30.12.03



Ano Novo, Vida Nova




Depois de um serão a ruminar, purifiquei o meu espírito, preparando-me para entrar no Novo Ano com a alma branca.
Esta será a última entrada de 2003. Por isso, desejo aos visitantes deste blog um Bom Ano de 2004, recheado de agradáveis surpresas e que exceda as vossas melhores expectativas.



Até para o ano!

29.12.03


Uma raridade do mundo vegetal, nauseabunda, e em vias de extinção

Talvez por ser fim de ano, ou por qualquer outro motivo mais rebuscado, lembrei-me de referir este estranho ser:

Rafflesia arnoldii
Rafflesia, " a rainha dos parasitas"

Género de plantas das florestas da Malásia e da Indonésia, da família das raflésias, de que é o tipo. São acaules e afiladas, com flores gigantescas, dióicas e apétalas. Vivem como parasitas, sobre os troncos e raízes de várias plantas do género cisso. Têm cálice de 5 lobos carnosos que exalam, normalmente, um cheiro a carne em putrefacção.

28.12.03

Confidências e Desabafos de Savarin (14)
Uma sobremesa pétillante para o réveillon:

Fata Morgana (Receita do Hotel Intercontinental de Zurique)

Ingredientes:

1 garrafa de champagne
1 kg de gelado de baunilha ligeiramente amolecido
2 claras
4 colheres de chá de açúcar
1 limão

Preparação

Misturar a raspa e o sumo de limão com o gelado de baunilha. Bater as claras em castelo com o açúcar e incorporá-las, com cuidado, ao gelado. Guardar no congelador até ao dia seguinte. Colocar o champagne em taças até 3/4 da capacidade, e pôr em cada uma delas uma bola de sorvete. Servir imediatamente. Dá à volta de 8 doses.




A UM NOVO ANO PÉTILLANT DE JOIE

Duas Vias para a Compreensão da Hermenêutica : Heidegger e Paul Ricoeur

III - A Destruição da Metafísica
(7)

O discurso verdadeiro, a "ciência" aqui no sentido de Filosofia, que completa e realiza, a Metafísica, introduziria a transparência integral e permitiria conhecer o que existe tal como deve ser conhecido - seria o sistema das transformações necessárias que afectariam o próprio discurso quando ele se constitui como discurso escrito que exporia o domínio do homem que fala e que escreve, domínio esse que se estenderia não só às teorias (ideologias) que professa, mas também às práticas, aos comportamentos empíricos que adopta. A "Ciência", que é ciência da diferença e da contradição procuraria fazê-las desaparecer, situando-as nos lugares que lhes compete, as diferenças e contradições empíricas.
(Hegel, segundo teses contrárias às de Heidegger, ultrapassou a oposição entre forma e conteúdo, racional e real e descobriu um novo movimento de pensamento o qual mergulharia no Real abandonado e encontraria nele raízes. Um pensamento que teria procurado "restabelecer" o real com todas as suas características visionando-o como se fosse mais do que o mero conteúdo da razão.
O Real retomado no seu movimento e na sua vida, mas reflectido, informado, tornado claro e consciente. Hegel teria retomado o movimento natural do pensamento no pesquisar, no apreender das contradições).
As teses em presença, revelam-se incompletas, superficiais, como aparências momentâneas de verdade. Torna-se elucidativo transcrever urna breve passagem da "Grande Lógica" de Hegel:
"Damos o nome de Dialéctica ao movimento mais elevado da Razão, no qual estas aparências distintas, passam de urna para a outra e se ultrapassam".
"O verdadeiro é o Todo" (in Fenomenologia do Espírito I, 18), mas o todo com as suas articulações, isto é com os momentos diferentes em que se institui corno totalidade. É neste sentido que o absoluto (ou o verdadeiro) é "sujeito". Não há de um lado o sujeito do conhecimento e do outro a substância. O verdadeiro (ou o absoluto) é o sujeito do seu próprio desenvolvimento. No Termo do seu percurso reencontrar-se-ia.
A consciência - que é o ser "para si" - ao encontrar o "em si" que é imprescindível para a sua afirmação, tomaria configurações diversas até ao momento em que descobriria a não diferença do "em si" e do "para si"; isto é o "Espírito".
Heidegger, contra tudo quanto se disse, afirmou que a Dialéctica não se deixaria explicar logicamente a partir da negociação e da posição próprias ao representar. Hegel, não teria concebido a experiência dialecticamente: ele pensaria a dialéctica a partir da essência da Experiência.

27.12.03

Confidências e desabafos de Savarin (13)


O prometido é devido, por isso, eis a receita da:


Tarte de Salmão Fumado
Tarte de salmão fumado

Ingredientes:


1 embalagem de massa folhada congelada ( de preferência já preparada para tartes)
1 embalagem de salmão fumado
4 ovos
200ml de natas
pimenta
noz moscada

Preparação:


Forrar a tarteira com a massa. Entretanto, bater os ovos, juntar-lhes as natas e temperar a gosto com pimenta e noz moscada.
Cortar o salmão em tiras e depositá-lo sobre a massa folhada. Despejar a mistura de ovos e natas sobre o salmão. Levar ao forno previamente aquecido a 200º até dourar.

25.12.03

Confidências e Desabafos de Savarin (11)

Crónica do Natal

No dia 23 desloquei-me com a minha filha até Évora, onde encontrei, por acaso, a minha amiga Jesuína. Um inesperado e verdadeiro presente de Natal. Depois de algumas voltas almocei em casa dela. Os filhos estão lindos e adoráveis.
Ambas açorianas, uma da Terceira, outra de S.Miguel, revivemos a tradição açoriana da mijinha do menino Jesus... Passo a explicar, nos Açores manda a tradição preparar licores, de leite e de tangerina, para oferecer na vêspera de Natal a quem vai de casa em casa e pergunta:"O Menino Jesus mija?" Os licores servem-se na companhia dos doces natalícios próprios de cada ilha.
A Jesuína é daquelas amigas que nos faz transbordar o ego. Se a nossa disposição e amor próprio se encontram em baixo, logo, sobem até aos píncaros dos Himalaias.
Depois deste feliz episódio parti para Lisboa onde me esperava a Ivone, outra amiga incondicional, com quem não estava há dois anos. Mas, parece sempre que nos despedimos no dia anterior.
Recebeu-nos na sua casa cheia de luz e presenteou-nos com uma deliciosa refeição onde se destacava uma saborosa tarte de salmão, cuja receita registarei, aqui, mais logo.
Conhecer outras espécies do género digitalis:

Digitalis grandiflora


Presentes dos deuses: Joseph Turner e o amanhecer

Joseph Turner, Sunrise beteween to Headlands

24.12.03

Espírito de Natal

Natal é reencontrar amigos que nos apreciam incondicionalmente.

