual e amor. Neste ponto da conversa, atingido pelo cinismo, sem limites destas palavras , entornei mais de metade do meu copo de vodka, mesmo em cheio, no decote do seu ousado vestido.
Mas, Lavínia continuou sem qualquer perturbação, a explanar as suas teses. De acordo com as quais a tendência para fazer a associação acima referida, seria identificável na maioria dos homens ou mulheres analisados. Tal inclinação constituiria, entre outras, um obstáculo à plena fruição erótica. Tal como se verifica numa empresa, o principal motivo em que assentaria o insucesso do investimento sexual de muitos indivíduos dever-se-ia ao facto dos seus objectivos não estarem claramente definidos. Daí que a fixação e hierarquização de objectivos devesse constituir a primeira preocupação de um administrador eficaz.
- Há que planear, organizar, dirigir e controlar a actividade sexual! É urgente quantificar, medir e avaliar os resultados alcançados!- exclamava com entusiasmo.
-Deve começar-se por fixar os objectivos globais. Criar uma rede ou hierarquia de finalidades. E prosseguiu: - Nesse sentido, elabora-se um plano estratégico para operacionalizar e atingir as metas definidas, como é o caso da procura e aquisição de bens, ou seja de objectos/produtos sexuais compatíveis, de qualidade, com custos razoáveis, e consequente rentabilização dos mesmos. É um plano orientado para longo prazo, desdobrando-se em vários planos tácticos que correspondem à concretização a médio ou curto prazo dos objectivos definidos no plano estratégico. Há que saber compatibilizar os objectivos parcelares, que envolvem a departamentalização, com os objectivos globais. Por último, será preciso delinear os planos operacionais que se caracterizam pela sua especificidade, e minúcia, a concretizar num curto espaço de tempo. São planos de ataque imediato, para resolver problemas do dia-dia, técnicas de sedução para necessidades de última hora.


Vou passar a exemplificar:

Os objectivos globais prendem-se com vectores como:


- a frequência/intensidade da actividade, a saber contínua, intermitente, esporádica;
- a quantidade de objectos necessários à actividade, um ou vários por dia, por semana, por mês, e assim por diante;
- a duração do intercâmbio com o/os objecto/os: curta, média, longa ;
- a inclinação: bissexual heterossexual, homossexual, sado-masoquista, idade, outras variações.

-a diversidade (características físicas, emocionais e intelectuais, nacionalidade): um só tipo físico, dois tipos físicos contrastantes, todos os tipos físicos, intelectual, artista, camionista, etc;
Estes objectivos ligam-se directamente à departamentalização, uma vez que os objectivos das categorias frequência/intensidade, quantidade e duração, integram-se na departamentalização por processo. Neste tipo de departamentalização deve ter-se em conta a disposição racional dos recursos a utilizar. Os da categoria inclinação fazem, simultaneamente, parte da departamentalização por clientela e da departamentalização pelo tipo de serviços prestados - os objectos de acordo com o sexo e a idade devem ser integrados no departamento feminino ou masculino, junior ou sénior; e segundo as variações técnicas felatio, cunnilingus , outras , por exemplo, na departamentalização por serviços - a categoria diversidade quanto às características físicas e outras, está relacionada com a departamentalização por produtos (louros, morenos, gordos, magros, inteligentes, estúpidos, etc), quanto à nacionalidade é evidente a correlacção com a departamentalização geográfica.
Mas - rematou- o factor crucial é a implementação de sistemas eficazes de comunicação e informação sobre as novas tecnologias, sobre os novos mercados, as redes de influências. Enfim o saber, de acordo com o guru Peter Drucker, numa entrevista ao L'Expansion, é o segredo do êxito nos negócios.

Dias piores viriam quando Lavínia dirigiu a sua curiosidade intelectual para as obras de Wilhelm Reich...

16.9.04


Charlotte de framboesas Posted by Hello
Confidências e Desabafos de Savarin (52)

Framboesas escondidas à sobremesa

Charlotte de framboesas




Ingredientes para 1 forma
com 18 cm de diâmetro:


Para a charlotte:

3 dl de natas frescas
1 queijo fresco
400 g de framboesas
5 folhas de gelatina
2,5 dl de água
I vagem de baunilha
2,5 dl de leite
4 gemas
4 colheres de açúcar
I colher de chá de manteiga
I colher de chá de açúcar
21 palitos la reine

Para o molho:

400 g de framboesas
2 colheres de açúcar confeiteiro
I colher de sumo de limão
2 cl de aguardente de framboesa
(1 cálice)

Preparação

Tempo de preparação: 1 hora
Tempo no frigorífico: 12 horas

Arrefecer as natas e o queijo fresco no frigorífico, pois devem ser utilizados muito frios. Lavar as framboesas e elimine todas as impurezas. Deixar escorrer num passador. Pôr as folhas de
gelatina de molho em água fria.
Abrir a vagem de baunilha na longitudinal e raspar o conteúdo com uma faca. Ferver o leite com a baunilha em pó e a vagem e o açúcar, mexendo sempre; retirar o leite do lume e juntar as gemas, uma de cada vez.
Levar de novo ao lume e continue a mexer até o creme espessar. Nunca deixar ferver. Escorrer as folhas de gelatina, adicioná-las ao creme quente, mexendo, e deixe arrefecer, continuando a mexer com frequência. Introduzir o creme no frigorífico para arrefecer.
Untar a base e as paredes da forma com manteiga e polvilhar com o açúcar confeiteiro. Colocar os palitos
na vertical, com a parte arredondada a ultrapassar ligeiramente os limites da forma; deixar de
parte um palito. Bater as natas e o queijo fresco com a batedeira de varinhas. Bater também o creme de ovo e misturá-lo, em pequenas porções, com as natas batidas.
Verter um terço do creme na forma com os palitos e distribuir por cima metade das framboesas.
Espalhar mais uma camada de creme e, sobre esta, as framboesas.
Deitar o restante creme sobre as framboesas. Esfarelar o palito la reine guardado para o efeito e
polvilhe-o sobre creme. Colocar a forma, tapada, no frigorífico durante 12 horas. Pouco antes
de servir a charlotte lavar a segunda porção de framboesas, deixar escorrer e guardar cerca de 20 para a decoração. Passar as restantes bagas por um passador fino e bater com o açúcar o sumo de limão e a aguardente de framboesas, ou passar tudo pelo passe-vite. Antes de
servir, mergulhar a forma com o creme rapidamente em água quente, desenformar sobre uma
travessa e decorar a parte superior com as framboesas que guardadas para o efeito. Servir a charlotte acompanhada com o molho de fruta.


