29.6.04

Os sentidos

Os orgãos receptores são sistemas especiais de apreensão e codificação das informações relativas ao meio externo ou interno do organismo. São formados por células especializadas na detecção e transformação da energia física ou química dos estímulos em energia electroquímica.
Com a evolução da Psicofisiologia descobriu-se que não temos apenas cinco sentidos. O nosso organismo dispõe de pelo menos 10 ou 11 sistemas sensoriais. O tacto, por exemplo, é composto por quatro ou cinco modalidades diferentes de sentidos cutâneos, constituindo o sistema somato-sensorial que nos informa sobre as características dos objectos que entram em contacto com a superfície do nosso organismo. Temos, também outros orgãos sensoriais que informam o organismo das suas próprias actividades, o sentido cinestésico ou do movimento, o do equilíbrio, e o sentido vestibular ou de orientação. O sentido cinestésico depende de receptores situados nos músculos, tendões e articulações. Fornece informações sobre as posições relativas dos membros e outras partes do corpo durante os movimentos e sobre as tensões musculares. Se fecharmos os olhos e levantarmos um braço, o sentido cinestésico indica-nos o seu movimento e permite-nos dirigi-lo.Os dois últimos sentidos referidos localizam-se no ouvido interno e informam o indivíduo sobre as posições do corpo e das diferentes direcções do espaço relativamente ao ponto em que se encontra. Estes dados utilizados em coordenação com as informações fornecidas pelos sentidos da visão e cinestésico permitem ao indivíduo adoptar as posições corporais mais adequadas às diferentes situações, corrigir desiquilíbrios e dirigir-se a lugares que não são directamente percebidos.
Estamos ainda dotados com sentidos internos como o cenestésico, que coordena a fome , a sede e a disposição orgânica; o álgico interno e o tacto interno.

O fisiologista inglês Charles Sherrington (1857-1952)distinguia três tipos de orgãos dos sentidos:

Exteroceptivos - receptores sensoriais sensíveis à acção de estímulos exteriores ao organismo. Englobam a visão, a audição, o paladar, o olfacto e o sistema somato-sensorial: tacto externo, álgico externo, pressão e sentido térmico.

Interoceptivos - receptores distribuídos pelos orgãos viscerais. Englobam o sentido cenestésico, o álgico interno e o tacto interno.

Proprioceptivos - receptores que são estimulados pela própria actividade do organismo ou dos orgãos onde se situam. Compreendem o sentido cinestésico, o sentido do equilíbrio e o sentidoda orientação.
Oliver Sacks no livro O homem que confundiu a mulher com um chapéu, no capítulo "A mulher incorpórea", relata o caso de uma jovem mulher com uma grave disfunção ao nível dos sentidos proprioceptivos.
Évora, no café


as mãos:
macro-flores de laranjeira

28.6.04

O Poema

não resisto a transcrever este poema de e.e.cummings:

somewhere i have never travelled, gladly beyond


somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
comples me with the colour of its coutries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands




em algum lugar que nunca visitei, felizmente além


em algum lugar que nunca visitei, felizmente além
de qualquer experiência, seus olhos retém o seu silêncio:
nos seus gestos mais frágeis há coisas que me encerram,
ou que não posso tocar porque estão perto.

seu olhar mais breve me desabrocha feito pétalas
mesmo que eu sempre me feche como dedos,
você me abre sempre, pétala por pétala, como a primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) sua primeira rosa.

ou se seu desejo fosse estar perto de mim, eu e
minha vida encerraríamos com beleza, de repente,
como quando o coração dessa flor imagina
a neve descendo docemente em todos os lugares.

nada do que eu possa perceber neste mundo é igual
à força de sua intensa fragilidade: cuja textura
me mistura com a cor de seus campos,
retribuindo a morte e o eterno a cada sopro

(não sei dizer o que há em você que se fecha
e se abre: só um pedaço de mim compreende que a voz
de seus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas


Trad. Rodrigo Garcia Lopes

27.6.04

Impressões do fim de semana

Sexta e Sábado corrigindo, corrigindo provas de noite e de dia.
Sábado com uma interrupção para almoçar na Adega Manjares da Nossa Terra. Abençoado intervalo.

Domingo, já depois do dever cumprido, uma sesta depois do almoço. No limiar entre o dormir e o despertar senti/ouvi a minha mãe, que já morreu, junto de mim, parecia tão próxima.

Permaneci na cama durante mais tempo a folhear um livro sobre Picasso quando jovem. Gosto de ficar deitada, com a varanda aberta e ir espreitando o céu e as árvores do largo, enquanto vou pensando em mil e uma coisas, evocando pessoas e situações, sentindo saudade ou a presença de outras.

Ao fim do dia reguei as plantas do terraço, enchi o espírito de música e da luz do sol poente.