22.12.03

Claude Monet, Nympheas le Matin
Já a aurora de róseos dedos e fresco sopro entra pela janela. Ao modo de Homero apetece celebrar o enigma diário do amanhecer, lembrar o dia
esplendoroso de ontem e viver cada dia como se fosse um milagre.

20.12.03


Sambucus Nigra L.

O SABUGUEIRO (IV)

Então as suas bagas enchem-se, as umbelas cheias curvam-se, dobradas ao
peso do seu leite negro.

Caem do alto, muito juntas, no tanque verde das suas folhas, e dispersas
escorrem ainda pelo bordo em densas gotas.

De pés vermelhos descarnados pendem sobre o tanque seguinte ou saltam
sobre a folhagem para o vazio.

Como em nenhum jogo de água, derrama-se em centenas de cascatas,
e transpõe o bordo verde sem que um último tanque o recolha.

Assim transcende o desenho das fontes romanas, transpõe o muro em ruínas,
transbordante.

Fica a desmesura do seu movimento, fixa-se a si próprio numa imagem, por
alguns dias de fim de Verão, até que as suas bagas caiam uma a uma e as um-
belas escuras se iluminem.

Por fim tinge de gotas negras as pedras a seus pés.

Michael Donhauser, Das Coisas, (Quetzal Editores, 2000), p.14.


Sambucus Nigra L.

O Papel das Mulheres na História da Psicanálise (2)

Margaret Schonberger Mahler (1897-1985)

A investigação de Margaret Mahler foi fundamental para o trabalho de Heinz Koht, Otto Kernberg e outros pioneiros da psicologia do ego. A sua pesquisa centrou-se no estudo dos três primeiros anos de vida da criança. O seu trabalho baseou-se em larga medida na observação naturalista o que lhe permitiu esboçar algumas conclusões acerca da relação entre o inevitável desenvolvimento físico e o concomitante desenvolvimento psicológico das crianças durante os três primeiros anos de vida. Margaret apercebeu-se desde muito cedo que o nascimento biológico não coincidiria com o nascimento psicológico. Ao nascer a criança não se percepciona como um ser distinto do seu meio ambiente. Para que o indivíduo seja bem sucedido na superação das importantes fases e subfases deste período vai passar por uma grande variedade de estádios psicológicos. Muitas das experiências precoces são necessárias para o desenvolvimento saudável das estruturas do ego e do superego. Os conflitos não resolvidos ao longo dos três primeiros anos de vida tiveram especial interesse para os investigadores da psicologia do ego devido à sua relevância na formação de graves desordens de carácter, especificamente ao nível do desenvolvimento de personalides borderline e narcísicas.

Bibliografia

Mahler, Margaret, The Psychological Birth of the Human Infant: Symbiosis and Individuation,, (New York, Basic Books, 1975).
Mahler, Margaret, Selected Papers of Margaret Mahler, (London, Jason Aronson, 1982).
Kaplan, HI; Sadock, BJ., Compreesive Textbook of Psychiatry, (Baltimore, Williams & Wilkins, 1995).

A propósito do post de Paulo Pereira de Sexta-feira, Dezembro 19, 2003, no Blogo Social Português intitulado "O Ambientalista optimista" pensei que devia referir o trabalho desenvolvido pelo ecologista americano Eugene P. Odum.


"A compreensão da sucessão ecológica providencia uma base para a solução do conflito entre o homem e a natureza." Eugene P. Odum (1969)

Eugene P. Odum talvez tenha rivalizado apenas com Robert MacArthur na obtenção do título do ecologista mais influente das últimas décadas. A maior influência de Odum foi veiculada através da obra Fundamentos da Ecologia ( 1953 ), no entanto, a sua sua acção englobou a formação de um quadro de estudantes e a elaboração de importantes contributos conceptuais e metodológicos. A emergência da ciência do ecossistema como subdisciplina mais destacada da Ecologia na segunda metade do século XX, pode ser atribuída, em larga medida à enérgica liderança de Odum. (James Brown, 1991 )

Muitas das teses de Odum sobre o ecossistema estão coligidas no artigo "A Estratégia de Desenvolvimento do Ecossistema", publicado em 1969, no jornal Science. Poucos artigos, em Ecologia foram tão influentes e controversos quanto este; até porque na época em que foi escrito a Ecologia americana estava dividida em duas competitivas escolas, a do ecossistema, dirigida por Odum, e a ecologia evolucionária, liderada por MacArthur. O artigo de Odum constituiu uma tentativa para ligar as duas subdisciplinas. Todavia, não foi uma tentativa nem de síntese nem de integração, bem sucedida na altura, porque reforçou o preconceito segundo o qual os teóricos do ecossistema tinham uma deficiente compreensão acerca da evolução; sendo até ridicularizada, pelos ecologistas evolucionários e considerada ingénua porque parecia requerer a existência de um processo análogo ao da selecção natural, operando ao nível do ecossistema.
Afirma, neste sentido, Worster: Odum libertou-se das suas dificuldades taxonómicas para descrever a vida dos ecossistemas, defendeu que uma "estratégia de desenvolvimento" era uma espécie de plano de jogo que proporcina tanto à natureza na sua totalidade como aos seus componentes individuais, uma direcção global, de conjunto. A palavra "estratégia", sugeriu, que os ecossistemas seriam seres conscientes que poderiam desejar objectivos para si próprios e lutar para os obter, mas Odum não queria na verdade, chegar a essa conclusão; ele apenas queria dizer que os ecossistemas são entidades auto-organizadas como os organismos. A sua estratégia, seria "alcançar uma grande e diversificada estrutura orgânica tanto quanto possível e dentro dos limites levantados pelas entradas de energia disponivel e das condições fisicas prevalecentes da existência". (...) Por outras palavras, o princípio unificador da natureza é que os organismos aprendem a trabalhar juntos para gerir o mundo fisico à sua volta com a máxima eficiência e beneficio mútuo. (D. Worster, 1995,366-367).

