31.8.04

Física e Psicologia

Wolfgang Pauli, prémio Nobel da Física em 1946, submeteu-se, durante a década de 30 do século XX (1931-1934), a uma análise com Erna Rosenbaum, jovem aluna de Jung. Os sonhos de Pauli foram interpretados pelo próprio Jung na obra Psicologia e Alquimia.
As relações entre Jung e Pauli prolongaram-se por um quarto de século, período durante o qual ambos estabeleceram intensa troca epistolar, procurando compreender a área de conhecimento um do outro com o objectivo de aprofundar o seu respectivo campo de reflexão. Mas, a finalidade mais importante da sua correspondência era a tentativa de descobrir o ponto de união no real, onde o conhecimento científico objectivo da natureza através das suas leis e o conhecimento interior da psique e as manifestações do inconsciente revelariam estruturas comuns.
Pauli tentou ao longo da sua vida encontrar as condições de unificação da física de vanguarda com a psicologia nos seus mais domínios mais obscuros.

A ler: W.Pauli; C. G. Jung, Correspondance 1932-1958, (Paris, Albin Michel, 2000).

30.8.04

Impressões

Sob as árvores, lua cheia no lago, aromas, sabores e vozes de Itália.

Escrevo uma carta que nunca enviarei.

Um quarto com vista para as luzes da noite impressas na água. Na cama antigos lençóis brancos, como eu gosto. Espreito vezes sem conta dos pés da cama para a janela, não quero sair deste momento.

Sob o encanto de um sortilégio viajo para ti e tu viajas até mim.

Madrugada no alpendre debruçado sobre o lago. Um sonho: dissolver-me na luz, ou nas diferentes tonalidades de verde e azul, tombar das montanhas para a água, fugir num dos barcos, olhar olhos como lagos .


29.8.04

Um grande Grüezi para todos os leitores do Digitalis!


Confidências e Desabafos de Savarin (47)

Mais um efémero Agosto perto do fim. No último suspiro deste mês, nada melhor para consolar a alma do que um doce etilizado, quiçá uma Zuger Kirschtorte.

22.8.04



Memórias e sabores.
Tempo de pastorear (2)

Nos próximos dias irei apascentar o ser à beira dos lagos e contemplar pintura a sério.


Parte de um biombo japonês com leques Posted by Hello
Mais poesia japonesa

I think I will not go out again
on your drifting boat
that floats
in any direction
without ever setting a course.

Izumi Shikibu, The Ink Dark Moon, (New York, Vintages Books, 1990), p.73
Ah, Madalena!

Há imenso tempo que não janto, nem tão pouco tomo um simples chá ou café, com a Madalena. Mas, como a dissoluta rapariga desempenha um cargo de gestão na área do turismo fica atolada em trabalho, durante o mês de Agosto. Para além do mais, esqueceu-se do Mário, ou esqueceu-a, o Mário. Agora, confidenciou-me por e-mail, o revivalismo tomou conta dela, vive pensando num grande amor do passado, um caso deixado em aberto, e nos poucos intervalos sem tarefas para cumprir, faz grandes planos para recuperar o tempo perdido. Acontece a quase todos.

21.8.04

Destaque

Medalha de ouro para as 50 Ficcionalidades de prata.

20.8.04


Hiromitsu Nakazawa (1874-1964), Matsukaze, 1923 Posted by Hello
Le Monde Flottant

Mon cher ami, tu es, encore, une partie assez charmante de mon Monde Flottant. Un symbole de joie et de rafraîchissement. Dans ce Monde Flottant j'aime provoquer nos sens, nos perceptions, brouiller les règles, bouleverser notre rapport à l'espace et aux objets, inverser les points de vue. Tu es un voyage, une expérience sensorielle totale, l'immersion dans un espace où les sens donnent forme à un moment suspendu. Un parcours voluptutueux et onirique.

19.8.04

Tempo de registar

Tempo de fazer um intervalo nas lides de pastorear o ser e voltar aqui. Registar momentos. Registar os inefáveis passeios sob as árvores, um jantar com uma pessoa cujo encanto me é difícil adjectivar, porque teria que abusar dos adjectivos positivos, de quem já gostava e admirava antes de conhecer, através do Modus Vivendi, e aprecio mais a cada novo encontro.
Registar outros tantos momentos de inactividade quase absoluta, interrompidos por alguma leitura, uma canção, um acender de velas, pelas rotinas do quotidiano, por pensamentos um pouco mais elaborados ou ainda pelas erupções do desejo, esse magma latente em cada alma humana sempre pronto a emergir. Sempre pronto a alterar as rotas já delineadas.