Lembrei-me dos paparis com cominhos que comi com a Madalena. Das propriedades carminativas dos cominhos, etc, etc, etc.

26.6.04

Penso em ti

Penso em ti como
chuva e eu como terra seca e gretada
sob um céu sem nuvens


Kalamu ya Salaam
Poetas da Índia

TIME

Time is the root of all this earth;
These creatures, who from Time had birth,
Within his bosom at the end
Shall sleep; Time hath nor enemy nor friend.

All we in one long caravan
Are journeying since the world began;
We know not wither, but we know
Time guideth at the front, and all must go.

Like as the wind upon the field
Bows every herb, and all must yield,
So we beneath Time's passing breath
Bow each in turn, -- why tears for birth or death ?



Bhartrihari (tradução de Paul Elmer More)
Missão cumprida

Terminei agora os meus deveres da escola...
Antúrios e jazz de fusão

Doze antúrios vermelhos dançavam ao som dos Wheater Report.

Lascívia

lúbrica língua
aflora leve a pele.
liberta a líbido,
lírio lívido em delírio,
levita

lúbrica língua, lenta leve, leva lívido lírio ao delírio

25.6.04

Um jantar na noite em que os portugueses ensandeceram de entusiasmo

No dia em que a selecção de Portugal venceu a selecção inglesa aborreci-me com um hipotético candidato a namorado. Resultado, telefonei à Madalena, como sempre faço nestas situações, e resolvemos ir jantar a um restaurante indiano na Graça. Estou a escrever sobre o assunto, sobretudo, para declarar que adoro aqueles pratos vegetarianos da cozinha indiana. Escolhi um malay kofta, vegetais amassados em pirâmide, com um molho de implorar por mais. A Madalena como é uma carnívora feroz, saboreou com prazer, um vindaloo, ainda pediu mais picante e à volta de umas vinte imperiais... incomodando constantemente, o empregado que seguia contido, mas com visível tensão o jogo, enquanto eu bebia uma única cerveja preta. Isto é só inveja da Mada, porque ela é dona de uma capacidade extraordinária de digerir qualquer tipo de alimento salgado e qualquer género e quantidade de bebida, que me deixa verde...
Para finalizar, deliciei-me com a tradicional bebinca confeccionada de acordo com as sagradas regras do hinduísmo gastronómico. No capítulo da doçaria eu bato com distinção a Madalena, enquanto eu devoro cinco sobremesas ela debica um terço de uma. É muito masculina nos seus apetites, diria um machista de ocasião, com aquela mania que eles, os machistas, têm de legislar sobre os gostos tendencialmente femininos e intrinsecamente másculos, estabelecendo com afinco uma série de dicotomias, muitas delas desprovidas de qualquer fundamentação teórica e experimental.
A propósito, numa parede de uma qualquer rua, podia ler-se uma divisa, que nos despertou risos coniventes: "Por cada mulher feliz há um machista abandonado!"
O final do jantar coincidiu com o glorioso desenlace do desafio, festejado com alívio e feliz contenção pelos indianos.
Nas ruas a loucura dionisíaca generalizara-se e nós seguimos a pé no meio da euforia, andando, andando, andando, de um lado para o outro da cidade, observando, observando, observando, comentando, comentando, comentando, com um sorriso de irónica bonomia...
Bem e o hipotético candidato deixou de ter hipóteses de ser candidato ao que quer que fosse...
Memória, sinestesia, aliteração e correcção

Queria ter uma memória sinestésica para lembrar/sentir uma e outra vez, sempre que quisesse o que quisesse. De preferência, enquanto corrijo provas...
Confidências e Desabafos de Savarin (37)

Doces surpresas

Ontem andando pela Rua do Ouro, de súbito, olhei para a montra da Casa Chineza e logo os meus olhos brilharam iluminados pelo esplendor de uns pingos de tocha dotados de formas e cores perfeitas! Atravessei a rua, num ápice, e regredi até à fase oral, com isto quero, muito prosaicamente, dizer que saciei o desejo de pingos de tocha ou de modo mais cru devorei um pingo imenso, com muitas gramas de peso!
Revivalismo musical

Manifesto dos Roxy Music, quem gosta?

AIN’T THAT SO

(Ferry)

I´ve been around
So far it seems
Too bad the blues
Blew my schemes
Dynamite
Such sweet surprise
In southern heat
Or northern skies
Ain´t that so
Shadows cling
Where shutters close
Who can tell
Heaven knows
Why some can laugh
And some can sing
Stand in line
Or get on down and swing
Ain´t that so
Cross the street
Who´s ringing bells?
Peeling walls
Of cheap hotels
Neon flare
A sudden chill
And there you lie
And time stands still
Ain´t that so
Milton Nascimento

Milton Nascimento é o compositor/cantor brasileiro que mais aprecio. O seu/dele albúm Milagre dos Peixes o meu preferido, e Cais uma das canções da minha vida, assim como Sabe Você, Clube da Esquina, Viola Violar ... todas do mesmo trabalho.

