28.7.04

ILS SONT TOMBÉS

Contra todos os genocídios e outras atrocidades de todos os tempos e lugares

ILS SONT TOMBÉS

Ils sont tombés sans trop savoir pourquoi
Hommes, femmes et enfants qui ne voulaient que vivre
Avec des gestes lourds comme des hommes ivres
Mutilés, massacrés les yeux ouverts d´effroi

Ils sont tombes em invoquant leur Dieu
Au seuil de leur église ou le pas de leur porte
Em troupeaux de désert titubant em cohorte
Terrassés par la soif, la faim, le fer, le feu.

Nul n´éleva la voix dans un monde euphorique
Tandis que croupissait un peuple dans son sang
L'Europe découvrait le jazz et sa musique
Les plaintes des trompettes couvraient les cris d'enfants.

Ils sont tombés pudiquement sans bruit
Par milliers, par millions, sans que le monde bouge
Devenant un instant minuscules fleurs rouges
Recouverts par un vent de sables et puis mourir.

Ils sont tombés, les yeux pleins ds soleil
Comme un oiseau qu'en vol une balle fracasse
Pour mourir n'importe où et sans laisser de traces
Ignorés, oubliés dans leur dernier sommeil

Ils sont tombés, en croyant ingénus
Que leurs enfants pourraient continuer leur enfance
Qu'un jour ils fouleraient des terres d'espérance
Dans des pays ouverts d'hommes aux mains tendues.

Moi je suis de ce peuple qui dort sans sépulture
Qui choisit de mourir sans abdiquer sa foi
Qui n'a jamais baissé la tête sous l'injure
Qui survit malgré tout et qui ne se plaint pas

Ils sont tombés pour entrer dans la nuit
Éternelle des temps, au bout de leur courage
La mort les a frappés sans demander leur âge,
Puisqu'ils étaient fautifs d'être enfants d'Arménie.  

 
Charles Aznavour, 1976

24.7.04

Táxi Driver

Táxi Driver

Muito antes das guerras do Golfo, XY trabalhava no bar da Associação de Amizade Portugal Iraque. Não o fazia por especial inclinação pela cultura iraquiana, apenas precisava de ganhar dinheiro ocasional e um amigo, dedicado apologista do dito país, ofereceu-lhe aquela oportunidade. Ao fim da tarde XX visitava-o com regularidade, umas vezes levava-lhe flores, outras bombons, outras bebidas espirituosas, ou o que lhe passava pela cabeça. Uma das vezes presenteou XY com um chapéu de Verão, porque lhe passou pela cabeça e por ser Verão. A maior parte das vezes limitava-se a relatar as suas idas ao cinema e a fazer apreciações dos filmes visionados.
Numa dessas tardes, tarde de Santo António e de muito calor, apareceu depois de ver o Táxi Driver. XY perguntou-lhe com qual dos personagens do filme se identificava. Só para provocar XY que detestava atitudes moralizantes, XX respondeu : - Com o taxista!
Naquele momento, não estava ali para tecer considerações mais ou menos inteligentes sobre cinema. Derrubou XY, que se sentara no chão e numa espiral de gestos os dois rodopiaram, rodopiaram.

23.7.04

Associações

Associações
 
Associo o retrato de Dona Isabel de Porcel, que irradia beleza e audácia, entre outros predicados,  à Bomba Inteligente.  Não me perguntem porquê .

Goya, Retrato de Dona Isabel de Porcel Posted by Hello

22.7.04

Escreveu Rilke

Escreveu Rilke sobre o amor
 
"Cada ser se desenvolve e se defende a seu modo e tira de si próprio, a todo o custo e contra todos os obstáculos, essa forma única que é a sua. (...)
O amor de um ser humano por outro é talvez a experiência mais difícil para cada um de nós próprios, a obra suprema em face da qual todas as outras são apenas preparações."

Rainer-Maria Rilke, Cartas a um Jovem Poeta, (Lisboa, Contexto, 1986), p.38.