Só nos últimos tempos é que os contributos de Odum foram objecto de reapreciação e revalorização, por parte de alguns ecologistas evolucionários e biológos sugerindo que algumas comunidades ecológicas poderiam conter os tipos de estratégias evolucionárias visionadas por Odum , enquanto que outros reavaliaram oconceito de superorganismo de Clemens (James Brown, 1991 ).
Em "A Estratégia de Desenvolvimento do Ecossistema", Odum utilizou o fenómeno da sucessão ecológica para especular sobre os princípios gerais que governam a estrutura e a dinâmica dos ecossistemas. Aí tentou estabelecer, por um lado, as relações entre os processos do fluxo de energia e os ciclos de nutrição; e, por outro lado, os fenómenos do crescimento da população, a organização da comunidade e a adaptação.
Ele começou por criticar a deficiente utilização do conceito de sucessão ecológica e propôs uma reformulação do mesmo. Procurou elaborar uma perspectiva unificadora e globalizante da ecologia, através da apresentação do modelo tabular, preconizou e desenvolveu o recurso à experimentação laboratorial, à matematização e à simulação através da aplicação de modelos informáticos . Estabeleceu analogias entre as estratégias de desenvolvimento dos ecossistemas e a evolução das sociedades humanas, argumentou que a ecologia deveria incluir os seres humanos e as suas actividades como partes integrantes dos ecossistemas, eles não podem existir fora da natureza e os conflitos aparentes entre os homens e a natureza terão que ser solucionados ou ambas as partes sofrerão.

Também procedeu à análise das hipóteses de solução já conhecidas, para a crise ecológica contemporânea, tais como a estabilidade de pulso e a agricultura de detritos, alertou para a sua insuficiência e descreveu um modelo original de solução, o modelo de compartimento defendendo, deste modo a importância do desenvolvimento da teoria do ecossistema para a ecologia humana.

Odum usou um grande número de exemplos para ilustrar a "relevância do desenvolvimento da teoria do ecossistema para a ecologia humana". O ecologista, profeticamente, preocupou-se com os perigos resultantes da manipulação para a sua estabilidade, e perspicazmente previu os problemas que resultariam das enchentes anuais dos Everglades (também referidos por Clements ( 1936, p. 73 ). Apontou os benefícios económicos e ambientais decorrentes de uma redução da dependência da agricultura dos pesticidas e fertilizantes químicos. E, de modo mais ambíguo, preconizou uma forma de utilização da terra através da distribuição por zonas que limitasse a natureza e a distribuição das actividades humanas na paisagem no sentido de levar a população humana e a economia a um equilíbrio com os sistemas de suporte da vida da terra. Muitos dos problemas debatidos por Odum, neste artigo, são mais relevantes agora do que quando ele o publicou. ( James Brown, 1991 ). Dada a actualidade do seu conteúdo aconselha-se a leitura das teses nele desenvolvidas, até porque o artigo está traduzido em português, ver, Odum, E.P. , Fundamentos de Ecologia, ( Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997).

A perspectiva de Odum sobre a natureza enquanto um conjunto de séries de ecossistemas, em equilíbrio, perfeitos ou incipientes, conduziu-o a lutar pela preservação da paisagem, defendendo a sua integridade intrínseca tanto quanto isso for possível. Eugene procurou , ainda articular as concepções mecanicistas e organicistas da Terra, através da metáfora da nave espacial. No entanto, e dentro do mesmo espírito, incorporou a metáfora de Gaia nos seus artigos mais recentes (D.Worster, 1995 ) denotando uma enorme flexibilidade, humildade intelectuais e revelando uma profunda coerência com os seus objectivos ambientalistas.

Curiosidades: Clements e Odum são duas referências fundamentais para a compreensão da constituição da ecologia enquanto ciência, o primero como precursor, o segundo como representante da maturidade desta ciência. Odum formou-se na Universidade de IIlinois, logo na escola ecológica desenvolvida por Cowles, Clements, Cooper, Shelford entre outros. Eugene Odum alterou a metodologia e a terminologia utilizadas por Clemens substituiu o conceito de climax pela noção de ecossistema maduro, descritosegundo um modelo tabular de sucessão ecológica e a metáfora do superorganismo pela da nave espacial. As teorias da sucessão ecológica levantam a questão sobre se o seu próprio objecto de estudo é um fenómeno real ou se não passará de uma metáfora.
A mudança nas características destas comunidades é descrita em termos de estratégia ( Odum, 1969 ), um ecossistema pode ter uma estratégia para manter ou recuperar a estabilidade se perturbada.
O irmão de Eugene também é ecologista e ambos trabalharam em conjunto.


Bibliografia

Clements, Frederic, E. , "Excerpt ftom Plant Sucession: An Analysis of the Development of Vegetatíon", (1916), in Frank B.Golley, 00. , Ecolgical Sucession, Benchmark Papers in Ecology/5, ( Stroudsburg/Pennsylvanía: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc. , 1977) p. 185-186.

Clements, Frederic, e. , " Nature and Structure of the Climax", ( 1936 ), in A Leslie Real & James Brown, eds. , Foundations of Ecology, Classic Papers with Commentaries, ( Chicago, 1991) pp. 157-176.

Clafton, W.M. e Wells, B. W. , "The Old Field Prisere: An Ecologícal Study", ( 1934), in Frank, Golley, ed. , Ecological Succession, Benchmark Papers in Ecology/5, ( Stroudsburg/Pennsilvanía: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc. , 1977), p. 55-76.

Cowles, H.C. , "The Ecological Relations of the Vegetation on the Sand Dunes of Lake Michigan ", (1889), in ALeslie Real & James Brown eds. , Foundations of Ecology, Classic Paperswith Commentaries, (Chicago, 1991 ).
Drury, W.H. e Ian, c.T. Nisbet, " Succession", ( 1973 ),

Gleason, "The Individualistíc Concept of the Plant Association", ( 1962 ) , in Frank, Golley, ed. , Ecological Succession, Benchmark Papers in Ecology/5, ( Stroudsburg/Pennsylvanía: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc. , 1977), p. 187-206.

Keever, C. , "Causes of Successíon on Old Fields ofthe Piemont, North Carolina", ( 1950 ), in Frank Golley, ed. , Ecological Succession, Benchmark Papers in Ecology/5, ( Stroudsburg/Pennsylvanía: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc. , 1977), p. 146-165.

MacArthur, "Fluctuations of Animal Populations and a Measure of Communíty Stability", in Frank Golley, ed., Ecological Succession/5 Benchmark Papers in Ecology,( Stroudsburg/Pennsylvanía, Dowden, Hutchinson & Ross, Inc., 1977), p. 342-363.