Cais

Para quem quer se soltar invento o cais

Invento mais que a solidão me dá

Invento lua nova a clarear

Invento o amor e sei a dor de me lançar

Eu queria ser feliz

Invento o mar

Invento em mim o sonhador

Para quem quer me seguir eu quero mais

Tenho o caminho do que sempre quis

E um saveiro pronto pra partir

Invento o cais

E sei a vez de me lançar

23.6.04

Despertar

Esta manhã, como em tantas outras manhãs, despertei com a homenagem dos pássaros ao sol nascente. É um milagre este cantar encantado das aves à luz. Também devo ter alma de ave...
Já bem acordada, pensei, também, como em tantas outras vezes, que um destes dias direi à morte: "É já hoje? Ainda é tão cedo!" Seria bom morrer com o sol a incidir-me no rosto e ao som do canto matinal das aves.

22.6.04

Confidências e Desabafos de Savarin

Confidências e Desabafos de Savarin (36)

Pingos de tocha

Na semana passada estive no café Arcada, em Évora, e ao sair reparei nuns doces que já não via há muito tempo, os pingos de tocha. Amante obsessivo de doces carregados de gemas e de açúcar, só resisti à tentação porque o seu aspecto não agradou ao meu sentido estético.
Agora até estou a salivar só de imaginar aquela combinação feliz de fios de ovos com fondant!
Dizem alguns entendidos que foi um doce muito em voga nas pastelarias de Lisboa desde o início do século xx à década de 20 do mesmo século,embora seja uma receita bem mais antiga. Durante os meus saudosos tempos de estudante regalei-me com deliciosos pingos de tocha que saboreava numa pastelaria da Avenida de Roma. Doces tempos!

Aqui seguem duas receitas dos ditos cujos e uma de fios de ovos:

Pingos de Tocha I

Ingredientes(12 pingos)


1KG de fios de ovos
500 gr de açúcar
manteiga q.b.

Preparação

Assentar um arame untado com manteiga sobre dois suportes de 20 cm de altura. Suspender os fios de ovos no arame em grupos separados entre si por 2 ou 3 cm. Com o açúcar fazer uma calda em ponto de espadana e com uma colher ir deitando calda sobre os fios de ovos até estes ficarem bem cobertos. Só se deve retirar os pingos do arame quando estiverem frios, secos e nada pegajosos.

Pingos de tocha II

Mosteiro de S. Gonçalo - Amarante


Ingredientes

18 gemas + 1 clara

750g de açúcar

Preparação

Fiem-se as gemas com a clara no açúcar em ponto como se diz na receita de fios de ovos.

Prendam-se as extremidades de um arame grosso em duas cadeiras, e por baixo ponha-se um tabuleiro.

Tomem-se os ovos fiados em pequenos molhos e pendurem-se no arame; por baixo ponha-se um tabuleiro.

Leve-se ao lume a calda de açúcar que serviu para os fios de ovos; quando fizer ponto de rebuçado fraco retire-se do calor e bata-se numa tigela até ficar branco e seco. Derreta-se depois em banho-maria e verta-se sobre os fios de ovos pendurados, de modo a que o açúcar fique com o aspecto de pingos de cera.

E por último uma receita de fios de ovos:

Fios de Ovos


Ingredientes:


12 gemas
2 claras
750 g de açúcar

Preparação

Misturam-se as gemas com as claras, com um garfo, sem bater, e passam-se 3 vezes por um passador de rede.
Leva-se o açúcar ao lume com 2,5 dl de água e deixa-se ferver até atingir o ponto de pérola fraco (34º C Baumé ou 108º C no máximo). Limpa-se o açúcar de todas as impurezas.
Têm-se já os ovos dentro do funil de fazer os fios de ovos e sem demoras, para não deixar aumentar a densidade do xarope, deixam-se cair os ovos em calda em pequenas porções, manobrando o funil em círculo e o mais alto possível. Os fios tomarão o aspecto de uma meada. Retira-se esta meada com a ajuda de uma ou duas escumadeiras e colocam-se sobre uma peneira com o fundo virado para cima. Abrem-se os fios passando as mãos por água fria. Nesta altura podem passar-se os fios por um xarope de açúcar mais fraco (pode retirar-se uma pequena porção de calda e juntar-lhe um pouco de água). Enquanto se preparam os fios de ovos, devem sempre borrifar-se com água fria para impedir que a densidade do xarope aumente. A calda de açúcar deverá manter-se sempre a ferver no centro do tacho.
Para possibilitar a separação dos fios durante a cozedura, adiciona-se um pouco de água a que se junta uns pingos de gemas. As gemas ao ferver fazem bolhas que automaticamente separam os fios dos ovos.