12.8.04




Scrophulariaceae, Digitalis purpurea L.
Agosto também é tempo de pastorear o ser

A partir de amanhã, Digitalis vai pastar ou melhor, apascentar ou pastorear o ser, por aqui, por ali e por mais além, durante uma breve temporada.
Quem é Digitalis, vulgo Dedaleira, ou com maior rigor, Digitalis purpurea?- perguntam os incautos leitores deste caderno de apontamentos eivado de desconcertado diletantismo, revelador do estado aleatório das sinapses de quem o produz.

A acreditar em Jan Volák e Jiri Stodola, é uma :

Planta herbácea bienal com caule alto, erecto e terminado por um belo cacho de flores violetas. No primeiro ano apenas se forma uma roseta de folhas; no segundo, a haste que suporta a inflorescência. As flores são grandes, campanuladas, violeta ou brancas, maculadas de violeta no interior. O fruto é uma cápsula. É uma espécie dos prados e florestas, também das clareiras, sobretudo em regiões montanhosas. É também uma planta ornamental muito apreciada e frequentemente cultivada nos jardins; para a produção farmacológica, é cultivada nos campos.
São colhidas as folhas, arrancadas ou cortadas durante o primeiro e o segundo ano de cultivo, com tempo quente e seco. As folhas secas devem ter uma percentagem de humidade tão baixa quanto possível (cerca de 3%) para que as substâncias activas não sejam degradadas pelos processos enzimáticos. Deixa-se que murchem durante 24 horas à temperatura ambiente, depois são submetidas a uma temperatura mais elevada, até 70º C. Contêm importantes glicósidos com acção cardíaca, os purpureaglicósidos A e B, fixados num composto açucarado e susceptíveis de serem divididos. Toda a produção deve ser tratada pela indústria farmacêutica, fornecendo a planta importantes remédios cardíacos que só podem ser usados sob vigilância médica. São prescritos no caso de falhas cardíacas, para diminuir a pulsação, regularizar uma actividade cardíaca arrítmica ou insuficiente, assim como em casos de hipertrofia cardíaca. As substâncias à base de dedaleira são também diuréticas e têm a propriedade de se acumular no organismo.

Época de floração: Junho-Agosto
Colheita: folhas Agosto; segundo ano Junho-Agosto.

Plantas Medicinais, (Lisboa, Editorial Inquérito, 1990), p. 145

Diz, ou pelo menos concorda, Júlio Guimarães, já que é o responsável pela coordenação do folheto, sobre o mesmo tema:

A digitalis é um poderoso diurético que produz óptimo resultado na hidropsia. Para isso prepara-se uma infusão de 5 gramas de folhas por um litro de água fervente.
Bebam-se 3 chávenas por dia.
Para obter um efeito especial sobre o coração, necessitam-se 5 gramas de folhas em infusão num litro de água, côar e beber três chávenas por dia.
Devemos advertir que a digitalis é um veneno perigoso, e o seu emprego deverá ser vigiado, com muita atenção pelo médico.

Ou seja, meus amigos, desconfiem sempre quando alguém vos quiser oferecer um chá de dedaleira... ATÉ PORQUE A DOSE TERAPÊUTICA ESTÁ MUITO PRÓXIMA DA DOSE LETAL! COMER QUALQUER PARTE DA PLANTA PODE SER FATAL!

Júlio Guimarães (Coordenação), A Saúde pelas Plantas, (Lisboa, Livraria Barateira, s/d), 2ª parte, p.4.


Caricaturas de pensadores portugueses:

Theofilo Braga Posted by Hello

Sampaio Bruno Posted by Hello

11.8.04

Confidências e Desabafos de Savarin (46)


Humor negro à refeição... ou o contributo dos Borgias para a evolução da gastronomia.