Soufflé de baunilha

Ingredientes:

500 g de framboesas
1 colher de aguardente
de framboesa
100g de açúcar
5 ovos
1vagem de baunilha

50 gr de farinha
1colher de natas
2 colheres de sumo de limão
1colher de chá de raspa de limão
25 gr de maisena
1colher de chá de maisena

Para a forma:manteiga e açúcar
Para polvilhar:
1 colher de açúcar confeiteiro


Preparação

Lavar as framboesas, escorrer e misturar com a aguardente e 2 colheres de açúcar.
Aquecer o forno a 180ºC. Untar uma forma para soufflé com manteiga e polvilhar com açúcar.
Separar as gemas das claras. Abrir a vagem de baunilha ao meio na longitudinal, raspar o conteúdo e adicionar, juntamente com metade do restante açúcar, às gemas; bater tudo bem para que a mistura fique espumosa. Bater as claras em castelo com o sal e o restante açúcar. Misturar a farinha com a maisena e juntar, com as natas à preparação de gemas. Adicionar as claras em castelo. Deitar metade da mistura na forma, distribuir por cima 250 gr de framboesas escorridas e cobrir com a restante parte. Cozer o soufflé na prateleira central do forno durante 35 minutos, até ficar dourado. Pôr as restantes framboesas a cozer com o sumo que possam ter largado, o sumo e a raspa de limão e 1,25 dl de água, durante 5 minutos, juntar a maisena diluída em água fria e dar uma fervura. Polvilhar o soufflé com o açúcar confeiteiro e serva de imediato, acompanhado do molho de framboesas.

A arte de escrever cartas de amor, por Schultz
Passionate Peanuts, 1996

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15.9.04

O Palácio Encantado da Memória (4)

Da inevitabilidade da transitoriedade

A banalidade "inexorável" da eterna despedida dos sentimentos, das emoções, das pessoas e das vivências descrita com rigor e beleza, de um modo original.

Confidências e Desabafos de Savarin (51)

A gastronomia greco-latina segundo Eça de Queirós:

Pois eu sei como se cozinhava este jantar em Atenas ou Roma, aí pelos tempos de Augusto e ainda mesmo sob os Antoninos. O peixe, por exemplo pode ser uma tainha. E aqui está como ela se prepara, ó estudiosos. Tomai essa tainha. Escamai e esvaziai. Preparai uma massa bem batida, com queijo (que hoje pode ser parmesão), azeite, gema de ovo, salsa e ervas fragrantes, e recheai com ela a vossa tainha. Untai-a então de azeite e salpicai-a de sal. Em seguida assai-a num lume forte. Logo depois de bem assada e alourada, umedecei-a com vinagre superfino. Servi e louvai Netuno, deus dos peixes.
O outro prato, pois que se trata de um festim ligeiro, pode ser um queque ou pudim feito pela receita do ilustre mestre Crisipo. Tomai duas ou três alfaces, bem repolhudas. Lavai e enxugai. Deitai vinho dentro de um largo almofariz, e pisai, mortificai nele as folhas de alface. Passai por um ralo para que todo o líquido se escoe; e à alface assim machucada no vinho, juntai farinha de trigo, uma pouca de manteiga e pimenta. Pisai de novo, até obterdes uma massa firme. Dai a esta massa a forma de um bolo chato e redondo. Colocai-o na frigideira com azeite, e frigi em um lume vivo. Toda a antiguidade considerou este bolo uma delicia, e chamava-se catillus ornatus. Não sei se gostareis. Era um prato dileto de Pompeu.
Poderemos depois findar, se quiserdes, pela famosa empada de rosas. Era um acepipe muito usado em todas as festas do culto de Vênus. Para o realizar, descei ao jardim, colhei as rosas mais largas e as mais cheirosas. Pisai-as no almofariz. Ajuntai miolos de galinha, de pombo e de perdiz, muito bem cozidos, e depois de os terdes desembaraçado das mais pequeninas fibras. Acrescentai ainda duas gemas de ovos, um fio de azeite puro, pimenta, e vinho velho, de Malvasia. Depois de ter bem mexido tudo, até conseguir uma massa leve e fina, deitai numa caçarola nova de barro, e colocai sobre um fogo lento e contínuo. Logo que a superf¡cie se aloure, servi. Por toda a sala se espalhará um aroma de rosa - e a vossa alma bendirá Ap¡cio Celio, criador desta maravilha.
E já que tivemos rosas em empada, porque não beber¡amos o famoso vinho rosado? As receitas para o fazer diferem - mas a mais simples e rápida é a de Pausanias. Desfolhai um ramo de rosas, guardai-as durante um dia, e deitai-as dentro de dois ou três litros de vinho velho (de Bordéus, hoje). Ao fim de três ou quatro semanas, juntai um arretel de mel. E se pensais que o gosto e o saber de Heliogabalo podem ser seguidos com confiança, acrescentai ao vinho, horas antes de o beberdes, um punhado de pinhões esmagados, como fazia esse esplêndido e imperial estróina.
A¡ está, pois, um muito fácil e acessível jantar greco-latino. Para o saborearem, condignamente, e com proveito cr¡tico, os convivas deverão estar reclinados num triclínio, e coroados de flores.