Marks, P.L. e Bormann, F.H. , "Revegetation Following Forest Cutting: Mechanísms for Retum to Steady-State Nutrient Cycling", ( 1972 ), in, Frank Golley, ed., ,Ecological Succession, Benchmark Papers in Ecology/5, Stroudsburg/Pennsylvanía: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc., 1977), p. 174-177.

Odum, E.P. , Fundamentos de Ecologia, ( Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997).

Odum, E.P. e Smallay, Altred, "Comparison of Population Energy Flow of a Herbivorovs and a Deposit- Feeding Invertebrate in a Salt Marsh Ecosystem", ( 1959 ), in Richard Wiegert, G. , ed. , Ecological Energetics, Benchmark Papers in Ecology/4, ( Stroudsburg/Pennsylvania: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc. , 1976), p. 372-377.

Odum, E.P., "Production and Turnover in Old Field Succession", ( 1960 ), in Frank Golley, ed. , Ecological Succession, Benchmark Papers in Ecology/5, ( Stroudsburg/Pennsylvania: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc. , 1977), p. 102-106.

Odum, E.P. , "The Strategy ofEcosystem Development", ( 1969 ), in ALeslie Real & James Brown, eds. , Foundations of Ecology, Classic Papers wjth Commentaries, ( Chicago, 1991 ), p. 596 - 603.

Oosting, H.J. e Humphreys, M.E., "Buried Viable Seeds in a Successional Series of Old Field and Forest Soils", ( 1940 ), in Frank Golley, ed., Ecological Succession, Benchmark Papers in Ecology/5, ( Stroudsburg/Pennsylvania: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc., 1977), p.125-145.

Shelford, Victor, "Ecological Succession. lI. Pond Fishes ", ( 1911 ), in, Frank Golley, ed., Ecological Succession, Benchmark Papers in Ecology/5, ( StroudsburgIPennsylvania: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc., 1977 ), p. 77-101.

Tansley, AG. ," The Use and Abuse ofVegetational Concepts and Terms", ( 1935 ), in ALeslie Real & James Brown, eds. , Foundations of Ecology, Classic Papers with Commentaries, (Chicago: 1991 ), p. 318-341.

Whittaker, R.H. , "A Consideration ofClimax Theory: The Clímax as a Population and Patern", ( 1953 ), in Frank Golley, ed. , Ecological Succession, Benchmark Papers in Ecology/5, (Stroudsburg/Pennsylvania: Dowden, Hutchinson & Ross, Inc. , 1977), p. 240-269.

Worster, D. , "Healing the Planet", in Nature's Economy, A History of Ecological Ideas, ( Cambrige, 1995), p. 342-387.



19.12.03

O Papel das Mulheres na História da Psicanálise

Ao ler os compêndios de psicologia indigno-me, sempre, com o facto dos contributos das muitas mulheres, que trabalharam nas áreas da psicologia, psiquiatria e psicanálise raramente serem referidos. Por este, e outros motivos, vou iniciar uma série de breves referências biográficas e bibliográficas sobre algumas das mulheres que desempenharam um papel importante na difusão da psicanálise, da psiquiatria e da psicologia. Começarei por Clara Mabel Thompson (1893-1958).
Clara Thompson iniciou a sua carreira como psicanalista clássica, leccionando e treinando outros analistas no conservador New York Psychoanalytic Institute. Ao longo da sua formação profissional Clara teve, repetidamente, que fazer frente às autoridades científicas dominantes. Começou por aderir ao contributo de Freud, posteriormente, apoiou Ferenzi quando este perdeu o favor de Freud e Jones. Imbuída do mesmo espírito, opôs-se ao New York Psychoanalytic Institute em defesa de Karen Horney. Desempenhou um papel de liderança na constituição de um grupo independente de psicanálise, tendo sido a primeira presidente do Washington-Baltimore Psychoanalitic Institute, primeira vice-presidente da American Association for the Avancement of Psychoanalysis, a primeira directora executiva do William Alanson White Institute e administradora da Academy of Psychoanalysis. Em suma foi uma professora e analista dedicada, hábil supervisora e eloquente conferencista.
Clara Thompson ao longo da sua carreira, publicou inúmeros artigos e livros, nomeadamente, sobre psicologia feminina.

Bibliografia:

Thompson, Clara M.,Psychoanalysis: Evolution and development, (New York,
Hermitage House, 1950).
Thompson, Clara M. (1953). Towards a psychology of women. Pastoral Psychology, 4 (34), 29-38.
Thompson, Clara M. (1957). The different schools of psychoanalysis. American Journal of Nursing, 57, 1304-1307.
Thompson, Clara, Mabel, An Outline of Psychoanalysis, (Randon House, 1955).
Green, Maurice, R. (ed.), Interpersonal Psychoanalysis, The Selected Papers of Clara M.Thompson, (New York, Basic Books, 1964).
Thompson, Clara, Mabel; Green, Maurice, R., On Woman, (New American Library Trade, 1986).
Lembranças súbitas
Quando cheguei a casa, lembrei-me que hoje ao acordar, ainda de madrugada, de súbito me recordara das canções de Oswaldo Montenegro, cantor brasileiro, que escutei vezes sem conta e com muito agrado durante o Verão de 1982.
Transcrevo, abaixo, algumas das letras das minhas canções preferidas do álbum, Oswaldo Montenegro, retiradas da página oficial do artista.

Por Brilho (Oswaldo Montenegro)

Onde vá
Onde quer que vá
Leva o coração feliz
Toca a flauta da alegria
Como doce menestrel

Onde vá,
Onde quer que eu vá
Vou estar de olho atento
A tua menor tristeza
Por no teu sorriso o mel
Onde vá
Vá para ser estrela
As coisas se transformam
E isso não é bom nem mal
e onde quer que eu esteja
O nosso amor tem brilho
vou ver o teu sinal

Fado Doido (Oswaldo Montenegro)

Era loucura
Como é louco tudo o que eu fiz
Agora, seu eu sou feliz
Ai! Agora quem me diz?
Era loucura
E agora quem me diz
Se um dia eu vou
Se agora um dia eu fui feliz
Ai! E agora quem me diz
Oh! Linda passará na madrugada
É como se eu não percebesse nada
Liga não, é coisa de cantor
É como a chuva doida na floresta
É como a festa vir depois da festa
É como o gozo vir depois do amor
Ai! E agora quem me diz?