Poesia tamil

Whenever My Lover Touches Me

Like the algae on the well
from which the townsfolk drink,
my paleness goes away
whenever my lover touches me.
And whenever he leaves
it spreads over again.


kuruntokai 399

21.6.04

Reencontros

Ontem fui a Évora buscar provas de exame para corrigir. Como é previsível revejo professores conhecidos, pois todos os anos repetimos este ritual . No entanto, reencontrei uma colega de mestrado que não estava mesmo à espera de ver no Alentejo, ainda menos em Évora a levantar provas. Gostei imenso desta surpresa, em primeiro lugar porque já não tinha contactos com ela há 5 anos, calculo. Em segundo lugar, porque deparei com ela rejuvenescida, mais bonita e com um fulgor no olhar. Recordava-a tão sombria e agora irradiava entusiasmo! Dir-se-ia que o tempo foi generoso para com ela e lhe deu um novo alento.
Fiquei a saber que trabalha e vive em Arraiolos e pensa instalar-se por lá. Logo trocamos os novos números de telefone...
Este ano tem sido um ano de grandes reencontros e, verdade seja dita, de alguns bons novos encontros.


Love is a place




love is a place
& through this place of
love move
(with brightness of peace)
all places

yes is a world
& in this world of
yes live
(skilfully curled)
all worlds


E.E. Cummings
Presença

fecho os olhos, no silêncio
da casa cheia de ti
ergo a mão, quase posso tocar-te
e o linho lembra lânguidas essências

18.6.04

Na estação rodoviária

O tempo vai-se escoando ao meu lado, enquanto aguardo a camioneta de Évora para Montemor. Uma hora esvaiu-se sem eu dar por ela.

Se morrer for como desmaiar, como aquele fortuito instante em que se ultrapassa o limiar do eu e se cai na tranquilidade da inconsciência, não me importaria de morrer agora. Porque os piores momentos de um desmaio são a primeira fase de náusea e estonteamento e o momento de regresso ao estado consciente. Em todas as vezes que desmaiei senti-me desapontada ao despertar.

Talvez porque hoje terminei uma função desagradável, e me sinta a um só tempo, realizada, livre e cansada, os meus pensamentos giraram à volta de comida, morte, volatilidade, evanescência e...
Império da gula

Ontem ao fim da tarde saboreei um enorme russo - um bolo! - com duplo recheio de creme de manteiga e creme pasteleiro. Hoje após um frugal almoço, fiz um estágio no céu dos doces conventuais ao deglutir uma trouxa de ovos. A minha meta é atingir os 100 kg... Terei que ingerir 60 kg de doçaria variada nos próximos dias.
o perfume

XX pensa que XY é o seu perfume preferido. fragrância feita à medida do seu olfacto. por essência um perfume é volátil, é para ser testado e usado por várias pessoas, logo XX confia na volatilidade de XY.

17.6.04


Francis Bacon, Oedipus and the Sphinx
after Ingres, 1978



Mais uns versos, roubados a Rilke:


"Que um dia havias de vir, não respirei
eu, de tanta meia-noite, por amor de ti,
tal inundação?" (...)Rilke

16.6.04

Jazz e relatórios

Enquanto redijo mais um daqueles relatórios do maior interesse para o progresso da humanidade... alegro a alma com o virtuosismo do John Coltrane Quartet: "Everytime you say goodbye."
Ode pirosa aos dias quentes

O calor é o meu amor maior. Proporciona-me um estado de bonomia, enche-me de prazer, dilata-me o corpo e a alma.
Nestes dias quentes é como se nunca abandonasse a cama, porque enlaçada por um corpo de veludo
Boas leituras

Gostei muito de ler o texto "Joyce por Attridge, Bloom e Nabokov", da Charlotte, pelo seu rigor, pela selecção das fontes e pelo critério de escolha das citações.
Matinal

Despertar, abrir as varandas olhar o branco das paredes, os telhados, a fonte, as árvores e os pássaros, no largo. Depois o silêncio e a reflexão. Agora Chet Baker Sextet, "Early Morning Mood."
Impressões

Os jardins são uma das expressões mais felizes de harmonia entre civilização e natureza.

Uma chuva de pequenas flores amarelas descia sobre os acantos, muitos acantos, muito verdes protegidos pela sombra de grandes árvores e formava manchas de ouro no asfalto negro.