Eça de Queiroz, Notas Contemporâneas, 1893, (Porto, Lello & Irmão, 1947), 492p. V.10

Cozinha grega contemporânea

Iguarias outonais da cozinha grega com dedicatória: um prato de carne para o homem que deixou arder a padaria e um bolo, a saborear nos intervalos do Kavafis, pela Bomba Charlotte, que também são designações de sobremesas. Tenciono editar, mais tarde, uma receita de charlotte de framboesas e outra de bombe glacée de ananás e laranja.
Segundo Rena Salaman, o primeiro manjar, cuja receita será a seguir transcrita, é originário da Ásia Menor, terá sido adoptada pelos gregos depois da guerra greco-turca de 1922. É ideal para um jantar com amigos, porque pode ser preparado com antecedência e aquecido precisamente antes de ser servido. Escolhi este prato, porque me pareceu uma versão mais refinada/aromática das almôndegas da "cozinha do dia-a-dia"...

Soutzoukakia me elies - Croquetes de carne com cominho e azeitonas verdes

Ingredientes (para 4 pessoas)

Croquetes de carne

700 gr de carne de borrego ou de vaca picada
2 a 3 fatias de pão de espessura média sem côdea
2 dentes de alho esmagados
1 colher de sopa de cominhos em pó
1 ovo ligeiramente batido
25 gr de farinha
5 cl de óleo de girassol para fritar
sal e pimenta preta moída

Molho

5 cl de azeite
1 colher de café de sementes de cominho
400gr de tomates em calda
1 colher de spoa de puré de tomate
2 colheres de café de oregãos secos
12 a 16 azeitonas verdes, de preferência escorridas, britadas ou descaroçadas

Preparação

Croquetes

Demolhar o pão em água, retirar, espremer e colocá-lo numa tigela. Juntar a carne, o alho, os cominhos e o ovo. Temperar com sal e pimenta e misturar com um garfo.

Fazer pequenos croquetes com esta massa. Enfarinhá-los ligeiramente e retirar o excesso de farinha.

Aquecer o óleo de girassol numa frigideira anti-aderente e dourar os ditos cujos.
Dispo-los numa travessa.

Molho

Aquecer o azeite numa caçarola grande. Dourar as sementes de cominho até que elas libertem o seu aroma. Acrescentar os tomates e mexer com uma espátula de madeira durante 2 minutos. Incorporar o puré de tomate diluído em 15 cl de água quente, misturar e juntar os croquetes. Adicionar os com oregãos e as azeitonas, temperar com sal e pimenta ao gosto do freguês. Tapar e deixar cozinhar em lume brando durante 30 minutos, sacudindo a caçarola de vez em quando para evitar que os croquetes se peguem e para os embeber no molho.
Transferir para uma travessa e servir com arroz branco, batatas fritas ou puré.

Halvas - Bolo de sêmola

Ingredientes (para 6 a 8 pessoas)

400 gr de açúcar
1 pau de canela
25 cl de azeite extra virgem
350 gr de sêmola
50 gr de amêndoas sem casca moídas
2 colheres de sopa de pinhões
1 colher de café de canela moída

Preparação

Colocar o açúcar numa caçarola de fundo espesso, verter 1 litro de água e juntar o pau de canela. Deixar ferver mexendo até que o açúcar se dissolva, depois deixar ferver sem mexer durante 4 minutos para obter um xarope.

Paralelamente, aquecer o azeite numa outra caçarola de fundo espesso.Quando estiver bem quente, adicionar a sêmola gradualmente e mexer até que a mistura adquira uma coloração dourada.

Baixar o lume e acrescentar as amêndoas moídas e os pinhões e deixar alourar 2 a 3 minutos mexendo sempre. Retirar do lume e reservar.
Tirar com uma escumadeira o pau de canela do xarope . Adicionar, aos poucos o xarope quente à mistura de sêmola mexendo constantemente. Nesta fase é preciso ter atenção porque a mistura vai respingar e queimar o pasteleiro incauto.
Levar a lume brando e mexer até que o xarope seja absorvido e que a mistura se torne lisa e homogénea. Retirar do lume, tapar e deixar repousar durante 10 minutos.
Colocar a massa numa forma de bolo de 20 a 23 cm de diâmetro, de preferência canelada. Deixar esfriar, depois desenformar para um prato e salpicar com canela moída.


Bibliografia:

Rena Salaman, La Cuisine Grecque, 75 Recettes au Fil des Saisons, (Manise, s/d). pp. 117-118.


13.9.04



Em relação à obra de Lodge, para além do interessante historial crítico que ele faz das concepções filosóficas, literárias e científicas sobre as questões mente/cérebro/consciência, aprecio o cepticismo dele quanto à redução pura e simples da personalidade e da experiência a modelos científicos.

Duas ideias, muito ricas e plenas de consequências, são a de que a literatura é uma pré-ciência da consciência e a de que o romance ou a novela constituem, provavelmente, a mais bem sucedida tentativa do homem para descrever a experiência individual dos seres humanos movendo-se no espaço e no tempo.

Pretendo discorrer mais sobre o assunto, mas por agora limito-me a transcrever duas passagens de Consciousness and the Novel , que considero muito esclarecedoras:

Damasio calls the self that is constantly modified the "core" self, and the self that seems to have a kind of continuous existence the "autobiographical" self, suggesting that it is like a literary production. Daniel Dennett, author of Consciousness Explained , says something very similar. As spiders make webs and beavers build dams, so we tell stories.
"Our fundamental tactic of self-protection, self-control, and self-definition is not spinning webs or building dams, but telling stories, and more particularly connecting and controlling the story we tell others - and ourselves - about who we are."
To Dennett, however, all these stories, and the selves they construct, are illusions, epiphenomena. Damasio's position is more conservative, and to a humanist more congenial. He places himself in the tradition of thinkers as diverse as Locke, Brentano, Kant, Freud, and William James, "all of whom believed that consciousness is 'an inner sense.'"