Bandolins (Oswaldo Montenegro)

Como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse
ao som dos bandolins e como não
E por que não dizer
que o mundo respirava mais se ela apertava assim seu colo
e como se não fosse um tempo
em que já fosse impróprio se dançar assim
ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
iluminava e a noite caminhava assim
e como um par o vento e a madrugada iluminavam a fada do meu botequim
valsando como valsa uma criança que entra na roda a noite tá no fim,
e ela valsando só na madrugada
se julgando amada ao som dos bandolins


Agonia (Mongol)

Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração
eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia


18.12.03

Confidências e Desababos de Savarin (11)

Uma Ementa de Natal

Menu adaptado do nº 231 do Jornal de Cozinha da Revista Cláudia, de 1980
As originais sugestões de Willy Blattner: iguarias em que se harmonizam sabores com rara maestria.

O cozinheiro suíço-alemão Willy Blattner começou a sua aprendizagem no restaurante Salmen e Gewerbeschule em Aarau, perto de Zurique. na Suíça. Depois de formado, trabalhou no Palace Hotel, em Lucerna e Saint-Moritz, como chef de commis. Passou pelo hotel Saint Margaret. na ilha de Guernesey. e, de 1972 a 1974, pelo hotel Sheraton, na ilha da Madeira. Em 1976, Willy deixou o Hotel Tollman Toers, em Joanesburgo, África do Sul, e entrou para a cadeia Hilton International. quando foi para o São Paulo Hilton Hotel. para um período de estágio. Em Novembro de 1977, recebeu o título invejável de chefe de cozinha do Brasilton São Paulo Hotel.




. PERU COM MOLHO DE VINHO E TANGERINAS AO GRAND MARNIER

1peru de 4 a 5kg
sal e pimenta branca
sumo de 2 limões
5 ramos de salsa
1 cebola cortada ao meio
1 chávena de óleo
3 ramos de alecrim
60 g de toucinho defumado em fatias

Molho

12 colher (sopa) de manteiga
1/4 de chávena de açúcar
1/2 chávena de vinho branco
2 chávenas de água
1/2 chávena de sumo
de tangerina
sumo de 1 limão
3/4 de chávena de Grand
Marnier .
l/2 chávena de mel de abelha

Gomos de tangerina

4 tangerinas, 1 chávena de água, 1/2 de chávena de Grand Marnier, 1/2 chávena de açúcar

Tempere o peru com sal e pimenta a gosto e o sumo dos limões, por fora e por dentro. Coloque os ramos de salsa e a cebola dentro do peru. Coloque o peru numa assadeira, de peito para baixo e despeje o óleo por cima. Disponha o alecrim por cima do peru e asse no forno em temperatura moderada (180 a 200º), Depois de 1 hora, vire o peru e coloque as fatias de toucinho defumado por cima do peito. Pincele com o líquido da assadeira.
. Depois de assado, retire e corte. Coloque numa bandeja e mantenha quente. Retire o líquido da assadeira e leve ao lume. Junte a manteiga e o açúcar e deixe cozinhar por uns 5 minutos. Acrescente o vinho branco, a água, o sumo de tangerina, o sumo de limão e deixe ferver por uns 10 minutos. Em seguida, junte o Grand Marnier, o mel, e deixe ferver lentamente por 10 a 5 minutos. Tempere com sal e pimenta branca a gosto. Para engrossar o molho, se necessário, acrescente 3 colheres de farinha de trigo desfeita num pouco de manteiga derretida e mexa bem. Passe o molho por uma peneira ou pano e despeje em cima do peru. Decore com os gomos de tangerinas. Para fazer os gomos, descasque as tangerinas e separe os gomos. Numa panela, coloque a água, o Grand Marnier e o açúcar. Leve ao lume até levantar fervura e junte os gomos de tangerina. Ferva por 3 a 4 minutos. Retire do lume e deixe no molho por 3 a 4 horas. Sirva o peru com repolho-roxo e arroz branco ou batatas duchesse. Dá 8 doses.

COQUETEL DE ABACATE E CAMARÕES

3 abacates médios maduros
sumo de um limão
6 folhas de alface
36 camarões-rosa, cozidos e descascados
6 rodelas de ovos cozidos,
3 azeitonas pretas,
6 ramos de agrião
1 limão cortado em fatias;
1 tomate, cortado em fatias,
1 1/4 chávena de molho Golf (veja receita a seguir)

Corte os abacates ao meio no sentido do comprimento. Retire o caroço, descasque e respingue com o sumo de limão. Forre um prato ou bandeja com as folhas de alface e coloque por cima os abacates. Disponha os camarões, as rodelas de ovos e as azeitonas sobre os abacates e decore em volta com agrião, fatias de limão e de tomates. Molhe com um pouco do molho Golf e sirva o restante em separado.

MOLHO GOLF
1 xícara de maionese
2 colheres (de sopa)
de ketchup 1 colher (sopa) de mostarda

Misture todos os ingredientes. Este prato pode ser servido num bufett ou como entrada. Rende 6 porções.

PERNIL DE PORCO COM AMEIXAS

300g de ameixas secas, 2 chávenas de vinho branco, 1 pernil de porco de 2 a 2 1/2 kg, sal e pimenta a gosto, alecrim a gosto, sumo de 1 limão, 1 chávena de óleo, 2 chávenas de água, 1 chávena de natas, 1 chávena de água, 2 colheres (de sopa) de farinha de trigo, 1 colher (de sopa) de manteiga derretida 1/2 chávena de geleia de morango,


Coloque as ameixas no vinho branco e deixe-as de molho de um dia para o outro. Retire de 15 a 20 ameixas do vinho e reserve. Cozinhe rapidamente as ameixas restantes no vinho branco e tire os caroços. Reserve o vinho. Tempere o pernil com sal, pimenta, alecrim e sumo de limão. Faça 15 a 20 cortes no pernil e enfie uma ameixa (das reservadas) em cada um. Coloque o pernil numa assadeira e despeje o óleo por cima. Leve ao forno em temperatura moderada (180 a 200°). Depois de assado, retire o pernil e coloque-o numa bandeja. Ponha a assadeira ao lume, junte o vinho reservado e a água e deixe ferver, em lume brando, por 10 minutos, raspando o fundo da assadeira de vez em quando. Adicione as natas e tempere a gosto. Misture a chávena de água com a farinha de trigo e a manteiga derretida. Faça uma pasta e junte pouco a pouco ao molho, mexendo até engrossar. Acrescente a geleia de morango. Passe o molho por uma peneira, junte as ameixas cozidas. Leve ao lume e deixe levantar fervura. Despeje o molho em cima da carne e, sirva. Para acompanhar, arroz branco ou batatas sauté e salada mista. Dá 8 porções.