14.6.04

Sapatos

Informaram-me, há poucas horas, que é bem gostar de sapatos e falar de sexo, sobretudo de sexo na cidade. Pois eu, segundo rezava a minha mãe, era ainda gaiata de 3 anos e já conhecia de memória as marcas dos sapatos mais em voga na minha infância, para criança, senhora e homem ou homem, senhora e criança, como se dizia na altura. Ainda hoje me recordo da marca Lady. Acondicionados em caixas muito distintas com um design muito clean,geométrico, a puxar para Mondrian, encontravam-se uns sapatos de senhora muito fashion na ocasião, com bicudas biqueiras e com aqueles saltos muito finos que se enterram na calçada, caso a dama não tenha perícia suficiente para evitar os desníveis.
Só sei que me passava com aqueles modelitos, sonhando poder calçá-los mais tarde... Como eu era semi-bem!

13.6.04


Body Art

Num leito repleto de pétalas de açucenas, buganvílias, glícinias, lírios, madressilvas, rosas e zínias os lençóis seriam telas, as flores pigmentos e os corpos pincéis.
O Jardim de Epicuro


"O meu jardim não excita a fome, ele satisfá-la; não aumenta a sede à força de beber, ele apazigua-a dando-lhe gratuitamente o seu remédio natural. E foi nestes prazeres que eu envelheci."

Epicuro

Of Gardens, an essay by Francis Bacon (1561-1626)


"God Almighty first planted a Garden; and, indeed, it is the purest of human pleasures; it is the greatest refreshment to the spirits of man; without which buildings and palaces are but gross handy-works: and a man shall ever see, that, when ages grow to civility and elegancy, men come to build stately, sooner than to garden finely; as if gardening were the greater perfection."
(...)

Scents

And because the breath of flowers is far sweeter in the air (where it comes and goes, like the warbling of music), than in the hand, therefore nothing is more fit for that delight, than to know what be the flowers and plants that do best perfume the air. Roses, damask and red, are fast’ flowers of their smells; so that you may walk by a whole row of them, and find nothing of their sweetness; yea, though it be in a morning’s dew. Bays, likewise, yield no smell as they grow, Rosemary little, nor Sweet Marjoram; that which, above all others, yields the sweetest smell in the air, is the Violet, especially the white double Violet, which comes twice a year, about the middle of April, and about Bartholomew-tide. Next to that is the Musk-Rose; then the Strawberry leaves dying, with a most excellent cordial smell; then the flower of the Vines, it is a little dust like the dust of a Bent, which grows upon the cluster in the first coming forth; then Sweet-Briar, then Wallflowers, which are very delightful to be set under a Parlour or lower chamber window; then Pinks and Gillyflowers, specially the matted Pink and Clove Gillyflower; then the flowers of the Lime-tree; then the Honeysuckles, so they be somewhat afar off. Of Bean-flowers I speak not, because they are field-flowers; but those which perfume the air most delightfully, not passed by as the rest, but being trodden upon and crushed, are three; that is, Burnet, Wild Thyme, and Water-Mints; therefore you are to set whole alleys of them, to have the pleasure when you walk or tread.

Impressões do fim de semana

Dois dias entregue à doçura do calor, impregnados de serenidade com uma pitada de nostalgia, algumas miragens, alucinações e muita bloguice pelo meio. Fiquei em Montemor, mas sentia-me espalhada pelo mundo. Gosto destes dias assim em que é preciso tão pouco para ser feliz.
Reminiscência de um jardim




Paul Klee, Remembrance of a Garden
Escadas

quando te conheci tinha emprestado a alma a um fantasma e o meu corpo tremia de frio. tentei reanimá-lo com as estratégias do costume, mas o fantasma recusava-se a devolver-me a alma e pretendia depositá-la no Hades. entretanto o meu corpo gelava. era Inverno e foi um ser das sombras que te apareceu. desci as escadas julgando não voltar a subi-las...

Gostar

gosto de ti sem amarras
sem condições nem exigências
não és meu nem eu sou tua
somos

Ilusões perceptivas, miragens e alucinações



As ilusões são deformações da percepção. Diz-se que há uma ilusão sempre que se verifica um desacordo entre os dados da percepção e a realidade física, entre o percebido e o objecto. As ilusões implicam uma percepção falseada de um objecto cuja causa reside na natureza do nosso processo perceptivo. Na verdade, tudo o que vemos são ilusões ópticas, na medida em que a visão é um processo de reconstituição da realidade no interior do cérebro, de acordo com determinados padrões.
Há que distinguir a ilusão de dois fenómenos com os quais é, por vezes, confundida: a miragem e a alucinação.
A miragem é sobretudo um fenómeno físico, mais do que um fenómeno psicológico. Ocorre devido à modificação da direcção dos raios solares (índice de refracção) resultante de certas condições atmosféricas. Quanto à alucinação deve-se a causas psicológicas, mas ao contrário da ilusão é uma "percepção sem objecto" mais do que uma deformação da percepção.
Observa-se a existência de ilusões relativas aos diferentes sentidos, todavia as mais divulgadas são as ilusões óptico-geométricas.