Memória e Ficção

O Palácio Encantado da Memória
 
A memória do passado é uma sucessão de ficções estruturante do presente. Mas, as solicitações do presente, a qualidade do momento que se está a viver,  também a determinarão? 
Joaquim de Carvalho defendeu em relação à saudade que o passado será tanto mais hipervalorizado quanto menos aprazível se revelar o presente. (1)

A propósito, citam-se algumas afirmações de Larry R. Squire e Eric R. Kandel:

A pessoa que relembra entra, num processo reconstrutivo  e não numa reprodução literal do passado. (...)
Assim, a evocação, até certo ponto depende de um estado. O estado de espírito de uma pessoa, ou até todo o contexto na altura de recordar, encoraja a evocação de eventos que foram anteriormente codificados num estado de espírito e num contexto semelhantes. (...)
Um exemplo interessante  de como a memória depende do contexto é dado por uma experiência realizada com mergulhadores de profundidade por Alan Badeley e Duncan Godden, em Cambrige, Inglaterra. Os mergulhadores escutaram 40 palavras sem qualquer relação entre si, em cada um dos seguintes contextos: de pé na praia e na água,  a cerca de três metros de profundidade. Subsequentemente, foram testados num dos dois contextos, tendo-lhes sido pedido para recordarem o maior número possível de palavras. As palavras aprendidas debaixo de água eram mais facilmente  evocadas debaixo de água e e as palavras aprendidas na praia eram com facilidade evocadas na praia. De maneira geral, os mergulhadores evocavam 15% mais de palavras em iguais contextos de evocação.
 
Embora estes efeitos dependentes do estado de espírito sejam intrigantes, não devem ser sobrevalorizados, uma vez que parecem depender do estabelecimento de diferenças algo acentuadas entre a codificação e a evocação, relativamente à disposição (feliz por oposição a infeliz), (estado de espírito(com droga por oposição a sem droga), ou contexto (na praia por oposição a debaixo de água. Apesar de tud, não precisamos de regressar à sala onde lemos um livro sobre a guerra civil para nos lembrarmos de determinados factos contidos nesse livro. No entanto, estas conclusões realçam a influência potencial das pistas de evocação. (2)
 
(1) Joaquim de Carvalho, Elementos Constitutivos da Consciência Saudosa, A Problemática da Saudade, (Lisboa, Lisboa Editora, 1998).
(2) Larry R. Squire; Eric R. Kandel, Memória, Da Mente às Células, (Porto, Porto Editora, 2002), pp.82-83

Estios em imagens

Estios em imagens

Rumo ao Ilhéu de Vila Franca do Campo ou o testemunho do encanto de um Verão em S.Miguel. As crianças já não o são, pelo menos em tamanho... Posted by Hello

Yin e Yang Posted by Hello

Sombra Posted by Hello

Areia com barcos Posted by Hello

António Carneiro, Onda (Vaga), óleo sobre tela, 40x80, 1912. Posted by Hello

21.7.04

Férias

 
Primeiro dia de férias

Hoje é o meu primeiro dia de férias, daí o tom mais brejeiro dos dois últimos posts. Embora, não me encontre em férias de modo absoluto, pois estou a acabar de redigir um dos bonitos relatórios que tenho por hábito elaborar.
Todavia, para dizer a verdade não sei quem sou, que faço aqui e sobretudo para onde vou. Só sei que vou mergulhar numa qualquer vaga e pretendo viajar numa certa embarcação, se ainda houver lugar para mim.


Pêssegos Posted by Hello

Pêssegos

 
Pêssegos
 
Houve um concurso
em tempos
para a melhor pintura
de um pêssego
 
 
na China
 
 
Madame Ling
ou era Ching
sentou-se sobre um pólen
amarelo
 
 
depois
 
 
cuidadosamente, outra vez
sentou-se
sobre
uma folha de papel
 
 
branco
 

Siv Cedering,  The Letters from the Floating World, (University of Pittsburgh Press, 1984).

Carta de XX a XY

Carta de XX a XY
 
Naquela noite XX escreveu a XY : "Como sabes  o teu corpo é a casa perfeita do meu desejo. Mas, sinto que o fundamento da  minha ligação contigo é, sobretudo,  uma especial amizade, porque gosto de sair, de falar e de rir contigo, de ouvir os teus dislates e de te contar os meus, de descobrir  afinidades (até a mania de evocar/invocar amores e paixões do passado) de te ajudar quando é preciso. Acima de tudo, há um sentimento de cuidado. Para mim, tudo isto constitui um  sinal de densa amizade - muito colorida, por sinal ;) - que também poderá ser indício de amor, diriam alguns. No entanto,  se é isso - nem eu sei bem - não é aquele amor doentio/exclusivista, repressivo/persecutório, imbecil, entediante/massacrante, quer para o objecto amado,  quer para quem diz amar,  pois conduz à anulação de si e do outro."