TRONCO DE NATAL

5 ovos separados
1/2 chávena de açúcar
1/3 de chávena de farinha de trigo
1/4 de chávena a de Maizena
3 colheres (de sopa)
de chocolate em pó

Creme de manteiga
1 chávena de manteiga à
temperatura ambiente
1 1/4 chávena de açúcar de
confeiteiro
6 gotas de essência
de baunilha
100 g de chocolate meio
amargo,
2 ovos
Para enfeitar
figos e rodelas de abacaxi
cristalizados (opcional)

.Bata as gemas com 1/4 de chávena de açúcar até obter uma mistura cremosa. Junte a farinha, a .Maizena e o chocolate. Bata as claras em neve com o restante do açúcar. Junte as claras em neve à mistura de chocolate e mexa cuidadosamente. Forre uma assadeira de 39 x 26 cm com papel-manteiga. Unte o papel e espalhe a massa por cima. Leve ao forno em temperatura moderada (170º) e asse. Deixe esfriar. Espalhe um pouco de creme de manteiga por cima e enrole. Corte as pontas e faça dois ramos. Cubra com o restante do creme de manteiga e, com um garfo, faça: riscos para parecer um tronco de árvore. Leve à geladeira até a hora de servir. Então, se desejar, enfeite com figos e rodelas de abacaxi cristalizados. Para fazer o creme de manteiga, bata a manteiga amolecida com o açúcar de confeiteiro e a baunilha. Junte o chocolate derretido e os ovos e bata até ficar cremoso.

SURPRESA DE CEREJAS

250 g de ricota passado por peneira 11/2 litro de natasfrescas 1/2 chávena de açúcar 5 gotas de essência de baunilha, 3 colheres (de sopa) de rum 200 g de abacaxi ou ananás fresco, cortado em cubinhos cerejas em calda ou ao marasquino

Misture o ricota com 6 colheres (de sopa) de creme de leite até obter uma massa macia. Junte 4 colheres (de sopa) de açúcar, a baunilha, o rum e o abacaxi. Bata as restante natas em ponto de chantilly e junte o restante do açúcar, mexendo bem. Acrescente a metade do chantilly à mistura da ricota. Divida a massa em duas partes e encha 6 taças de champanhe com uma parte da massa. Coloque cerejas em cima. Cubra com a outra metade da massa e leve à geladeira. Decore com o restante do chantilly e uma cereja.

TORTA DE CENOURA ARGOVIENNE

1 chávena de açúcar, 7 gemas de ovo, 250.g de castanhas de caju, moídas 1 colher (de chá) de canela em pó casca ralado de um limão 2 colheres (de sopa) de aguardente, 1/3 chávena de pão ralado, 1/2 chávena de farinha de trigo, 1/2 colher (de chá) de fermento em pó 200 g de cenoura ralado, 5 claras de ovo 1/2 chávena de açúcar.

COBERTURA: 1 3/4 chávena de açúcar de confeiteiro 5 colheres (de sopa) de brandy 3 colheres (de sopa) de suco de limão 4 castanhas de caju inteiras confeitos coloridos

Bata bem o açúcar e as gemas. Junte a castanha de caju, a canela, a casca de limão, a aguardente, o pão ralado ou a, a farinha de trigo e o fermento em pó. Acrescente a cenoura. Bata bem as claras com o açúcar. Unte uma forma de bolo com manteiga e polvilhe com pão ralado. Espalhe a massa na forma e leve ao forno em temperatura moderada (180 a 200º), por uns 35 minutos. Depois de assada, desenforme imediatamente e deixe esfriar. Para fazer o glacê, misture todos os ingredientes. Espalhe apenas sobre o bolo, deixando os lados descobertos. Enfeite com os cajus, formando uma flor, e com os confeitos coloridos.



Favas num prato, Florença, Galeria Palatina, 24,5x34,5
Giovanna Garzoni, Favas num prato
Instantes

Registo aqui uma conversa agradável com uma pessoa amiga com quem não falava faz tempo.


Casada com a arte
Giovanna Garzoni (1600-1670) pintora e ilustradora italiana. Na época, a "grande arte da pintura a óleo sobre tela" não era uma especialidade onde uma mulher pudesse fazer carreira. Assim, Giovanna teve que se restringir ao trabalho de ilustradora científica, à caligrafia e ao retrato em miniatura, áreas consideradas socialmente aceitáveis e dignas para uma mulher. Domínios onde revelou o seu talento excepcional e obteve grande sucesso. Foi, aliás, uma das poucas mulheres pintoras que teve êxito em Itália. Trabalhou em França e Inglaterra antes de o fazer na corte dos Médicis em Florença.

Bibliografia:
Silvia Meloni Trkulja; Elena Fumagalli, Natures Mortes, Giovanna Garzoni, Bibliothèque de l'Image, Paris, 2000).

17.12.03

Duas Vias para a Compreensão da Hermenêutica: Heidegger e Paul Ricoeur
III- A Destruição da Metafísica (6)

A retomada, a reposição do "eu sou", não relevaria apenas uma fenomenologia no sentido de uma descrição intuitiva, mas resultaria de uma interpretação,
precisamente porque o "eu sou" teria sido esquecido, ele deverá ser reconquistado por uma interpretação que o desoculte. O "eu sou" tornou-se tema de uma hermenêutica. A reposição do Cogito, seria possível mediante um movimento regressivo partindo do fenómeno do ser-no-mundo e retornando à questão do "quem" deste ser-no-mundo. O "eu" permanece uma característica essencial do "ser-aí" e por isso deveria ser interpretada existencialmente. Antes da apresentação do ensaio heideggariano acerca do conceito de experiência em Hegel, segue-se uma breve síntese de alguns aspectos da Fenomenologia do Espírito.

O objecto da Fenomenologia do Espírito seria apresentar a "experiência" da consciência no acto de fazer-se "Espírito" e analisar as figuras sucessivas que ela assumiria no decorrer da sua ascensão. No primeiro estádio, a consciência é o saber do imediato ou do existente, e certeza sensível, ou seja "isto e a minha percepção disto".
É nessa certeza que se detem o realismo ingénuo, é nela que ele baseia a sua crença, é ela que a lei invoca quando apela para a inelutável brutalidade dos factos. Mas o que se passa exactamente na sua apreensão imediata e sensivel daquilo que se lhe dá?