Poisoners cartoons 7 Posted by Hello

Poisoners cartoons 6 Posted by Hello

Poisoners cartoons 5 Posted by Hello

Poisoners cartoons 4 Posted by Hello

Poisoners cartoons 3 Posted by Hello

Poisoners cartoons 2 Posted by Hello

Poisoners cartoons 1 Posted by Hello

Confidências e Desabafos de Savarin (45)

Terras Afortunadas

Alba, Piemonte, no norte da Itália é uma região produtora de vários dos melhores vinhos de todo o mundo, como o Barolo, o Barbaresco e o espumante Asti. Mas, a cidade de Alba é também célebre, em termos gastronómicos, por possuir um tipo de cogumelo subterrâneo – cuja grama, os italianos orgulham-se de dizer, custa muito mais do que a do ouro – chamado tartufo, ou trufa, em português. O tartufo é um alimentor raro e de sabor singular.
O Barolo tem uma particularidade interessante, muda de cor quando é servido: nos copos, passa de um vermelho profundo quase negro para um tom castanho de casca de cebola. Esta alteração provocada pelo contacto com o ar não é um defeito, mas um sinal de excepcional qualidade. É um vinho rico e complexo para degustar lentamente, não para beber com sofreguidão.
O Barbaresco é mais leve, mais frutado com um perfume de violeta, segundo os entendidos.


Outra vez o mito de Narciso, desta feita na versão de Jorge de Sena

Narciso

De n'água contemplar-se onde se vê Narciso
se inclina sobre si para beijar-se e a imagem
avança em lábios trémulos que o respirar
ansioso escrespa o espelho prestes a partir-se.

Não foi de contemplar-se ou de a si mesmo amar-se
que em limos se fundiu com a sua imagem vácua
mas de não ter sabido quando não de olhar
nem só de húmidos beijos se perfaz o amor.

Jorge de Sena, 9/7/1970

10.8.04

Confidências e Desabafos de Savarin (44)

Fondue Chinesa

Há inúmeras receitas de fondue chinesa. No entanto, uma coisa é certa, a genuína fondue chinesa deve incluir alimentos do céu, aves; alimentos da terra, carne e alimentos do mar, peixes ou crustáceos. É obrigatória a presença de massa chinesa e de diversos vegetais cortados finamente.
Cada conviva mergulha os alimentos no caldo com a ajuda de pequenos cestos de rede metálica com cabos.
No final da refeição bebe-se o caldo, de preferência em tigelas chinesas ou chávenas de consommé.


Ingredientes:

1 l de caldo de aves
300 gr de carne de porco cortada em lâminas
300 gr de carne de vitela cortada em lâminas
300 gr de carne de frango cortada em lâminas
200 gr de peixe cortado em filetes finos
200 gr de camarão cortado em fatias
5 fatias de rebentos de bambu cortadas em tiras
10 cogumelos chineses secos, molhados em água tépida durante 30 minutos e cortados em fatias ou 15 cogumelos de conserva


150 gr de massa chinesa, molhada em água morna 20 minutos e escorrida
1 cebola finamente picada
5 fatias de gengibre raladas
3 colheres de café de sal fino
1 colher de café de monoglumato de sódio
2 colheres de sopa de vinho de arroz ou vinagre ou vinho branco seco
150 gr de couve cortada
150 de bróculos cortados
150 gr de espinafres cortados

molho de soja
óleo de sésamo
molho picante



Preparação:

Ferver o caldo e juntar-lhe a cebola, o gengibre, o vinho, o monoglumato de sódio e o sal.
Colocar o caldeirão chinês no centro da mesa com o caldo e à volta distruibuir todos os outros alimentos em pratos e travessas, bem assim como os molhos e o óleo de sésamo. Como acima se referiu, cada comensal coze os seus alimentos e tempera-os a seu gosto.


Outra versão:

Quando o caldo ferver juntar a cebola, o gengibre, o camarão, a couve, os bróculos, os espinafres, os rebentos de bambu e os cogumelos. A seguir o peixe, o porco, o frango, a vitela, a massa chinesa. Temperar com sal e vinho e deixar cozer até que levante fervura.
Antes de servir cada participante recebe uma tigela na qual se deita um ovo. Bate-se bem com os pauzinhos e servem-se as carnes e os vegetais acompanhados com os molhos e o óleo de sésamo.