(...)

In a world where nothing is certain, in which transcendental belief has been undermined by scientific materialism, and even the objectivity of science is qualified by relativity and uncertainty, the single human voice, telling its own story, can seem the only authentic way of rendering consciousness.
David Lodge, Consciousness and the Novel
Parece-me que o autor do Ene Coisas gostará de ler estas passagens, pois nelas encontrará afinidades ...
A Causa

XX julga ter identificado a causa da sua estranha fixação, até agora sem fundamento, por XY. Neste momento, compreende tudo com uma clareza e evidências cartesianas. XY representa a figura de sua mãe já falecida, cuja morte, não aceitou e lhe provoca, ainda, tanta angústia. Apercebe-se que quer o aspecto físico, quer muitos dos traços da personalidade de XY revelam profundas afinidades com a mãe. Daí sentir-se numa espécie de paraíso efémero, mas reconfortante, quando se abraçam. Todos os encontros com XY tinham por objectivo experimentar de novo os efeitos tranquilizadores daquele abraço, melhor seria dizer, daquele colo. A sua relação com XY é um caso de transferência, trata-se de uma projecção do papel simultaneamente protector e frustrador da mãe.

Melanie Klein dixit:

J'ai déjà souligné à quelque point le nourrisson désire que le sein maternel soit inépuisable et omniprésent. Et il apparaît par tout ce qui précéde qu'il ne s'agit pas là seulement d'un désir de nourriture; l'enfant voudrait aussi être débarrassé de ses pulsions destructives et de son angoisse persécutive. Au cours de l'analyse d'adultes, on retrouve ce souhait d'une mère omnipotent, capable de protéger le sujet contre toutes les souffrances et tous les maux provenant de l'intérieur comme de l'extérieur. (...)
Si la frustration n'est pas excessive, elle peut favorizer l'adaptation au monde extérieur et le développment du sens de la réalité. Une certaine somme de frustrations suivies de gratifications permet effectivement à l'enfant de sentir qu'il a été capable d'affronter son angoisse.

Melanie Klein, Envie et Gratitude, (Paris, Gallimard, 2001), p.25.
O Palácio Encantado da Memória (3)

Parece-me, e só ela o saberá, que a Madalena passa grande parte do tempo a retomar e a tentar resolver os casos do passado que não deu por encerrados. Arrisca-se a não viver nem o presente nem o passado, pois se por um lado, nunca está inteira no momento, por outro, as personagens e os acontecimentos do passado já não são os mesmos, mudaram ao sabor das vicissitudes da memória, do tempo e das circunstâncias. Entretanto, os actores, os cenários, o enredo e a acção do presente tornam-se elementos do passado.

O estado de perpétua evocação do passado - podemos dizer de saudade - é um sentimento feito de lembrança e desejo, resulta da consciência de um passado mais rico do que o presente e do desejo de um futuro idealizado.

Na generalidade, considero que bom ou mau, o que passou passou, e armazeno as lembranças nas respectivas secções, mesmo no caso das sinfonias incompletas ou das capelas imperfeitas... No entanto, por vezes, e agora, talvez fascinada pela atitude da minha amiga, sinto uma certa tentação de dar uma segunda oportunidade ao passado, de completar obras inacabadas, terminar histórias incompletas. Nos tempos que correm, o nouveau roman já não convence ninguém...

Pode acontecer, também, que por várias razões, uma figura ou acontecimentos do passado ganhem no presente, uma dimensão ainda maior e mais importante do que aquela que tiveram anteriormente.
Objecto Sexual (2)

A pedido de vários leitores, transcrevo mais uma página do Diário de Lúcio de Lacerda, embora corra o risco de ser processada por copiar demasiado material de uma mesma obra, e deste modo, infringir a lei dos direitos de autor.

Conheci a Lavínia através da sua página pessoal sobre arte japonesa, pois tem um especial fascínio pela poesia e gravura nipónicas . Foi este gosto comum, que me levou a escrever-lhe um e-mail recomendando a leitura de uma colectânea de haikus eróticos. Devo dizer que ao ler a palavra eróticos, Lavínia logo pensou que eu procurava testar os poemas. Assim, começou uma longa troca de mensagens até marcarmos encontro numa conhecida esplanada da cidade, para depois degustar , juntos, o almoço num restaurante japonês. Como objecto de identificação ela levaria o DVD do Império dos Sentidos.
Examinou-me com minúcia e fremiu as narinas. Percebi que o meu aspecto físico lhe desagradara. No entanto, mostrou-se muito gentil e a conversa decorreu com fluidez , temperada com muito humor. No entanto, por vezes parecia longe e olhava-me com desdém. Outras vezes aproximou-se demasiado, fitando-me como se eu fosse um pedaço de sashimi de pargo, considerado no Japão o rei dos peixes, aliás, é alimento sempre presente nas situações festivas. Eu pela minha parte considerei-a desde logo um sashimi de baiacu, leve e delicadissimo, uma iguaria muito perigosa, porque o baiacu é um peixe que contém uma substância venenosa, sendo desaconselhável aos não-especialistas aventurar-se a explorar o seu delicioso sabor.
Como eu iniciara mais uma dieta, apenas bebi chá verde e água mineral, enquanto a Lavínia tomou Saké durante a refeição e rematou-a com Mirin. Reparei ainda que temperou o peixe com doses extra de wasabi e gengibre fresco.
Pouco antes de nos separarmos, falou-me da sua original dissertação de doutoramento onde tentaria estabelecer uma articulação entre as práticas eróticas e a teoria neoclássica da administração de Peter Drucker, nomeadamente a diferença entre eficiência e eficácia, a concepção de ciclo contínuo da administração por objectivos, os diferentes tipos de departamentalização - departamentalização por produtos ou serviços, por processo, por clientela e a departamentalização geográfica - , a organização matricial e sobretudo as funções cruciais da informação no aumento das compensações orgásticas. Segundo Lavínia, tal como acontecia na prática administrativa, verifica-se uma influência dominante da teoria comportamental na abordagem da sexualidade. Há uma excessiva psicologização do erotismo que faz esquecer os factores sociais, económicos, biológicos , enfim todos os aspectos práticos desta actividade. O objectivo principal de Lavínia seria o de fornecer todo um conjunto de orientações concretas, a ser aplicadas por aquilo que ela designaria pelos administradores eficazes do sexo, homens e mulheres capazes de materializar sem preconceitos, nem barreiras sentimentais todo o seu potencial libidinoso, capazes de libertar todas as pulsões eróticas do id num ápice, para de imediato as abafar sem qualquer tipo de efeitos psicóticos ou tão pouco neuróticos. O carácter pragmático da sua teoria torná-la-ia muito operacional na organização das relações sexuais pós-modernas, pautada pela sua dimensão efémera, pela procura e oferta da novidade, da quantidade, da intensidade e da celeridade.
A sua investigação não se poderia integrar num ramo académico específico, na medida em que seria caracterizada por uma forte interdisciplinaridade e envolveria os contributos da Antropologia, da Psicologia, da Economia, da Gestão, da Biologia, da Matemática, entre outras áreas do saber.
Apesar de pressentir tempestades futuras, não desconfiei na altura, que a pesquisa envolvia uma importante componente experimental e eu faria parte do numeroso grupo daqueles que seriam submetidos à manipulação das variáveis independentes.