Mais destaques


Mais destaques
 
O felizmente longo"ciclo Rohmer"  em  umblogsobrekleist: !!!!! Cinco estrelas em cinco.
As crónicas políticas do Miniscente , intituladas "Divertimentos", pela fina ironia, nomeadamente, a referência ao silogismo perfeito usado por Paulo Portas...
O post "Perguntas da estação" fez-me recordar um texto que editei, em Agosto do ano passado, sobre o assunto.
E, mais uma vez ,o Modus Vivendi pelos últimos escritos publicados, da autoria da Ana!!!



20.7.04

Amizade

Amizade
 
A escritora francesa Régine Deforges afirmou o seguinte sobre o verdadeiro amigo:

"Un véritable ami, c'est quelqu'un qu'on peut apeller à n'importe quelle heure du jour ou de la nuit. C'est pouvoir compter sur lui quoi qu'il arrive."

Jeanne Bourin; Régine Deforges, Entre Femmes, (Paris, Éditions Blanche, Robert Laffont, 1999), p.161.

Não podia estar mais de acordo.

Arquivos

Arquivos

Ontem à noite li muitos dos textos que escreveste há tempos atrás, uma forma de visitar-te, de ouvir as tuas histórias, de rir, sorrir ou de chorar contigo.

Destaque


Destaque
 
O quotidiano transfigurado: tipografia #4.

19.7.04


Confidências e desabafos de Savarin (42) Posted by Hello

42

Confidências e desabafos de Savarin (42)
 
Um prato para o Verão, colorido, refinado e hipocalórico:


- CHERNE COM PURÉ  DE PIMENTOS


Para 4 pessoas:
 
Ingredientes
 
2 pimentos amarelos médios
1/4 ch. vinagre de vinho
de arroz
1 c. sopa de conserva
de gengibre
1 c. sopa de azeite
4 postas de cherne
(100gr. cada)
Sal e pimenta preta
1 folha de piteira para 
decoração
Óleo vegetal
 
Preparação
 
Lave e enxugue os pimentos. Corte-os em metades,  às tiras largas, e retire as nervuras
e as sementes. Numa  misturadora, triture os pimentos, junte o vinagre, e bata até obter um puré. Adicione a conserva de gengibre e o azeite, bata de novo até obter uma mistura homogénea. Tempere o peixe com sal e pimenta, pincele com um pouco de azeite e ponha no grelhador previamente aquecido. Deixe grelhar até o peixe ficar translúcido e firme, cerca de 5 minutos de cada lado. Pincele a folha de piteira com óleo vegetal e coloque- a no grelhador durante 5 minutos, virando-o muitas vezes, até ficar um pouco mole. Corte-a de forma decorativa.
Deite o molho nos pratos, coloque as postas de peixe por cima, e enfeite com a folha de piteira.





Sete Cidades Posted by Hello

Saudade

Saudade
 
Uma noite
duas ausências

18.7.04

41

  Confidências e desabafos de Savarin (41)

Nestes dias de calor tórrido apetece tomar bebidas refrescantes. No entanto, há que ter cuidado, para não termos o destino de  Napoleão Buonaparte ...
  
 
Um refresco mortífero 
 

Le 22 avril, une nouvelle boisson lui fut servie pour la première fois. C'était l'orgeat. L'orgeat est une boisson à goût d'orange qui contient normalement de l'huile d'amandes amères. Elle fut servie à Napoléon sous le prétexte d'étancher la soif qui le dévorait. La soif, soit dit en passant est un des symptômes de l'empoisonnement par l'arsenic.Le 25 avril, Luytens déclare à Gorrequer (ce sont deux officiers de l'Etat-major du gouverneur Hudson Lowe) : "le Comte de Montholon demande qu'on lui fournisse des amandes amères car il ne peut en trouver à Jamestown (le port de l'Île)". Ce même 25 avril, le Grand Maréchal Bertrand note: "Hudson Lowe a envoyé des amandes amères dans une caisse". L'orgeat que boit Napoléon depuis trois jours est pour l'instant inoffensif. Ajoutez-y des amandes amères qui contiennent de l'acide prussique et il peut devenir meurtrier.Avant cette date, il n'y avait pas d'amandes amères à Longwood. Apparemment l'empoisonneur commençait à être inquiet de ne pas pouvoir en trouver parce que le Grand Maréchal Bertrand note: "Quelqu'un (sans mentionner le nom) a demandé à mon fils Arthur de sortir pour cueillir des pêches et de les mettre dans le garde-manger ".Les noyaux de pêches peuvent avoir le même effet que les amandes amères car ils contiennent, eux aussi, de l'acide prussique. Vous saurez bientôt comment ces amandes amères ont permis de tuer Napoléon sans laisser de traces d'une action criminelle.
Les amandes amères entrent dans la composition de l'orgeat et, quand il n'y en a pas, elles peuvent être remplacées par des noyaux de pêches qui produisent le même effet.
 