Nota:

Também se pode acrescentar ao caldo dentes de alho.
Pode servir-se com o seguinte molho de manga:

Molho de manga

Ingredientes:

1 manga grande
1 maçã
2 pitadas de sal
2 pitadas de pimenta de caiena
1 colher de chá de rábano ralado
1 colher de chá de mostarda

Preparação:

Descascar a manga e a maçã. Cortá-las e reduzi-las a puré. Juntar os restantes ingredientes e misturar bem.
Confidências e Desabafos de Savarin (43)

Aqui e agora o sol brilha de novo... Mas, confesso que gostei dos dois fugazes dias cinzentos. Acendi velas pela casa toda, preparei uma perna de borrego de sabor oriental... e mesmo longe do mar a chuva, sem frio, fez-me sentir na ilha onde nasci.
Bem, deixemo-nos de romantismos e nostalgia e vamos à receita do dia, porque a mornaça é tanta, que não sei quantas horas vou levar a escrevê-la aqui.

Perna de borrego de inspiração indiana


Ingredientes

1 perna de borrego com 2 kg (incontornável)
2 colheres de chá de sementes de cominhos
2 colheres de chá de sementes de coentros
sementes de 6 vagens de cardamomo
5 cm de raíz de gengibre fresco
4 dentes de alho
4 cravinhos
2 malaguetas vermelhas secas
2 colheres de chá de curcuma
2 colheres de chá de sal
5 dl de iogurte magro natural
sumo de limão

Ingredientes facultativos:

2 colheres de sopa de açúcar escuro
Amêndoas lascadas torradas
Raminhos de coentros

Preparação:

Retirar a gordura à perna de borrego. Dar vários golpes cruzados e fundos na carne. Ou pedir ao talhante para o fazer.
Numa frigideira anti-aderente levar os cominhos, os coentros e os cardamomos ao lume, durante 2 ou 3 minutos. Esmagar o gengibre, os alhos descascados, as sementes, os cravinhos e as malaguetas picadas, num almofariz. Deitar numa tigela e juntar a curcuma, o sal, o iogurte e o sumo de limão, misturando bem. Barrar o borrego com esta pasta e envolvê-lo em papel de alumínio, deixar no frigorífico durante dois dias.
Retirar o borrego do frigorífico e deixar à temperatura ambiente durante uma hora. Acender o forno a 220º C ou termóstato 7 e deixar aquecer.
Levar o borrego ao forno, polvilhado, ou não, com o açúcar durante 20 minutos. Reduzir a temperatura para 160º ou 3, retirar o tabuleiro, regar a carne com o molho, cobrir com folha de alumínio. Levar outra vez ao forno durante cerca de 2 horas ou até a carne ficar bem tenra. Ir regando com o molho.
Deixar o borrego repousar à temperatura ambiente cerca de 20 minutos, coberto com o alumínio.
Enfeitar, se desejar, com amêndoas às lascas torradas e com coentros frescos e servir.

Acompanhamentos: arroz branco, legumes com caril, chutneys, ou as tradicionais batatinhas assadas...

Nota: Se não conseguir arranjar vagens de cardamomo poderá utilizar cardadamomo em pó.

Afinal tomei-lhe o gosto e vou continuar na senda da gastronomia exótica com:

Fondue chinesa

Até já, primeiro vou beber um chá verde com flores de cerejeira do Japão!

9.8.04

Aforismos

Não sou muito entendida em ditados populares, geralmente esqueço-me de muitos, troco a ordem das palavras de outros ou utilizo sinónimos. Mas, lembro-me desta máxima de sabor kantiano, porque me parece ter algumas razões de ser, a considerar, apesar da sua inevitável ambiguidade:

"Faz o bem sem olhar a quem."

No entanto, gozou e goza de maior popularidade um outro aforismo, que não rima: Faz o mal sem olhar a quem...


Círculo Mágico

XX olhou para a camisa azul de XY e viu duas pessoas a jantar bacalhau espiritual numa remota noite de luar. Duas personagens, que sob a influência da conjugação de uma série de causas, entre elas a leveza da iguaria e o sortilégio da lua, se sentiram enlevadas por um anel de afecto e empatia, um círculo mágico. Como todos os círculos mágicos o anel era uma alucinação. Mas, como todas as alucinações, existiu para os sujeitos percepcionantes enquanto lhe foi dado durar.