Op. cit. p. 77.777.

12.9.04

Aristófanes e Eurípedes

Tenho uma maior inclinação para a comédia do que para a tragédia. Entre a Lisístrata de Aristófanes e a Medeia de Eurípedes, escolho, sem qualquer hesitação, a primeira. Não me revejo nas figuras trágicas.
Mesmo nos momentos mais dolorosos da minha vida, depois do primeiro impacto e do inevitável assalto da angústia, procuro encontrar os aspectos cómicos ou ridículos das situações e rir, pois é uma boa forma de purificação da alma. Bem, agora vão contestar: Já dizia o Aristóteles, na sua célebre Poética que a tragédia também constituía um modo de catharsis. Neste caso, só posso confirmar que têm toda a razão, mas eu também a tenho!

A ler ou a reler:

Aristófanes, Lisístrata, (Lisboa, Círculo de Leitores, 1985).
Aristóteles, Poétique, (Paris, Les Belles Lettres, 1997).
www.philosophia.cl/biblioteca/aristoteles/poetica.pdf
Eurípedes, Medeia, (Lisboa, Inquérito, s/d).
http://www.feranet21.com.br/livros/resumos_ordem/lisistrata.htm

11.9.04

Confidências e Desabafos de Savarin (50)

Cozinha irlandesa

Nas "bodas de ouro" - ?!!!? - do Confidências, uma homenagem "muito sentida embora tardia", aos simpáticos participantes de um alegre e saboroso jantar .



Colcannon


Ingredientes

6 batatas médias descascados
4 chávenas de couve lombarda em farripas
60 gr de manteiga
1 chávena de cebola picada
4 colheres de sopa de leite quente
sal
pimenta
salsa picada

Preparação

Corte as batatas em quartos e coza-as. Escorra-as e reduza-as a
puré com um garfo. Coza a couve em água fervente com sal durante
dez minutos e depois escorra-a bem. Leve a manteiga ao lume a
derreter e junte a couve e a cebola, mexendo bem e deixando cozinhar
durante dois minutos. Misture bem o puré de batata com a
couve, juntando leite suficente para dar consistência. Tempere com
sal e pimenta, polvilhe com salsa picada e sirva.


Salsichas de Domingo



Ingredientes


6 salsichas frescas de porco
4 tiras de bacon
2 cebolas picadas
30 gr de banha
2 dentes de alho esmagados
4 batatas médias cortadas em rodelas finas
1 pitada de salva seca picada
pimenta
3/4 de chávena de caldo de carne
salsa picada

Preparação

Leve as salsichas a cozer em água durante cerca de cinco minutos.
Corte o bacon em tiras muito finas e leve a alourar na banha. Junte
as cebolas e os dentes de alho. Depois de alourados retire-os.
Aloure então as salsichas dos dois lados e retire-as. Coloque as
rodelas de batata no fundo de um tabuleiro e cubra-as com o
bacon, as cebolas e os alhos. Polvilhe com salva e pimenta e regue
com o caldo. Coloque as salsichas por cima e leve ao forno durante
cerca de uma hora. Antes de servir polvilhe com salsa picada.

Bolo de Whiskey Irlandês

Ingredientes

250 gr de passas
1 chávena de açúcar amarelo
2 colheres de chá de casca de limão ralada
2 colheres de sopa de sumo de limão
1/2 chávena de chá forte
3/4 chávena de uísque irlandês
4 ovos ligeiramente batidos
3 chávenas e meia de farinha
2 colheres de chá de fermento
1 colher de chá de canela em pó
2 colher de chá de noz moscada em pó
3 colheres de sopa de whiskey (facultativo)

Preparação

Coloque a fruta, o açúcar, a casca de limão ralada, o sumo, o chá e o whiskey
num recipiente. Tape e deixe repousar de um dia para o outro. Junte
os ovos às frutas, misturando bem. Junte a farinha, o fermento e as
especiarias. Adicione à mistura de frutas, mexendo bem até todos o
ingredientes estarem incorporados. Coloque a massa numa forma
untada e com os lados cobertos de papel vegetal e leve ao forno a
cozer. Deixe arrefecer antes de desenformar e depois regue com o
whiskey .