"The organizational mechanisms of vision are best demonstrated by illusions. Illusions illustrate that perception is a creative construction that the brain makes in interpreting visual data....Learning does not prevent us from being taken in by these illusions."

Eric Kandel, Principles of Neural Science in
Alucinação



penso-te
apareces-me

respiro o teu cheiro
o teu gosto desfaz-se na língua
a tua pele enxerta-se na minha

o leite sobe
como depois de um parto

12.6.04

Poesia num Domingo quase de Estio


XIV

Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei

XVIII

Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.


Eugénio de Andrade, As Mãos e os Frutos



X e Y



X rememorou todas as viagens, todas as ruas que subiu e desceu e desceu e subiu, todas as vezes que trepou aquelas escadas, em sobressalto, pensando no filme O Tambor, em direcção a Y. O que moveria X, que necessidade, que impulso, que pulsão? Apenas a líbido ou um ímpeto, uma afeição de uma outra natureza, de uma intensidade diferente a que muitos dariam o nome de Eros, à falta de outra designação mais expressiva? A busca da outra metade da téssera?

Miragem

Penso-te
apareces-me
miragem
no deserto da
minha sede

Poetas da Índia

When like a hailstone crystal, like a waxwork image,
the flesh melts in pleasure...
The waters of joy burst their banks and ran out of my eyes.

Basavanna






A tentação de classificar

Muitas vezes temos a leviandade de querer classificar a realidade, de atribuir nomes às coisas, de as encaixar em crivos e grelhas, de as hierarquizar, com a vã pretensão de as explicar e controlar. No entanto, não passam de designações vazias de sentido, muletas ilusórias daquilo que Nietzsche considerou a vontade de poder.

Confidências e Desabafos de Savarin (35)

Reflexões de Nietzsche sobre as cozinhas alemã e inglesa e os seus efeitos na qualidade do espírito


Considero deliciosa a seguinte passagem do Ecce Homo:

De facto, sempre até aos anos da maturidade comi mal, ou falando moralisticamente, diria que comi de maneira "impessoal", "desinteressada", "altruísta", para glória dos cozinheiros e de outros irmãos em Cristo. Adoptando a cozinha de Leipzig, por exemplo, na mesma época em que empreendia o meu estudo de Schopenhauer (ano de 1865), negava muito a sério a minha vontade de viver. Arruinar o estômago e alimentar-se ao mesmo tempo de modo deficiente, eis um problema que a aludida cozinha se me afigura resolver de modo muito satisfatório. (Diz-se que o ano de 1866 trouxe neste ponto melhoria).Quantas coisas, por tal estilo, não tem, entretanto, na consciência a cozinha alemã em geral! A sopa antes da refeição (ainda em livros venezianos de arte culinária do século XVI se designa isso como "à maneira alemã"); a carne muito cozida, a hortaliça grossa e suculenta; a degenerescência dos bolos, até fazer deles pesa-papéis. Se, além disso, tivermos em conta a necessidade, verdadeiramente animal, de beber depois da comida, necessidade que sentem os velhos alemães, e não só os velhos, compreender-se-á melhor ainda a origem do espírito alemão - que provém de desarranjos intestinais... O espírito alemão é uma indigestão, nada digno dá de si.
Pelo seu lado, a dieta inglesa que em comparação com a alemã, e mesmo com a francesa, é uma espécie de "regresso à natureza", ou seja ao canibalismo, resulta profundamente contrária aos meus instintos; parece que dá ao espírito pés pesados - pés de mulheres inglesas... A melhor cozinha é a do Piemonte.


Nietzsche, Ecce-Homo, (Lisboa, Guimarães Editores, 1979), p. 49

11.6.04

Milles Davis, Kind of Blue

Do tempo em que ele era um deus negro, e vivia na intensidade efémera da sua beleza e lubricidade, tornada eterna pela música.
Ataraxia 2

Nesta linda manhã de Sábado não penso na pergunta "porque há o ser e não o nada," nem me preocupo com a essência do tempo, descubro uma vez mais, a ilusão do eu e a beleza da vida e da morte.
No metro

Um deus louro e pedrado. Alucinado, mas ainda um deus, vagueava no metro na estação Baixa-Chiado.
De cabeça no ar

Quando passo pelo jardim de Santos, gosto de andar de cabeça no ar, qual Miguel Ângelo a pintar a Capela Sistina - esqueçam a megalomania implícita na comparação - para ver o céu através do rendilhado verde e negro das folhas e ramos das árvores gigantescas, de fazer perder a respiração, que o habitam e fazem o encanto daquele jardim.
Mangia che ti fa bène!