Tantra Yoga

Ao telefone, à mistura com muita demagogia apaixonada, XX propôs a XY uma sessão de tantra yoga para a tarde do dia seguinte. XY respondia-lhe: - "Sim, sim, certamente, fenomenal, está combinado!" E ao falar assim, concluiu que os vapores etílicos despertavam em XX um peculiar estado de romantismo lascivo, na generalidade, de breve duração.
Na tarde do dia seguinte, XX passeava pela serra de Sintra com o filho da vizinha.
Do tempo em Agosto

O tempo em Agosto é poeira visível através de um raio de luz.

7.8.04

Do tempo em Agosto

Do tempo em Agosto


Agosto também é tempo de passear pelos parques, de visitar e revisitar museus. De observar e gozar o que de melhor nos oferecem as naturezas: a Natureza e a natureza humana, afinal parte inseparável da Natureza.
Quem ficou em Lisboa ou aí se deslocou, aproveite bem o tempo e vá até ao Parque do Monteiro-Mor. O Museu Nacional do Traje encontra-se em obras, mas o parque é um verdadeiro oásis, nestes dias de calor, por outro lado, o Museu do Teatro e a cafetaria estão operacionais.

Só para gulosas e gulosos: A cafetaria disponibiliza, em troca de poucos euros, deliciosos doces.

3.8.04

Do tempo em Agosto

Do tempo em Agosto

Agosto suscita a reflexão sobre o tempo. Não vou escrever sobre meteorologia. Não estou preocupada com o clima, com a temperatura ideal para ir à praia ou fazer um piquenique no campo...
Em Agosto pensa-se acerca da natureza do tempo, em Agosto pensa-se na transitoriedade de tudo. Na sucessão simultaneamente lenta e célere das horas e dos dias. Na vontade de viver e de morrer. Em Agosto também nos sentamos ao lado do tempo, a vê-lo passar, a fruir cada segundo atirado ao ar. Agosto é um compasso de espera, um mês propício à meditação. Em Agosto lê-se O Conceito de Tempo de Heidegger à procura de pistas sobre a essência do tempo:

O fim do meu ser-aí, a minha morte, não é algo que suspenda um percurso, mas sim uma possibilidade, que o ser-aí de alguma maneira conhece: a sua possibilidade mais extrema, que ele pode captar e de que se pode apropriar de modo iminente. O ser-aí tem em si mesmo a possibilidade de se deparar com a sua morte enquanto a mais extrema das possibilidades de si mesmo. Esta possibilidade extrema de ser é uma certeza, com o carácter de iminência, mas esta certeza, pelo seu lado, caracteriza-se por uma indeterminabilidade total. A auto-interpretação do ser-aí que supera qualquer outro enunciado quer no que respeita à certeza, quer ao ser-em-propriedade, é a interpretação da sua morte, a certeza indeterminada da mais própria possibilidade do estar-no-fim.


Martin Heidegger, O Conceito de Tempo, (Lisboa, Fim de Século, 2003), pp. 45-47.

Sala dos leques,casa de Sumya em Shimabara, Kyoto (1787). Posted by Hello
Poesia japonesa

Há dias encontrei The Ink Dark Moon, um livro que já considero um dos membros mais queridos da minha biblioteca existencial. Esta obra reune os poemas de Ono no Komachi (834?-?) e de Izumi Shikibu 8974?-1034?), duas mulheres pertencentes à corte imperial de Heian-kyo.


When my desire
grows too fierce
I wear my bed clothes
inside out,
dark as the night's rough husk


No way to see him
on this moonless night -
I lie awake longing, burning,
breasts racing fire,
heart in flames.

Ono no Komachi

Undisturbed,
my garden fills
with the summer growth -
how I wish for one
who would push the deep grass aside.

The one close to me now,
even my own body -
these too
will soon became clouds,
floating in different directions.

Izumi Shikibu

Ono no Komachi; Izumi Shikibu, The Ink Dark Moon, (New York, Vintages Books, Random House, Inc., 1990), pp. 4, 6, 75 e 137.

2.8.04


Kimono cerimonial pertencente ao período Edo. Posted by Hello

O simbolismo dos leques japoneses

Cultura Japonesa I

O simbolismo dos leques japoneses

Na cultura japonesa o leque é um símbolo de boa sorte. Designado por suehiro cujo significado literal é "aberto até ao fim" - termo que sugere a imagem de expansão, de irradiação para um futuro próspero. O leque também é venerado pela simplicidade da sua forma lógica.
O leque é um tema recorrente na cultura japonesa sendo utilizado para decorar kimonos, louça, armas, móveis entre outros objectos.