A propósito do pequeno almoço irlandês, celebrado por Joyce e tão do agrado de alguns dos convivas navegar aqui. E muitas Irish Recipes nesta página e nesta.

http://www.greatbritishkitchen.co.uk/regional/northernireland.htm
http://www.canoe.ca/LifewiseFoodGood00/0316_breakfast.html
http://www.recipes-4u.co.uk/irish/index0001.html
Incontornável

92

i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear
no fate(for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you


here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart


i carry your heart (i carry it in my heart)

e.e. cummings, 95 poems, 92

O Palácio Encantado da Memória (2)

Uma das minhas pequenas/grandes alegrias dos últimos tempos é verificar, que por enquanto, as minhas memórias de acontecimentos recentes têm maior colorido e vivacidade do que as memórias do passado mais remoto. Ou seja, não me recordo com mais facilidade dos acontecimentos ocorridos há muito tempo do que daqueles que se estão a passar no presente. O que me parece ser um bom sinal.
Aliás, sou uma pessoa que vive fundamentalmente o presente, por muito difícil que seja defini-lo com exactidão. Reconheço, inevitavelmente, que o passado é estruturador do agora e o futuro é o seu horizonte, todavia quer o passado quer o futuro são perspectivados em consonância com o momento que se está a viver.
Outra constatação que me apraz sobremaneira é conseguir lembrar-me na manhã seguinte das ideias que rumino antes de adormecer ou quando acordo durante a noite. Quanto ao grau de qualidade de tais ideias não me vou aqui pronunciar.
Lapso

Devido a uma distracção imperdoável, um acto falhado, dos mais genuínos, esqueci-me de indicar as referências bibliográficas da obra citada no post anterior.

Aqui vai: Lúcio de Lacerda, Diário, Maldito Diário, (Freixo de Espada à Cinta, Edição do Autor, 2001), p.13.333. Trata-se de uma raridade, apenas ao alcance dos mais exigentes bibliófilos, como podem calcular.

Para uma comprensão integral do texto torna-se imprescindível ler a obra completa do grande mestre da teoria neoclássica, Peter Drucker, e do marco incontornável da psicanálise infantil da autoria de Melanie Klein, Envy and Gratitude (1957).

Nota: Os mais preguiçosos poderão sempre socorrer-se de uma ou outra página da Internet, sobre os referidos autores.

10.9.04

Objecto sexual

Aviso:

Qualquer semelhança entre esta historieta de mau gosto e um ou outro caso da vida real é pura coincidência.


Aqui estou, mais uma vez. Parece incontornável regressar, ciclicamente, a esta situação.
Aqui estou, a rever todas as visitas de Lavínia, todas as vezes que ela entrava em minha casa, se despia a uma velocidade estonteante enquanto ia dizendo que o seu filme preferido era o Império dos Sentidos e a trepidação dos transportes públicos lhe despertava o desejo. Na generalidade, encontrava-me nu, mas estava no meu território e como naturista a sério que me orgulho de ser, gosto de me libertar das amarras da civilização. Enquanto ela passa o tempo vestida, demasiado vestida até, talvez para ocultar a sua incomensurável lascívia.
Tirava a roupa com rapidez, cheirava-me como se eu fosse um bolo acabado de sair do forno e sem um beijo, ou uma carícia, instalava-se de joelhos ou de cócoras sobre mim. Exigia que já estivesse preparado, caso contrário olhava-me com desprezo recorrendo, de má vontade, às técnicas de indução de maior eficácia. Tal como Peter Drucker ela preconiza a distinção entre eficiência e eficácia e defende a operacionalização da última na economia do sexo.
Farto de ser tratado como um mero objecto de prazer, de me submeter aos caprichos da sua volúpia de um narcisismo primário, resolvi acabar com este caso constrangedor e nada digno do homem de princípios que julgo ser.
Ela aceitou com grande naturalidade a minha decisão, não mostrou qualquer sinal de tristeza ou de pena, nem tão pouco pediu qualquer tipo de justificação. Entramos num bar para festejar a civilidade da sua reacção. Pela primeira vez conversou comigo sobre outros assuntos que não fossem as cenas do Império dos Sentidos ou os efeitos das vibrações dos comboios na sua líbido.
Satisfeito comigo mesmo, bebi vários vodkas, Lavínia limitou-se a um. Só sei que comecei a desejar sugar o seu mamilo esquerdo - a Melanie Klein, explicaria bem melhor do que Freud, esta minha obsessão - e a sentir uma vontade intolerável de ser subjugado.
E aqui estou eu, a olhar o tecto desta pensão barata, a Lavínia endoidece-me o sexo com aquele sexo dela sempre a latejar de insatisfação. A Lavínia não emite um gemido, concentrada no que faz - está convencida que o máximo prazer só se atinge no máximo silêncio - enquanto eu grito como uma menina virgem e ela ameaça amordaçar-me.

Lúcio de Lacerda

Confidências e Desabafos de Savarin (49)

Soufflés à Sobremesa

Soufflé au Grand Marnier

Ingredientes: (6 doses)

½ l de leite
6 gemas de ovo
7 clras de ovo
125 g de açúcar
50 g de farinha
70 g de manteiga
4 cl de licor Grand Marnier Cordon Rouge

Preparação

Untar seis forminhas e polvilhá-las com açúcar. Virar as formas para retirar o excesso de açúcar.
Ferver o leite. Bater as gemas com o açúcar até obter um creme. Incorporar a farinha. Derreter a manteiga e misturá-la à massa. Juntar o licor Grand Marnier Cordon Rouge. Bater as claras em castelo e adicionar uma pitada de açúcar. Incorporar, cuidadosamente, as claras em castelo. Cozer em forno médio durante 25 minutes. Servir imediatamente.