No feriado fui jantar com a Madalena. A Madalena está incluída no grupo daquelas amigas que me fazem, inevitavelmente, sorrir de ternura. Resolvemos seguir uma das últimas sugestões do Don Vivo, até para confirmar se as suas frequentes apreciações sobre restaurantes não passam de mera verborreia estéril ou se são mesmo para levar a sério. Optamos por comer no Piccolo Napoli. Escolhi um prato de "Tortelini di ricota e spinaci," na verdade era uma delícia. A Madalena também se sentiu muito satisfeita e reconfortada com o "Tagliatelli a la casa." Agradecemos ao Don Vivo a referência, pode continuar a dar indicações sobre lugares simpáticos onde se pode comer bem, e, neste caso, barato.
Todavia, há um reparo a fazer o empregado não devia nada à beleza... Perdoem a superficialidade, mas utilizando uma expressão de péssimo gosto: "os olhos também comem" ... A Madalena como se encontrava num momento de intenso arroubo e entusiasmo, conforme me confidenciou, por um jovem e garboso Mário nem reparou, como é seu hábito, neste importante pormenor.

Embora, seja ainda muito cedo: "Salúte e buon appetito!"
Compagnons de route

Comoveram-me as belas palavras do Miniscente. No universo dos blogues o Miniscente foi um dos primeiros, e é um dos mais constantes e apreciados compagnons de route do Digitalis.
Festejemos, pois, o esplendor do calor deste generoso mês de Junho.

10.6.04

Peregrinação

Um dos meus projectos de estimação é deambular a pé pelo mundo, de preferência com Y. Todavia... como Y não estará disposto a calcorrear assim o mundo, escolherá um veículo da sua preferência. Iniciaremos uma peregrinação paralela, mas não-
-euclidiana, cruzando-nos, aqui e ali, ao sabor do ímpeto.

Amuleto


A intensidade da nossa afeição deveria converter-se numa espécie de amuleto com o poder de repelir, pelo menos alguns dos males, que fustigam quem amamos.
Um sorriso nos olhos da alma

Agradeço à Charlotte o destaque. E destaco os comentários empáticos de Musas Esqueléticas, do Parolo, do Pedro Farinha e da Soledade, porque me despertaram um "sorriso nos olhos da alma," expressão roubada ao título de um dos meus livros de eleição de Lawrence Durrell.

8.6.04

O que fazer?

Rilke perguntaria, com subtileza: "Como hei-de eu conter a minha alma que não toque na tua?" Não posso impedir-me de pensar em ti com um sorriso de ternura e com amizade amorosa ou amor amistoso.
Ataraxia


Não sei se é devido ao calor, se é devido ao cansaço provocado por várias situações complicadas vividas nos últimos dias, ou devido a alguma meditação, mas sinto-me num estado de espírito de empatia e de conciliação com o mundo, (não confundir com resignação... ).
Confidências e desabafos de Savarin (34)

Ando a fazer uma pesquisa sobre as ligações secretas e perigosas entre culinária e venenos. Ao ler os pretensos Apontamentos de cozinha de Leonardo deparei-me com as seguintes afirmações. Dispenso-me de tecer comentários sobre o texto.

Os venenos na cozinha

Vou encontrar-me com o meu Senhor Cesare e com Mestre Macchiavelli para aprofundar os meus conhecimentos acerca de venenos, que são insignificantes, dada a relutância de Salai em colaborar comigo nas minhas experiências, desde que descobriu, e passou a resistir, que eu lhe introduzia doses crescentes de esctricnina e beladona na sua polenta matinal, tendo passado a mostrar-se avesso a aceitar as minhas explicações, de que se tratava somente de aumentar a sua imunidade a essas substâncias, caso as mesmas lhe viessem a ser servidas por outras pessoas menos amigáveis - tendo em conta a reputação do pessoal doméstico do nosso bom anfitrião.
No entanto, há algumas coisas sobre as quais não me restam dúvidas. A escolha do veneno depende do efeito que se pretende obter na vítima. Assim, um veneno em especial provoca espirros, outro comichão, outro ainda saltos e convulsões, e outro ainda, a morte total. Quem se iniciar nas artes de envenenador não deve confundir os diversos venenos disponíveis. Deve aprender que a estricnina provoca torcicolos e terrores; que as bagas castanhas e pretas da mortífera erva-moura fazem revirar os olhos e levam ao delírio; que o acónito (tão amiúde confundido com as raízes dea cocleária) dá origem a formigueiros e vómitos; que a cicuta é um veneno que provoca a morte total.
Existem ainda outros de cujos efeitos não estou totalmente seguro, dado o egoísmo de Salai: entre eles contam-se a serpentária, o ruibardo, a atanásia, o mata cão, o meimendro, o visco, o topinambo batateiro e o bolor de certos queijos deMantua.
Se bem que tenho a certeza absoluta de uma coisa: um bom veneno deve ser sempre administrado no início de uma refeição, porque actua mais rapidamente quando o estômago está vazio e porque, administrado nestas condições, é mais vantajoso para o envenenador, que assim só necessita de uma pequena medida do seu produto, e para o anfitrião, que não gostará de ver o banquete organizado para os comensais perturbado popr uma lenta agonia da vítima.