Num primeiro momento, sente-se como a plenitude em que se expande a totalidade do Real se confunde com aquilo que se apreende, percepciona. Todavia, por pouco que se queira exprimir esta infinita riqueza aparente, tem de se limitar a uma verificação: há isto que há, há o "eu" que sabe que isto é : "A coisa.. .é " , para o saber sensivel é o essencial, este puro ser ou esta simples imediatidade constitui a verdade da coisa. A certeza enquanto relação é uma pura relação imediata. O singular conhece um puro este, conhece o que é singular: "O singular que conhece vai buscar todo o seu ser aquilo que conhece: Ele só ê na medida em que faz a experiência do seu objecto". Por conseguinte, "o objecto é", ele é a verdade e a essência, é indiferente ao facto de ser ou não ser, permanece mesmo que nao seja conhecido, mas o saber não existe se o objecto não existe. "A certeza sensível é em si mesma universal, como a verdade do seu objecto".

O "aqui e agora" torna-se não-essencial, a sua verdade reside na intencionalidade que o constitui como tal, no eu que o visa. Com efeito: "A desaparição do aqui e agora singulares, visados por mim, é evitada porque sou eu que os retenho. O agora é dia porque eu o vejo, o aqui é uma arvore pela mesma razão. No entanto, tanto nesta relação como na anterior, a certeza sensível faz em si mesma, a experiência da mesma dialéctica. Eu, um este, vejo a árvore e afirmo-a agora aqui, contudo um outro eu vê a casa e afirma que o aqui não é uma árvore mas uma casa. As duas verdades têm a mesma autenticidade, precisamente a imediatidade do ver, a segurança dos dois eus no seu conhecimento, todavia uma desaparece na outra.
"Mas, o que não desaparece nesta experiência é o que eu enquanto universal, cujo ver não é nem a visão da árvore, nem a visão desta casa, mas o ver simples mediatizado pela negação desta "casa..." que permanece simples e indiferente para com tudo o que está em jogo, a casa, a árvore, etc. O "eu é apenas universal...".

Uma Fenomenologia do Espírito" apresenta-se, assim, como uma descrição dos caminhos múltipIos e ordenados que a consciência percorre quando tenta dramaticamente, reconhecer-se como "Espírito", isto é, quando aceita viver como consciência os momentos da sua constituição. Como tal esta Fenomenologia é, simultaneamente, a introdução e a primeira parte do sistema.








15.12.03

A Lenda da Rosa do Natal

Eis o epílogo de um belo conto de Natal:

Helleborus niger
"Mas, a floresta de Goinga nunca mais celebrou o nascimento do Salvador e de toda a sua magnificência ficou apenas a planta que o Abade João tinha colhido. Puseram-lhe o nome de rosa do Natal, e todos os anos no fim de Dezembro, ela surge da terra com as suas hastes verdes e flores brancas, como se nunca pudesse esquecer que noutros tempos crescera e florira no maravilhoso jardim da floresta."
Selma Lagerlöf, A Lenda da Rosa do Natal

12.12.03


Confidências e Desabafos de Savarin

Música à Sobremesa


As duas receitas que se seguem são uma criação de Auguste Escoffier (1846-1935). A primeira constituiu uma forma de homenagem a uma heroína de Offenbach. A segunda foi elaborada em honra de Nellie Melba, cantora lírica australiana, em 1892/1893, aquando da sua passagem por Londres e estadia no Savoy.

Peras Belle-HélènePeras Belle-Hélène

1,25 dI de água
Meio pau de canela
1 colher de sumo de limão 2 peras grandes
100 g de chocolate amargo extrafino
2 dI de natas espessas
1 colher de brandy
500 g de gelado de baunilha
12 violetas cristalizadas


Por pessoa, aproximadamente 2600 kJ/620 kcal. 7 g de proteínas 53 g de gorduras. 66 g
de hidratos de carbono

Tempo de preparação: 40 minutos

Deixe ferver ligeiramente a água com o açúcar, a canela e o sumo de limão numa caçarola tapada. Lave as peras, seque-as, descasque-as, corte-as ao meio e retire-lhes o troço central. Escalfe as metades de pêra, tapadas em lume brando, consoante o tamanho e nível de maturação, durante 8 a 12 minutos, deixando-as depois arrefecer no líquido, Corte o chocolate em pedaços pequenos e deixe-o derreter com as natas, mexendo sempre, em lume brando. Retire o molho de chocolate do lume e adicione-lhe o brandy. Coloque em cada taça de sobremesa meia pêra com a concavidade virada para cima. Distribua 4 bolas grandes de gelado sobre as mesmas. Deite o molho de chocolate quente sobre as peras. Decore as taças com as violetas cristalizadas.


Pêche MelbaPêche Melba

400 g de framboesas ou groselhas
2 colheres de icing sugar
70 gr de açúcar
1 colher de sumo de limão
4 colheres de Cassis (licor de groselhas pretas)
4 pêssegos maduros de polpa rija
1 vagem de baunilha
500 g de gelado de baunilha

Por pessoa, aproximadamente
1510 kJ/360 kcal. 6 g de proteínas 13 g de gorduras. 48 g
de hidratos de carbono

Tempo de preparação: 20 minutos

Lave as framboesas, deixe-as escorrer, passe-as por um passador e misture-as com o açúcar, o sumo de limão e o Cassis. Escalde os pêssegos rapidamente e pele-os. Numa cassarola prepare um xarope fazendo ferver 1l de água com as 70 gr de açúcar e a vagem de baunilha fendida. Mergulhar os pêssegos no xarope durante dez minutos. Retire-os com uma escumadeira, corte-os ao meio e descaroce-os. Coloque 2 metades de pêssego, com a concavidade virada para cima, em cada prato de se mesa. Forme 8 bolas de gelado distribua-as pelas concavides dos pêssegos. Cubra o gelado e os pêssegos com o molho de framboesas.
Pode decorar a sobremesa, se desejar, com rosetas de natas, framboesas inteiras e lascas de amêndoa torrada.














4.12.03




Sinto-me tão feliz! A esta hora não me encontro, como vem sendo hábito nas últimas tardes de Quinta-feira, a observar aulas do docente doente e o fim de tarde está frio mas deslumbrante! A Vida é bela!