Soufflé au praline

Ingredientes (6 doses)



Praline

120 g de amêndoas sem pele
160 g de açúcar
130 ml de água
2 colheres (sopa) de sumo de limão


Soufflé

250 ml natas
100 g de açúcar
140 g do praline já processado
40 g de farinha de trigo
4 ovos grandes
Manteiga derretida para pincelar as forminhas
Decoração icing sugar

Preparação

Praline

Colocar as amêndoas no forno preaquecido a 180 ºC, por 10 minutos.• Numa panela, juntar o açúcar e a água e levar ao lume, mexendo uma ou duas vezes até que o açúcar derreta completamente.• Adicionar o sumo de limão e deixar ao lume até a calda ficar com cor de caramelo-claro. • Incorporar as amêndoas e despejar imediatamente a mistura numa assadeira forrada com papel-manteiga, espalhando por igual. Deixe esfriar e partir o praline com o rolo da massa• Passar no processador, para obter uma farinha.

Soufflé

Numa panela de fundo grosso, aquecer as natas com metade do açúcar e 110 g do praline.• Entretanto, numa tigela grande, bater a farinha de trigo com 2 ovos inteiros e 2 gemas. Reservar as claras.• Colocar a tigela sobre um pano húmido para manter a mistura firme e juntar aos poucos as natas quentes com o praline. Bater bem, colocar a mistura na panela e cozinhar em lume brando, em fervura lenta, até engrossar e ficar liso. Retirar do lume e deixar esfriar.• Pincelar com manteiga derretida a parte interna de seis forminhas de soufflé, com cerca de 8,5 cm de diâmetro, e salpicar com o praline restante, retirando o excesso. • Dispor as forminhas numa assadeira e, quando estiver no momento de levar ao forno, bater as claras em castelo até que fiquem brilhantes e em picos suaves. Aos poucos, adicione o açúcar que sobrou.• Misturar o merengue delicadamente à massa do soufflé. Deitar a mistura nas forminhas até a borda e passar uma espátula em cima para alisar a superfície.• Cozinhar em forno preaquecido a 190 ºC, por 15 minutos, ou até que cresça e fique firme. • Polvilhar com um pouco de icing sugar e servir imediatamente.

Soufflé au Chocolat sans Farine
Soufflé au Chocolat
Estereótipos abomináveis

Sinto uma indignação sem limites quando ouço uma mulher dizer que é preferível trabalhar com homens do que com mulheres, uma vez que as últimas são mais dadas a intrigas, etc, etc. Os argumentos utilizados mudam de acordo com as fantasias das locutoras. Na globalidade, recorrem a generalizações indevidas sem fundamentos racionais ou experimentais, que diminuem, em primeiro lugar, as suas autoras.
Ora, a qualidade de ser bom ou mau parceiro de trabalho não depende do género, mas de muitos outros factores.
Marguerite Yourcenar dixit:

"Existe entre nós muito mais que amor: existe uma cumplicidade."

"Um coração é, talvez, sujo. Depende da mesa de anatomia ou do balcão do açougueiro. Prefiro o teu corpo."

Fogos, (Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1983), pp. 25 e 52.

9.9.04


Confidências e Desabafos de Savarin (48 b)

Soufflé au fromage

Ingredientes:

25 gr de queijo parmesão ralado
25 gr de queijo gruyère ralado
2 chávenas de molho béchamel
4 ovos grandes
1 pitada de pimenta de caiena

Preparação:

Untar uma forma de soufflé com capacidade para 900 ml. Adicionar os queijos ao molho béchamel mexer sobre lume brando até derreterem. Retirar do lume, deixar esfriar um pouco. Em seguida juntar as gemas uma a uma e a pimenta.
Bater as claras em castelo firme e acrescentar com cuidado. Colcar na forma de soufflé.
Assar no forno pré-aquecido a uma temperatura moderada (150º), durante 20 a 25 minutos até estar alto e corado. Servir imediatamente.


Ler atentamente o post "Ao sucesso do soufflé"...

O Soufflé Posted by Hello
Confidências e Desabafos de Savarin (48)

Ao sucesso do soufflé

Prato típico da gastronomia francesa, o soufflé terá sido criado na corte parisiense no início do século XVIII.
Seguem-se alguns conselhos sobre os ingredientes e a preparação deste manjar celestial. Posteriormente, serão transcritas algumas receitas.

O soufflé tem geralmente como base molho branco e ovos, e recebe designações diferentes consoante os ingredientes que se lhe juntem: assim, o soufflé de carne, de fiambre ou presunto,
de frango, de peixe, de caça vária, de queijo, de legumes (courgette, tomate, espinafre,
feijão verde, batata, etc.), de arroz, de pão, de chocolate e muitos mais.

O soufflé exige certo cuidado na sua confecção para evitar falhas. Eis as mais correntes:
- pode acontecer que o soufflé fique demasiado mole;
- muitas vezes cresce de maneira irregular;
- algumas vezes queima-se por cima, sem ainda estar cozido por dentro;
- é comum achatar-se antes de ser servido.

Nenhum destes desastres ocorrerá, entretanto, se forem observados os seguintes preceitos:

Prepara-se, antes de tudo, o molho branco, que deve ficar bem consistente e firme; se estiver mole, bastará mantê-lo por mais tempo em lume brando, continuando a mexer com a colher de pau até que se tenha obtido a consistência ideal. Depois de frio, acrescentam-se as gemas de ovo nas doses indicadas, uma a uma, mexendo até que se misturem homogeneamente antes de se passar à seguinte. Junta-se, então, ao molho, o ingrediente principal, já triturado, que pode ser fiambre ou presunto, legumes cozidos passados por manteiga e moídos,queijo ralado ou em tiras bem finas (os tipos de queijo mais adequados são parmesão, da ilha, emmental e gruyère). Tempera-se a mistura com noz moscada, pimenta, sal, se necessário, e queijo ralado em abundância; depois de bem misturados todos os ingredientes, juntam-se as claras em castelo bem firme, às colheradas, com muito cuidado. A mistura não deve ser batida, deve usar-se um garfo para adicionar as claras, sempre na mesma direcção.
Em linguagem gastronómica, chama-se a esta operação «cortar»; o primeiro e o mais
importante segredo para o sucesso de um soufflé é, justamente, cortar a mistura, sem fazer baixar as claras. Por fim, deita-se o preparado numa forma untada e enfarinhada ou, segundo
o caso, polvilhada de pão ralado, deixa-se repousar um pouco no frigorífico e coloca-se-se no
forno.
Os ovos devem ser muito frescos, mas não propriamente «ainda quentes», pois as claras,
nesse caso, não cresceriam; é preciso ainda que estejam à temperatura ambiente, a fim de que
as claras possam ser batidas em castelo firme; torna-se necessário que sejam retirados
do frigorífico algumas horas antes de serem utilizados.
- Uma pitada de sal nas claras permitirá que subam melhor e mais depressa.
- Para facilitar a formação de uma crosta na superfície, deve-se polvilhar o soufflé, antes de
ir ao forno, com pão ralado, queijo ralado, e salpicar com alguns pedacinhos de manteiga.
- Se o forno tende a aquecer demasiado por baixo, convém cozer o soufflé em banho-maria,
isto é, colocando-se o recipiente em outro que contenha água fervente. Porém, que, com este tipo de cozedura, chamada «mista», a permanência no forno deve ser prolongada
de, pelo menos, outros vinte minutos.
- Se o forno tem o defeito de aquecer demasiado na parte de cima, é necessário cobrir-se o
recipiente com papel de alumínio evitar-se-á, assim, que a superfície do soufflé se queime.
Uma vez que o soufflé, ao cozer, cresce muito, alcançando muitas vezes o dobro do volume, são
necessários recipientes altos que não se enchem além de dois terços; não se deve usar alumínio, que, por ser leve, aquece depressa demais, mas de preferência vidro ou porcelana resistente a temperaturas elevadas, que, além de manterem um calor uniforme, podem ser directamente levados à mesa.
Se o soufflé for muito volumoso, aconselha-se escolher um recipiente aberto ao meio, que
permitirá uma cozedura mais uniforme no interior.
Também se podem utilizar várias pequenas formas, ao invés de uma só grande, tendo-se em conta, nesse caso, que a cozedura será muito mais rápida. O soufflé deve ir ao forno já aquecido, regulado a 150º no termostato.
No caso de o forno não ter regulação automática, é necessário verificar que a temperatura não se eleve, para que,sobretudo no início, não haja uma cozedura precipitada. Se o calor for excessivo, o soufflé crescerá antes do tempo e, logo que seja retirado do forno, baixará.
Durante, pelo menos, vinte minutos, é absolutamente desaconselhável abrir-se a porta do
forno, para evitar que o ar mais frio aí entre e prejudique a cozedura. Em seguida, aumenta-
se ligeiramente o calor do forno e examina-se o soufflé: ele estará cozido quando, bem tufado, estiver dourado por cima, o que acontecerá cerca de outros vinte minutos depois.
Para maior segurança, poder-se-á espetar o soufflé com um palito, que deverá sair limpo,
sem nenhum vestígio da mistura. O soufflé será então levado à mesa sem demora, pois que, se
tiver que esperar muito, se achatará, apesar de todos os cuidados. Aliás o soufflé deve ser colocado no forno quando os comensais já estiverem presentes. O soufflé de queijo, de
fiambre, de fígado ou de mariscos poderá ser servido como entrada. Se, porém, o seu ingrediente principal for peixe, carne ou legumes, será servido depois do primeiro prato, em lugar
do peixe.

Bibliografia

Amanda Capeder, Soufflés, Empadões e Rolos, (Lisboa, Ática, 1976).
Anne-Marie Pajot, A Cozinha. Os seus Segredos, (Porto, Edinter, 1976).
Caroline Ellwood, Receitas da Cozinha Francesa, (São Paulo, Melhoramentos, 1982).
Doce surpresa

Agradeço, deliciada, os papos de anjo e filados de amêndoa da pastelaria virtual Saudades de Antero , gentilmente enviados pelo Frederico. Devo dizer que já os comi todos! E, como são virtuais, sinto-me tão leve quanto um anjo.
Poesia dinamarquesa

Poema que "responde ao momento", embora concorde, em absoluto, com as sábias palavras do escriba : "(Nem sempre a questão é saber se um poema responde a um momento da vida de quem o lê. Às vezes, a questão é saber se a vida de quem lê é digna do magnífico e fulgurante poema.)" Alexandre Andrade


I waken and gather from the mirror
that I wasn´t born yesterday.
The thing is to buy time
so that you can bear to lose everything you must.
To give up an hour a day
for doing anything by all the rules of the art:
Iron your shirt. Learn a really difficult poem by heart.
What is more pitiful than our constant leaving?
As if we hadn´t been uprooted once and for all.
I don´t try to tell myself I´m born anew each morning
just because each day is as if newly born.
But then, trees hardly dream of me
as I do of them.

Søren Ulrik Thomsen, in Reverted


Traduzido por Susanna Nied

Uneasiness


A strange wave of uneasiness gradually gained possession of my mind. Here am I in the dark, like a child I close my eyes, a shadow echoing on. I am that I am from out of nowhere and I know I must walk the line until I find a open door.

1.9.04

Pergunta

A cabeleireira será discípula de Melanie Klein?
Confidências e Desabafos de Savarin (47)
Para contrabalançar a Zuger Kirschtorte, segue a receita de um pudim conventual muito fácil de preparar, com um número reduzido de ingredientes, mas com um agradável sabor.

Pudim da Soror Helena - Convento de Nossa Senhora da Saudação de Montemor-o- Novo
Rale a casca de dois limões e junte ao sumo. Adicione açúcar e 8 claras de ovo. Bata muito bem até fazer um creme. Terá que calcular o açúcar de acordo com o tamanho dos limões. Junte as gemas de ovos. Volte a bater muito bem. Unte a lata de pudim e leve ao forno a cozer.
Alfredo Saramago, Doçaria Conventual do Alentejo, (Sintra, Colares Editora, 1997), p. 211.