 Ben Weider   L'ASSASSINAT DE NAPOLEON 

 
Orgeat syrup”The original version of this sweet syrup was made with a barley-almond blend. Today, however, it's made with almonds, sugar and ROSE WATER or ORANGE-FLOWER WATER. Orgeat syrup has a pronounced almond taste and is used to flavor many cocktails including the MAI TAI and SCORPION.”
© Copyright Barron's Educational Services, Inc. 1995 based on THE FOOD LOVER'S COMPANION, 2nd edition, by Sharon Tyler Herbst. 
  

 



Galhos Posted by Hello

Rosas Posted by Hello

Cíclames Posted by Hello

Narcisos Posted by Hello
Destaque
 
O Modus Vivendi  é um dos meus blogues de eleição, já o disse anteriormente e repito, mas hoje quero realçar o post de Domingo, "Do ciúme (zelúmen, ou o temível monstro verde)",  porque expressa muito do que eu sinto e penso sobre o tema. 
 
 
 
Primavera, Verão, Outono, Inverno e ... Primavera



Na Quarta-feira passada depois de cumprir tarefas escolares, entrei de rompante em casa, corri para a estação rodoviária, comprei o bilhete e saltei para a camioneta rumo a Lisboa, com o objectivo de ir ver o filme com o título acima transcrito.

Não podia perder esta fita, até porque alguns dos filmes da minha lista de preferências são realizados e representados por artistas de origem oriental.

E agi bem, pois o filme é sublime, na acepção kantiana, do termo.

A eclosão de emoções, sentimentos e paixões como a maldade infantil, o cuidado, a alegria, a curiosidade, o desejo, o ciúme, a obsessão, a raiva, a ira, a calma, a ironia, a tristeza, o desespero e a esperança, acompanha o devir de uma natureza deslumbrante e dura. A vida, a morte, a vida...

Já depois de ver o filme, li algumas críticas e sinopses na internet. De uma das páginas consultadas retirei o seguinte trecho:

"O cineasta coreano Kim Ki-Duk, que ganhou alguma celebridade no circuito dos festivais com ''A Ilha'' - conhecido entre nós como ''O Bordel do Lago'' - ensaia agora um filme que pretende retratar ''a alegria, a ira, a tristeza e o prazer nas nossas vidas ao longo das quatro estações, através da vida de um monge que vive num templo, no Lago Jusan, rodeado apenas pela natureza'', conforme explica na nota de intenções do filme.
Minimalista, de cenários fixos e parco em diálogos, este é um filme quase hipnótico aparentemente centrado numa visão e concepção do mundo budista, apesar do cineasta se ter assumido como cristão.
Escrito, realizado e interpretado por Kim Ki-Duk, ''Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera'' foi ovacionado, com 15 minutos de aplausos, no último festival de Locarno, na Suíça. " in http://www.estreia.online.pt/aleph/envelope?filme+ficha:list_movie:1045

Mas essencial é ver o filme e interpretar os símbolos e as metáforas que percorrem o desenrolar da acção.

Goivos 2 Posted by Hello

17.7.04

Viagens

Dentro dos teus braços cruzados sobre mim...
O teu corpo é o barco e o cais do meu corpo

Ramos 1 Posted by Hello

Árvores Posted by Hello

Digitalis purpurea Posted by Hello

Ervas Posted by Hello

Falésia Posted by Hello

Sonho Posted by Hello

Gerânios Posted by Hello

Floração Posted by Hello

Erica Posted by Hello

Atanásia Posted by Hello

Asarum europaeum Posted by Hello