1.12.03


Casada com um génio (2)

Sonya ficou noiva aos dezassete anos, sentia-se muito apaixonada, mas sentiu a sua paixão como uma verdadeira ingénua, ignorante acerca de determinados aspectos da vida. A noiva de Tolstoy foi educada numa atmosfera familiar alegre e calorosa, num meio sofisticado. O seu primeiro contacto com as realidades físicas do amor foi inesperado e brutal. Tolstoy acreditando na necessidade de uma lealdade completa para com a sua noiva, mostrou-lhe o seu Diário íntimo onde discorria sobre as suas aspirações e relatava as suas aventuras de celibatário, que qualificava de "deboches" porque sentia tremendos remorsos. Acusava-se de uma "terrível luxúria que se tornara uma verdadeira doença" declarando em simultâneo que não acreditava no amor romântico. Pensava que a sua mulher não devia desconhecer o pior de si mesmo e entregou as confissões da sua luxúria a uma jovem ingénua, que ficou profundamente magoada e chorou durante toda a noite. Era um mau começo; pouco tempo após o casamento, ela escrevia: "Todas as manifestações físicas me causam tal repugnância!... É terrível. horrorosamente triste!"
Além disso a virulência das manifestações sexuais do marido juntamente com as recordações do seu Diário e com o facto de ele se afastar dela durante os períodos de gravidez, dava-lhe motivo para pensar que o marido só sentia por ela uma atracção física e não um sentimento de genuíno amor. Antes do nascimento do primeiro filho escreveu: "Não posso dar-lhe nenhuma alegria enquanto estou grávida. Que tristeza pensar que uma mulher só sabe nesse estado se o marido a ama ou não." Afirmou ainda: "Sonho muitas vezes em ter uma intimidade espiritual com Leão e não só essa nojenta intimidade corporal." Não será de admirar que uma gravidez ocorrida naquelas condições fosse vivida sob uma perspectiva negativa, pois estava intrinsecamente ligada às relações físicas odiadas bem assim como ao estado em que, não passaria de "um espantalho para o marido". A gravidez tornar-se-ia, assim, sinónimo de solidão afectiva; seria essa a razão por que confessou: "Este estado é-me insuportável física e moralmente." "Estes nove meses foram os mais terríveis da minha vida. Quanto ao décimo mais vale não falar dele." Apesar de tudo, tem ainda força para amar o filho: "É o filho de Leon, eis porque o amo." Tratar-se-ia do o meio que lhe restaria para encontrar a união espiritual com o marido com que sonharia.
Sonya Tolstoy deu à luz treze filhos e teve três abortos. O marido considerava que uma mulher que tinha relações sexuais sem ficar grávida não passava de uma prostituta. Se no início da sua vida em comum Tolstoy considerava o casamento um estado sagrado, acabou por o representar como uma "prostituição doméstica". Para ele, a família identificava-se com a carne. Na obra Sonata a Kreutzer Tolstoy negou a santidade do casamento. Sonya terá deduzido que o marido sempre teria concebido o amor físico como degradante e se sentiria esmagado pelos remorsos depois de o ter consumado. Sentir-se-ia indissoluvelmente associada à ideia de pecado. Essa ideia, juntamente com as suas repulsas e os riscos decorrentes dos contínuos estados de gravidez, tomava-lhe difícil a obrigação de corresponder aos desejos fogosos de que continuaria a ser objecto. Não via a mínima recompensa para a sua submissão. Na referida obra Tolstoy descreveu o amor como a sexualidade reduzida a si mesma, sem afeição, sem união espiritual. Sonya revoltou-se e a sua décima segunda gravidez foi vivida como a pior das desgraças. Fez tudo o que pôde imaginar para provocar empiricamente um aborto. Tomava banhos tão quentes que corria o risco de desmaiar, conservava indefinidamente os pés em água quase a ferver; ou então a velha ama via-a trepar para cima de uma cómoda alta e saltar para o chão, repetindo obstinadamente esse exercício. Tolstoy abandonou a casa, deixanda-a sozinha na altura do parto. Ela escreveu mais tarde: "Durante toda a minha gravidez nunca deixou de ser desagradável comigo. Provavelmente era o meu aspecto que o indispunha." Assim. o seu papel e a sua função de mãe não eram reconhecidos como tal, não passariam de uma autorização para realizar o acto sexual.
Tolstoy estava obcecado pela ideia de que devia viver na pobreza e abandonar todos os seus bens; tal atitude desencadeou um grave conflito com a mulher, que considerava esse desejo como uma recusa em assumir as suas responsabilidades de pai de família, fazendo recair as consequências das suas decisões apenas sobre ela; por isso escrevia: "Não sabia como me adaptar às suas novas ideias. Com todos aqueles filhos não podia seguir como um cata-vento todas as reviravoltas espirituais do meu marido... Se como o meu esposo desejava tivesse dado toda a nossa fortuna - gostava de saber a quem? -, teria ficado na miséria com os filhos. Seria obrigada a trabalhar para toda a família, a cozinhar, a passajar. a lavar, a privar os filhos de educação. Quanto a Leão, por vocação e por gosto não teria feito mais nada senão escrever."

Bibliografia

Asquith, Cynthia, Married to Tolstoy, (New York, Houghton Mifflin, 1961).
Edwards, Anne. Sonya, The Life of Countess Tolstoy, (New York, Carroll & Graf Publishers, 1983).
Tolstoy's War with Love, by David Laskin, http://www.pbs.org/wgbh/masterpiece/anna/ei_war.html
The Woman Question, http://www.pbs.org/wgbh/masterpiece/anna/ei_woman.html
Tolstoy, Sonata a Kreutzer, http://www.ccel.org/t/tolstoy/kreutzer/kreutzer.txt
http://www.varchive.org/tpp/kreutzer.htm
Sonja TolstoyCasada com um génio: Sofia/Sonya/SonjaTolstoy (1844-1919)

"I gave birth to thirteen children on a hard-backed leather chair whilst my husband was writing his manifestos on celibacy."
"September 12, 1867. I am nothing but a miserable, crushed worm, whom no one wants, whom no one loves, a useless creature with morning sickness, and a big belly, two rotten teeth, and a bad temper, a battered sense of dignity, and a love which nobody wants and which nearly drives me insane."

December 1890. I copied Lyova's diaries up to the point where he says: "There is no love; there is only the physical need for intercourse, and the rational need for a life companion." If I had known this was his view twenty- nine years ago, I would never have married him."

Countess Sonya Tolstoy, Diary 1862-91