Shelagh; Jonathan Routh, Apontamentos de Cozinha de Leonardo da Vinci, (Edições Atena, Lda, 1997), pp. 114-115.

7.6.04

Império dos Sentidos

Delight in Disorder

A sweet disorder in the dress
Kindles in clothes a wantonness.
A lawn about the shoulders thrown
Into a fine distraction;
An erring lace, which here and there
Enthralls the crimson stomacher;
A cuff neglectful, and thereby
Ribbons to flow confusedly;
A winning wave, deserving note,
In the tempestuous petticoat;
A careless shoestring, in whose tie
I see a wild civility;
Do more bewitch me than when art
Is too precise in every part.


Robert Herrick


Açucenas no terraço

Ainda não tinha celebrado, por aqui, a alegria de ver açucenas a florir no terraço, pela primeira vez.
Conversas

Gosto de conversar com quem me oferece perspectivas e conhecimentos inusitados, que transcendam os limites do meu mundo, e, assim, alargar o campo da consciência. É uma experiência sem paralelo poder ser surpreendida pelo saber do outro. Como disse alguém, é raro encontrar pessoas com quem se possa conversar e pensar, mas que as há, há...

Loucuras de um monge zen

Limpar o rabo de um buda

No grupo do mestre zen Hakuin havia um monge louco que pensava ter apreendido a identidade entre si mesmo e Buda. Arrancava as páginas das escrituras budistas para as usar como papel higiénico.Outros monges repreenderam-no por isso, mas ele não ligou, retorquindo altivamente:"Que há de errado em usar escrituras budistas para limpar o rabo de um buda?"
Ora alguém repetiu isto ao mestre Hakuin, que perguntou ao monge louco: "Dizem que andas a usar escrituras budistas como papel higiénico. É verdade?"
O monge respondeu: É que eu próprio sou um buda. Que há de errado em usar escrituras budistas para limpar o rabo de um buda?"
Hakuin disse: "Não tens razão. Uma vez que é um rabo de Buda, porquê usar papel velho e escrito? Devias limpá-lo com papel branco e limpo."
O monge louco ficou envergonhado, e pediu desculpa.


Thomas Cleary, Novos Contos Zen, (Lisboa, Presença, 1995), pp.21-22.

Nota: Vou tentar encontrar a reencarnação do mestre Hukuin para orientar o docente doente...

6.6.04

Evocação

Há tantos meses, num fim de tarde numa esplanada na praia, um grupo ria, perdidamente, enquanto saboreava conquilhas...
Como seria bom viajar no tempo, podia ser do presente para o passado ou do presente para o futuro, desde que o cenário e as personagens fossem semelhantes
Confidências e desabafos de Savarin (33)
Chocolate amargo


Quem diria que o delicioso chocolate, indutor de tantos prazeres, se prestaria a tamanha igonomínia!

No período victoriano, as mulheres que pretendiam envenenar o amante, o ex-amante ou quiçá o marido, tinham por hábito utilizar bombons de chocolate ou cacau como veículo para ministrar o veneno. O arsénico era utilizado pelas senhoras da moda quer para fins estéticos quer para tratar da saúde de indivíduos indesejados...

Um caso famoso:

Madeline Smith, uma bela rapariga de 21 anos de idade, viveu em Glasgow corria o ano da graça de 1897. Ela manteve um tórrido caso com o clérigo Emile L'Angelier, tendo-lhe escrito cartas muito apaixonados durante a relação. Entretanto, o pai de Madeline pressionou-a para iniciar um compromisso de noivado com um amigo dele. Madeline tentou reaver as fogosas cartas. O pastor recusou-se a entregá-las e ameaçou revelá-las ao noivo da rapariga. Então, ela não esteve com meias medidas, envenenou-o com arsénico servido numa bela chávena de cacau. O incauto bebeu a exótica preparação e logo...
No seu julgamento a rapariga causou muito boa impressão em todos os presentes, tanta que o veredicto final foi: "Não provado"!!!

5.6.04

Vende-se


Vende-se tema, plano e um conjunto de ideias para tese de doutoramento. Fornece-se também ampla bibliografia e fotocópias de artigos.
A área de investigação só será divulgada junto dos eventuais interessados, para não quebrar o sigilo.


3.6.04

Paraíso

"Todo o objecto amado é o centro de um paraíso."

Novalis, Fragmentos, (Lisboa, Assírio e Alvim, 1986), p.21